AGRONEGÓCIO
Tecnologia capixaba impulsiona a produção de mudas de café e fortalece a cafeicultura nacional
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A modernização da cafeicultura brasileira avança desde as etapas iniciais de produção. A adoção de tecnologias que antes se concentravam nas lavouras agora se estende também aos viveiros, fase fundamental para a formação de mudas mais resistentes e produtivas. Um exemplo desse movimento é o projeto desenvolvido pela Hydra Irrigações, empresa capixaba pioneira na distribuição da Netafim no Brasil, que está implantando um sistema de irrigação de alta precisão na nova unidade do Viveiro Babilon, em Itamaraju, no extremo sul da Bahia.
Inovação chega aos viveiros e muda o padrão da cafeicultura
A Hydra Irrigações aposta na tecnificação da produção de mudas como um passo decisivo para profissionalizar toda a cadeia do café. De acordo com o engenheiro agrônomo e diretor da empresa, Elidio Torezani, o setor vive uma transformação que começa na base da lavoura.
“A tecnologia deixou de ser exclusividade do campo aberto. Hoje ela chega com força aos viveiros, mostrando que a profissionalização da cafeicultura precisa começar na muda”, afirma Torezani.
O Viveiro Babilon, tradicional produtor de mudas no Espírito Santo, amplia agora suas operações para a Bahia, atraído pelo potencial agrícola da região e pela logística mais eficiente para distribuição. A nova unidade é o primeiro passo da expansão interestadual da empresa.
Produção em larga escala com tecnologia paperpot
Projetado para produzir até 6 milhões de mudas por ciclo e 12 milhões por ano, o novo viveiro aposta em inovação e escala. Todas as mudas serão formadas com o sistema paperpot, tecnologia que vem ganhando espaço no país por proporcionar melhor enraizamento, uniformidade e sanidade das plantas.
Segundo Torezani, o investimento tecnológico desde a origem da planta transforma os resultados no campo:
“Quando se investe em tecnologia desde a formação da muda, o produtor inicia a lavoura em outro patamar de produtividade e qualidade.”
Irrigação automatizada e fertirrigação de precisão
O sistema desenvolvido pela Hydra Irrigações incorpora automação total e fertirrigação inteligente, com controle remoto e monitoramento online. Equipamentos conectados à internet permitem ajustes instantâneos na dosagem de água e nutrientes, garantindo eficiência e economia.
“Em muitos viveiros ainda se trabalha com sistemas convencionais ou até sem fertirrigação. Aqui, o controle é totalmente automatizado, o que assegura nutrição equilibrada e um padrão superior de mudas”, explica Torezani.
Essa precisão tecnológica resulta em melhor aproveitamento de insumos, uniformidade das plantas e redução de perdas no processo de enraizamento.
Reflexos diretos no campo e ganho de produtividade
Os benefícios obtidos na fase de muda têm impacto direto nas lavouras de café, com melhor pegamento no plantio, maior sanidade e crescimento mais equilibrado ao longo do ciclo produtivo.
“O produtor que começa a lavoura com uma muda de qualidade reduz riscos e ganha eficiência desde o início. Problemas na fase de muda costumam acompanhar a planta por toda a vida produtiva”, reforça o engenheiro.
Projeto será concluído até março de 2026
A implantação do novo viveiro teve início em dezembro de 2025 e está sendo realizada em etapas. Parte da estrutura já opera com as primeiras mudas em fase de crescimento, e a previsão é que a conclusão total ocorra até o final de março de 2026.
Para Elidio Torezani, o projeto demonstra como a inovação pode transformar o futuro da cafeicultura:
“Quando a tecnologia começa na muda, toda a cadeia produtiva se fortalece. O resultado é um café mais competitivo, sustentável e de alta qualidade.”
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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