AGRONEGÓCIO
USDA revisa projeções das safras de café 2025/26 no Brasil, Vietnã e Colômbia
AGRONEGÓCIO
Os adidos agrícolas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgaram novas estimativas para as safras 2025/26 de café dos três maiores produtores mundiais — Brasil, Vietnã e Colômbia. As revisões apontam ajustes importantes nas projeções anteriores, com queda na produção brasileira e crescimento na oferta vietnamita, enquanto a Colômbia deve registrar retração após uma safra histórica.
Brasil: menor produção de arábica, mas robusta em alta
De acordo com o adido do USDA, o Brasil deve colher 63 milhões de sacas de 60 kg de café em 2025/26 (período de outubro a setembro), volume inferior às 65 milhões de sacas da temporada anterior.
A produção de café arábica deve somar 38 milhões de sacas, queda expressiva frente aos 44 milhões de 2024/25, enquanto o robusta deve crescer de 21 milhões para 25 milhões de sacas, impulsionado por condições climáticas favoráveis.
As exportações brasileiras devem totalizar 40,75 milhões de sacas, recuo de 2,4% em relação à safra anterior, mas ainda com valor recorde devido aos preços elevados no mercado internacional. A redução é atribuída aos volumes recordes de 2024, à menor oferta da nova safra e ao impacto de novas tarifas.
O consumo doméstico deve atingir 22,28 milhões de sacas, ligeiramente acima das 21,97 milhões de 2024/25. Já os estoques finais devem subir para 485 mil sacas, ante 440 mil na temporada anterior.
Vietnã: produção e exportações em expansão
No Vietnã, o USDA projeta produção de 30,8 milhões de sacas de 60 kg em 2025/26, acima das 29 milhões estimadas para 2024/25. A produção de arábica deve avançar para 1,2 milhão de sacas, enquanto o robusta deve atingir 29,6 milhões, reforçando o domínio do país nesse segmento.
As exportações vietnamitas devem crescer para 27,3 milhões de sacas, frente a 25,2 milhões na safra anterior, acompanhadas por importações de 1,3 milhão de sacas. O consumo interno também deve aumentar levemente, passando de 4,8 milhões para 4,9 milhões de sacas.
Os estoques finais, no entanto, devem recuar para 889 mil sacas, ante 989 mil em 2024/25, refletindo o aumento do volume exportado.
Colômbia: retração após safra recorde
A produção de café da Colômbia, totalmente composta por arábica, deve alcançar 13,8 milhões de sacas de 60 kg em 2025/26, uma queda de 6,8% frente às 14,8 milhões da temporada anterior.
O adido agrícola destacou que, após registrar a maior produção dos últimos 30 anos em 2024/25, as lavouras colombianas mostram sinais de exaustão, com floradas reduzidas.
As exportações devem cair de 13,377 milhões de sacas para 12,55 milhões, enquanto o consumo interno tende a crescer de 2,149 milhões para 2,27 milhões de sacas. Os estoques finais devem subir levemente, de 922 mil para 966 mil sacas.
Panorama global
As revisões feitas pelos adidos do USDA indicam um cenário misto para o mercado global de café: o Brasil deve reduzir sua produção total, compensada parcialmente pelo aumento do robusta; o Vietnã segue ampliando sua oferta e exportações; e a Colômbia deve ajustar sua produção após resultados excepcionais.
Esses movimentos devem impactar os preços internacionais e a dinâmica de oferta global ao longo da temporada 2025/26.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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