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Produção animal avança para modelo preventivo no controle de microrganismos e reduz dependência de antibióticos

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A produção animal atravessa um período de transformação no controle de microrganismos indesejáveis. Embora os antibióticos ainda sejam amplamente utilizados, cresce a busca por estratégias mais preventivas, baseadas em biosseguridade, nutrição e tecnologias aplicadas ao manejo sanitário.

Exigências internacionais aceleram mudanças no setor

A transição é impulsionada, principalmente, pelas exigências do mercado externo. Países e blocos econômicos, como Europa e China, têm ampliado a demanda por práticas que reduzam o uso de antimicrobianos na produção animal.

Esse cenário tem estimulado mudanças em toda a cadeia produtiva, desde o manejo nas granjas até a formulação das dietas e o controle sanitário.

Estratégia integrada substitui soluções isoladas

De acordo com Juliana Arrais, zootecnista e gerente de Serviços Técnicos da Kemin, o setor passa por uma revisão ampla das estratégias sanitárias.

Segundo ela, não existe um único produto capaz de substituir os antibióticos. A tendência é a adoção de uma abordagem integrada, que começa na biosseguridade e envolve diferentes soluções adaptadas a cada sistema produtivo.

Nesse contexto, alternativas como probióticos, óleos essenciais e ácidos orgânicos ganham espaço como parte de programas mais completos de controle microbiológico.

Controle sanitário começa antes do animal

Um dos principais avanços no setor é o entendimento de que o controle de microrganismos não se limita ao organismo dos animais. Muitas contaminações têm origem em etapas anteriores da cadeia produtiva.

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Entre os pontos críticos estão:

  • Controle de acesso nas granjas (pessoas, animais e pragas);
  • Qualidade dos ingredientes utilizados na alimentação;
  • Monitoramento microbiológico da ração antes do consumo.

Além disso, a qualidade das matérias-primas e as boas práticas de fabricação nas fábricas de ração são determinantes para reduzir riscos de contaminação.

Principais microrganismos preocupam a produção animal

Entre os patógenos que mais desafiam o setor estão Clostridium, Escherichia coli e Salmonella, cada um com impactos distintos.

O Clostridium compromete o desempenho produtivo, inclusive em casos subclínicos. Já a Salmonella representa risco adicional à saúde pública e à segurança dos alimentos.

A E. coli, por sua vez, segue como um dos maiores desafios dentro das granjas, devido à sua presença recorrente e à elevada resistência a antibióticos. O microrganismo pode causar perdas produtivas, aumento da mortalidade e prejuízos na qualidade das carcaças, especialmente em situações de estresse, como calor excessivo.

Prevenção ganha protagonismo na gestão sanitária

A mudança no setor também envolve uma nova abordagem na gestão sanitária. Se antes o foco estava no tratamento de problemas já instalados, agora a prevenção se torna prioridade.

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Essa estratégia contribui para reduzir custos, melhorar o desempenho produtivo e aumentar a segurança dos alimentos.

Entre os principais desafios ainda observados nas granjas estão:

  • Falhas no controle de matérias-primas;
  • Ausência de monitoramento microbiológico da água;
  • Dificuldades na manutenção do vazio sanitário;
  • Falta de estratégias específicas por região.
Tecnologias e conceito One Health devem guiar o futuro

Para a próxima década, a tendência é de uma gestão sanitária cada vez mais baseada em prevenção e monitoramento contínuo.

O avanço das tecnologias de diagnóstico deve permitir a identificação precoce de riscos microbiológicos, favorecendo decisões mais assertivas nas granjas e nas fábricas de ração.

Esse movimento também está alinhado ao conceito de One Health, que integra saúde animal, humana e ambiental. A abordagem deve contribuir para reduzir o uso de antimicrobianos e melhorar o controle de patógenos em toda a cadeia produtiva.

Com isso, o setor espera ganhos tanto em produtividade quanto na qualidade final dos produtos, além de avanços no combate à resistência antimicrobiana.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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