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Debatedores afirmam que isenção do IR será positiva para a economia

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O projeto de lei que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil (PL 1.087/2025) pode ter efeitos econômicos positivos para o país: pode contribuir para melhorar a distribuição de renda, diminuir as desigualdades sociais e aprimorar a eficiência e a competitividade da economia brasileira. Mas o texto precisa de modificações para ser aperfeiçoado.

Essa avaliação foi apresentada durante a quarta — e última — audiência pública sobre o projeto promovida pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE)  do Senado, nesta quinta-feira (23). Participaram do debate pesquisadores, representantes do governo e do setor privado, entre outros.

O projeto é de autoria do governo e já foi aprovado na Câmara. Além de prever isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a proposta determina a redução gradual da alíquota do Imposto de Renda para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350.

Para compensar a renúncia fiscal, o projeto prevê a tributação de lucros e dividendos na fonte (para distribuições superiores a R$ 50 mil) e a criação de um “imposto mínimo” de até 10% para pessoas de alta renda (superior a R$ 600 mil por ano).

Atualmente, a matéria está em análise na CAE, sob a relatoria do próprio presidente da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ao defender o projeto, ele argumentou que a iniciativa vai beneficiar diretamente mais de 25 milhões de pessoas e terá um “impacto [positivo] inegável na economia”.

— Certamente essa isenção ajudará a impulsionar ainda mais os resultados econômicos. (…) Do ponto de vista de sua abrangência, o projeto em alguns estados irá atender mais de 95% da população — disse ele.

Justiça tributária

Subsecretária de Política Fiscal do Ministério da Fazenda, Débora Freire defendeu não só a isenção, mas também a cobrança do imposto mínimo sobre os mais ricos.

— É muito importante que a isenção seja compensada por uma medida que corrija a distorção que temos atualmente no Imposto de Renda da Pessoa Física, que é essa regressividade no topo da distribuição. Ou seja, quem está lá no topo paga uma alíquota muito menor do que quem está lá no meio da distribuição — afirmou.

Débora destacou que os 0,7% mais rico do país pagam atualmente uma alíquota efetiva (5,67%, segundo ela) que é menor do que aquela que incide sobre os demais contribuintes.

— Isso é vergonhoso. A gente precisa corrigir essa distorção. Porque quem está lá no topo da distribuição está pagando uma alíquota efetiva próxima de quem ganha, acreditem, em torno de R$ 7 mil. Então, quem ganha R$ 23 milhões mensais paga uma alíquota efetiva próxima daquela que é paga por quem ganha pouco mais de R$ 7 mil por mês.

A subsecretária enfatizou que, de acordo com o projeto, a redução do imposto de renda para 14,5% da população será custeada em sua maior parte pela elevação da alíquota efetiva paga pelo 0,2% mais rico (veja tabela), que, ressalta ela, se apropria de 15% da renda nacional.

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Solução “engenhosa” e estímulo ao consumo

Para Manoel Pires, coordenador do Observatório da Política Fiscal da Fundação Getúlio Vargas e professor da Universidade de Brasília, a solução que o Ministério da Fazenda propôs para controlar o impacto fiscal do projeto e ao mesmo tempo beneficiar uma grande quantidade de pessoas foi “engenhosa”. Ele salientou que, se o governo tivesse proposto apenas um reajuste da tabela tradicional, o custo fiscal seria muito maior.

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De acordo com as estimativas do observatório, o impacto fiscal negativo da desoneração será de cerca de R$ 25 bilhões. Por outro lado, as medidas adotadas para compensar essa renúncia fiscal teriam um potencial arrecadatório de aproximadamente R$ 33 bilhões.

— Nas nossas contas, portanto, o impacto fiscal líquido do projeto seria de aproximadamente de R$ 8,5 bilhões. (…) A avaliação é que o projeto tem um impacto positivo. Uma característica muito negativa do nosso Imposto de Renda Pessoa Física, atualmente, é a regressividade no topo da renda [ou seja, os mais ricos pagam proporcionalmente menos imposto que os mais pobres].

Pires também enfatizou que, do ponto de vista econômico, o projeto também tem um impacto positivo, e o principal efeito seria estimular o nível de consumo. Segundo ele, os contribuintes que irão usufruir dessa renúncia fiscal têm uma renda mais baixa e dependem mais da renda para consumir. Já os contribuintes de maior renda, que vão financiar essa desoneração, não devem reduzir tanto o seu consumo (devido ao alto nível de renda que  possuem).

Além disso, observou ele, estudos indicam que a tributação sobre dividendos não tem impactos significativos nos investimentos das empresas.

Alerta

Manoel Pires, no entanto, alertou para eventuais problemas que podem ser causados por mudanças feitas na Câmara. Os deputados federais alteraram o projeto para incluir, por exemplo, exceções ao imposto mínimo. Tais alterações, apontou ele, podem prejudicar a arrecadação desse imposto e precisam ser dicutidas na CAE.

— Com elas [as exceções], piora o impacto fiscal do projeto. Ao se incluir muitas isenções relacionadas ao imposto mínimo, acaba-se por diminuir a capacidade do projeto de controlar a regressividade no topo da renda. É extremamente importante que esta comissão [a CAE] aborde esse esvaziamento de alguns itens do imposto mínimo.

De acordo com o pesquisador, a massa de contribuintes mais relevante (entre os que possuem maior renda) estaria nas rendas superiores a R$ 800 mil. Ele afirmou que relativamente poucas pessoas pagarão o imposto mínimo na faixa de renda próxima aos R$ 600 mil anuais.

Débora Freire, do Ministério da Fazenda, concordou com o alerta feito por Pires. Ela reiterou que algumas das modificações feitas na Câmara podem prejudicar a efetividade da proposta.

Renda e consumo

Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o economista Sérgio Gobetti declarou que o projeto pode contribuir para o aprimoramento da eficiência e da competitividade da economia brasileira.

Para ele, o atual modelo, que dá isenção aos dividendos e concentra a tributação sobre o lucro da empresa, “é um modelo distorcido que gera inúmeras distorções econômicas”. Dessa forma, argumenta Gobetti, a retomada da tributação dos dividendos abre caminho para mudanças que podem aproximar o país do que há de mais moderno no mundo.

— O Brasil é um país que tributa muito pouco a renda e tributa demasiadamente o consumo. E este é um dos objetivos futuros de uma reforma mais estrutural que temos de fazer no país em termos de tributação: o Brasil deveria caminhar para mais tributação sobre a renda e menos sobre o consumo, e o que nós estamos tratando na reforma do Imposto de Renda permite isso — afirmou.

Em sua apresentação, Gobetti destacou que, “ao contrário do que é propagado por muitos lobistas”, a tributação mínima sobre altas rendas não pretende punir o empreendedor, mas, ao contrário, reduz a diferença de carga tributária entre empresas (e empresários) que investem e empregam mais e aqueles que investem e empregam menos, mas lucram muito e pagam pouco imposto.

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Ao lembrar que há no país uma alta concentração de renda, ele observou que isso piorou após a pandemia. Segundo o economista do Ipea, a renda apropriada pelo 1% mais rico cresceu de 20,4% para 24,3% nos últimos seis anos, e 85% desse aumento foi apropriado por pelo milésimo mais rico (0,1%).

— É preciso reavaliar os regimes especiais e os gastos tributários de modo rigoroso, de modo a ampliar a base tributável e abrir espaço para a redução da alíquota nominal de Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica. (…) A proposta de imposto mínimo é um paliativo que pode amenizar as distorções e servir de experimento para um novo modelo amplo de tributação da renda.

Mitos

Gobetti ressaltou que existem “mitos” que rondam a proposta. Ele disse, por exemplo, que não haverá impacto negativo sobre os investimentos e o crescimento econômico, o que seria demonstrado por estudos baseados em episódios de mudança no nível de tributação sobre dividendos nas últimas duas décadas.

Outro mito seria o da “fuga de milionários”, que segundo o economista, também não ocorrerá, pois, como os dividendos a serem enviados ao exterior serão tributados, a retirada desses recursos do país não livrará a pessoa do imposto. Além disso, o perfil de negócio que poderia ser transplantado para outro país (como os do setor de serviços, por exemplo) tende a estar baseado no lucro presumido no Brasil e teria dificuldade para encontrar melhores condições de tributação em outro país.

Dividendos

Nem todos os participantes do debate apoiaram a tributação de dividendos. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simoneti, afirmou que essa tributação prejudicará os profissionais liberais — como advogados, médicos, dentistas, engenheiros, entre outros.

— Trata-se de um incentivo para que haja uma migração em massa da sociedade dos advogados para a informalidade, o que poderá colocar em xeque tanto a qualidade dos serviços advocatícios prestados à sociedade como a capacidade de fiscalização da atividade profissional por parte da OAB — disse.

Por isso, argumentou ele, é necessário alterar a proposta no que se refere aos profissionais liberais.

Para o consultor tributário da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) Gilberto Alvarenga, é necessário atualizar os valores  que estão no projeto.

— Aquele sócio que receber no ano, uma única vez, um valor superior a R$ 50 mil, vai ter essa retenção. Muito embora nos demais meses haja um recebimento menor. Isso faz com que se gere um fluxo de caixa negativo para as empresas e positivo para o Estado — declarou Alvarenga.

Ele ressaltou que “em momento algum a CNC é contrária à extensão e à adequação da tabela do Imposto de Renda, já que isso trará bem-estar social e incentivo ao consumo”. Alvarenga indicou alternativas que poderiam ser incluídas no projeto, como a majoração da tributação das chamadas bets.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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