POLÍTICA NACIONAL
Deputado defende integração entre pautas social e ambiental na COP30
POLÍTICA NACIONAL
O coordenador da Frente Parlamentar pelo Combate às Desigualdades, deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), defendeu nesta quarta-feira (5) a integração urgente entre as pautas socioeconômica e ambiental que serão debatidas na Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA), a partir de segunda-feira (10).
A frente parlamentar reuniu representantes do governo e da sociedade civil na Câmara dos Deputados e apresentou ações em defesa da justiça climática, com foco em reduzir os impactos desiguais de enchentes e secas.
Segundo o deputado, a transição ecológica justa, a taxação de grandes fortunas e a valorização dos conhecimentos dos povos tradicionais são eixos centrais dessa agenda.
“A relação é direta. Precisamos pensar em um modelo de desenvolvimento econômico e social que reduza a desigualdade, supere a pobreza, erradique a fome e promova a distribuição de renda, riqueza e terra com responsabilidade ambiental”, afirmou. “Vamos fazer esse debate na COP com movimentos sociais e com o governo.”
O secretário de Políticas para Periferias do Ministério das Cidades, Guilherme Simões, destacou que o governo federal prioriza o combate às desigualdades sociais para reduzir a vulnerabilidade da população a eventos climáticos extremos.
“O governo brasileiro vai mostrar ao mundo que é impossível combater os efeitos da mudança do clima sem políticas públicas articuladas e planejadas para enfrentar as desigualdades socioeconômicas”, disse.

Retrocessos
O secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luiz Ventura, alertou para retrocessos na legislação ambiental, especialmente em relação ao marco temporal e à flexibilização do licenciamento ambiental em territórios indígenas.
“A questão territorial precisa estar no centro das discussões rumo à COP30, porque sem demarcação de terras indígenas não há justiça social nem ambiental”, afirmou.
A coordenadora da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, Maíra Oliveira, celebrou a saída do Brasil do Mapa da Fome, mas destacou que o desafio agora é garantir o acesso a alimentos saudáveis, nutritivos e produzidos de forma sustentável.
Mariana
O encontro coincidiu com os dez anos do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG) – considerado o maior crime socioambiental do país – que deixou 19 mortos e devastou comunidades ao longo do Rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo.
O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Pedro Mendonça, lembrou que os impactos ainda afetam cerca de 20 municípios e que os processos de reparação e indenização permanecem parados na Justiça.
“Os desastres têm causas acumuladas. A desigualdade estrutural existe há séculos no Brasil, marcada pelo nosso passado colonial, e gera contradições em várias escalas”, observou.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Conselho de Ética aprova 60 dias de suspensão para três deputados por ocupação do Plenário
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (5), após mais de nove horas de reunião, a suspensão dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por 60 dias. Os parlamentares ainda podem recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). A decisão final será do Plenário por maioria absoluta (257 deputados).
Foi aprovado o parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE). O texto do relator conclui que os três parlamentares adotaram condutas incompatíveis com o decoro parlamentar durante a ocupação da Mesa Diretora da Casa na sessão do Plenário de 5 de agosto de 2025.
Durante a ocupação, os deputados cobravam a inclusão na pauta do projeto de anistia (PL 216/23) aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), só conseguiu reocupar a cadeira da Presidência no dia 6 de agosto.
Rodrigues recomendou punição severa para sinalizar que a Câmara não tolera esse tipo de comportamento, aumentando para 60 dias de suspensão a pena inicialmente sugerida pela Mesa Diretora, que era de 30 dias.
Pollon respondeu por se sentar na cadeira da Presidência da Câmara, impedindo o retorno do presidente Hugo Motta; Van Hattem por ter ocupado outra cadeira da Mesa; e Zé Trovão por ter usado o corpo para barrar fisicamente o acesso do presidente à Mesa.
As condutas foram objeto das representações 24, 25 e 27, todas de 2025, e votadas separadamente. No caso de Pollon, foram 13 votos pela suspensão e 4 contrários, o mesmo placar de Van Hattem. Zé Trovão teve 15 votos pela suspensão e 4 contrários.

Defesa de Zé Trovão
Em sua defesa, Zé Trovão fez um desabafo emocionado logo no início da reunião, afirmando que a suspensão afeta diretamente seus assessores, “deixando cerca de 20 famílias sem sustento” por dois meses. “O que mais está me doendo hoje é olhar nos olhos dos meus funcionários e não saber o que falar.”
Em sua defesa, citou passagens bíblicas e fatos históricos, e classificou o momento político como de perseguição e inversão de valores. “Se for preciso tomar a Mesa novamente em algum momento da história para defender quem me elegeu, assim o farei”, disse Zé Trovão.
O advogado Eduardo Moura, na defesa técnica, argumentou que vídeos da sessão não revelam irregularidades do deputado e destacou que testemunhas o descreveram como “alguém que tentava impedir conflitos físicos no Plenário”.
Defesa de Marcel van Hattem
Fazendo coro ao colega, Van Hattem chamou o processo de “perseguição política” e comparou sua situação à dos presos pelos atos de 8 de janeiro. O deputado também afirmou que, havendo necessidade, faria novamente. E acrescentou: “se essa injustiça vier, vamos enquadrar e colocar na parede como medalha de honra”.
Pela defesa do deputado, o advogado Jeffrey Chiquini definiu o julgamento como uma “punição política”.

Defesa de Marcos Pollon
Pollon criticou duramente a recusa da Presidência da Câmara em pautar o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e classificou as prisões como “ilegais” e o cenário jurídico atual do Brasil como um “estado de exceção”. “Não carregaremos a vergonha de termos nos acovardado ou omitido”, disse.
Na defesa técnica, o advogado Mariano lamentou a negativa de ouvir testemunhas sugerias pela defesa e também disse que as questões técnicas foram deixadas de lado em favor de um julgamento político.
Debate
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) lamentou as ofensas dirigidas ao relator e à Mesa Diretora durante o debate no Conselho de Ética e relacionou a ocupação física do Plenário a um processo histórico de golpismo. Para ele, o relatório do conselho separa “os golpistas dos democratas”.
Em defesa dos acusados, o deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) comparou o processo a uma tentativa de criminalizar a direita por atos que a esquerda já teria praticado no passado. Gonçalves questionou a escolha de apenas três deputados como “bode expiatório” em meio à participação de mais de 100 deputados nos atos de ocupação.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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