POLÍTICA NACIONAL
Em debate na CCJ, relator prevê criação de fundo de combate ao crime organizado
POLÍTICA NACIONAL
Em audiência pública realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta terça-feira (2), especialistas propuseram alterações no projeto do marco legal do combate ao crime organizado. O novo texto deve prever decisão judicial para gravar conversa entre advogados e investigados, proteger jurados em tribunais do júri e esclarecer termos vagos, defenderam os convidados.
O relator do PL 5.582/2025, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que proporá a criação de um fundo para financiar o combate ao crime organizado, com recursos de um tributo a ser criado sobre as empresas de apostas on-line. A gestão e os recursos do fundo serão compartilhados entre estados e União.
— Este Congresso Nacional vai viabilizar o financiamento necessário, eu não tenho a menor dúvida. Eu venho realizando uma série de reuniões com o Poder Executivo, com os ministros [da Fazenda], Fernando Haddad, [da Justiça e Segurança Pública], Ricardo Lewandowski e [do Planejamento e Orçamento] Simone Tebet, para que a gente tenha consciência de que é preciso uma ação mais contundente — disse Alessandro, que também é relator da CPI do Crime Organizado.
Para o representante da Polícia Federal (PF), Alexandre Luiz Rollo Alves, o novo fundo pode evitar a diminuição de recursos que o substitutivo (texto alternativo) do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) “impôs à Polícia Federal”. Os deputados aprovaram o texto de Derrite em 18 de novembro.
O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Marivaldo de Castro Pereira, afirmou que Derrite destinou recursos que iriam para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da PF (Funapol) para o Fundo Nacional de Segurança Pública, que é partilhado com os estados e com o DF.
— Isso cria um incentivo à não integração [entre as polícias]. Quando se deflagrar a operação, você incentiva que não se faça essa parceria para que não tenham que dividir os recursos [oriundos dos bens do tráfico que forem apreendidos] — disse Pereira.
A proposta, originalmente apresentada pelo Poder Executivo, será votada na CCJ e no Plenário do Senado. Caso seja modificado pelos senadores, o texto volta para a Câmara, que terá a palavra final.
Interpretações conflituosas
Pereira ainda acusou o texto de Derrite de abrir espaço para interpretações conflituosas, o que poderia beneficiar os criminosos ao prolongar a análise dos processos judiciais. O substitutivo pune com penas de 20 a 40 anos diversas condutas praticadas por “organizações criminosas ultraviolentas”, sem especificar as diferenças entre essas e as previstas na Lei das Organizações Criminosas.
A proposta aprovada pela Câmara também pode enquadrar como crimes manifestações legítimas, avaliou Pereira. É o caso da prisão de 12 a 30 anos para aqueles que dificultarem a manutenção da ordem em vias públicas mesmo sem participar de organizações criminosas. Manifestações de caminhoneiros, por exemplo, poderiam ser punidas pelo texto, apontou Pereira.
As novas condenações podem ser desproporcionais, na opinião do representante do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, Bruno Dias Candido.
— A vida é um bem jurídico dos mais valiosos. O homicídio qualificado [tem pena] de 12 a 30 anos. Nós teremos [no projeto] tipos penais para bens juridicamente não tão relevantes com pena de 20 a 40 anos. Pode inclusive gerar o acionamento da Justiça para declaração da inconstitucionalidade.
Fronteiras
O senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que prevenir a entrada de drogas e tratar o vício como questão de saúde pública é mais eficaz do que aumentar a punição e combater a lavagem de dinheiro dos grupos criminosos. Aziz relatou que presenciou um controle de fronteira insuficiente quando foi secretário de Estado de Segurança Pública do Amazonas entre 2001 e 2002.
— Não adianta achar que a polícia vai resolver o problema quando a droga já chegou no bairro, quando já atingiu o jovem que já se viciou. A origem do problema é a entrada de drogas. Quando a polícia diz que apreendeu duas toneladas de drogas, já passaram 100 [toneladas].
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), que já comandou a 2ª Brigada de Infantaria de Selva no Amazonas, reforçou que uma parte relevante do Exército é composta de novos soldados temporários. O Exército tem o desafio de conciliar, nas fronteiras, a defesa do país com a participação em operações contra as drogas.
— Todo ano, o Exército incorpora 70 mil novos soldados, em que a imensa maioria dá baixa ao final do ano e alguns poucos permanecem. Em áreas de fronteira, a gente procura ter efetivos profissionais em uma porcentagem maior do que novos recrutas. Julgo que as Forças Armadas terão que dar uma contribuição maior do que têm dado hoje.
Advogados
O representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Pedro Paulo Guerra de Medeiros classificou como “devassa total” a possibilidade de o juiz autorizar gravação de encontro entre clientes e advogados. A previsão exige suspeitas fundamentadas de conluio entre eles para a prática de crimes relacionados às organizações ou milícias.
Medeiros também questionou a parcialidade dos juízes caso eles possam, por conta própria, determinar diversas medidas contra os investigados. A Constituição autoriza a pedido do Ministério Público, por exemplo. O texto prevê que o juiz pode de ofício, por exemplo:
- bloquear bens móveis e imóveis dos investigados;
- suspender atividades de empresas;
- bloquear provisoriamente o acesso a sistemas financeiros, meios de pagamento, plataformas digitais;
- suspender temporariamente o fornecimento de serviços públicos e privados comprovadamente utilizados para a prática de crimes, tais como serviço de energia;
- afastar pessoas do cargo público.
Tribunal do Júri
Para o presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, Tarcísio José Sousa Bonfim, a proposta erra ao retirar do tribunal do júri o julgamento de homicídios dolosos (praticados intencionalmente). Ele afirmou que o tribunal do júri é eficiente, sendo que 77% dos faccionados acusados de homicídio foram considerados culpados pelo Tribunal de Júri de São Paulo nos últimos seis anos. Para ele, a ênfase deve ser a proteção dos jurados da influência indevida das organizações criminosas.
— Por que não se cria uma lista específica de jurados, com sorteio específico e reservado até o momento da sessão, com possibilidade de alojamento reservado e escolta aos jurados?
Os tribunais de júri são compostos por um juiz e 25 jurados, sorteados entre os cidadãos, dos quais sete formam o Conselho de Sentença em cada sessão de julgamento.
A reunião contou com outros oito convidados, entre representantes de órgãos da segurança pública, do Ministério Público Federal, do Conselho Nacional de Justiça, do Banco Central e da organização não governamental Conectas Direitos Humanos.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto
O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.
O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.
Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco lança projeto que fortalece identidade e pertencimento entre estudantes da rede municipal
-
FAMOSOS6 dias atrásAngélica reflete sobre prioridades e destaca importância do autocuidado na rotina
-
TJ AC7 dias atrásTJAC participa da posse do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher
-
FAMOSOS7 dias atrásCarol Leite mostra álbum de férias em família com Kaká e as filhas na Disney
-
TJ AC7 dias atrásTJAC rejeita revisão criminal e mantém condenação por extorsão mediante sequestro
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásBrasil proíbe produção e venda de ‘foie gras’, feito por alimentação forçada
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásCálculo bovino que vale mais que ouro ganha acesso ao mercado chinês
-
MP AC7 dias atrásAssis Brasil: MPAC acompanha preparativos para o 20º Festival de Praia