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Pacote de Belém reflete avanços parciais; Legislativo marcou presença na COP 30

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Após quase duas semanas de articulação e negociação em torno de uma agenda climática global, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 30) encerrou-se com decisões — Pacote de Belém — que avançam em pontos como adaptação climática, financiamento, gênero, transição justa e reconhecimento dos povos tradicionais. Mas não houve progresso significativo em relação à queima de combusteis fósseis e ao desmatamento, as duas principais causas da elevação da temperatura do planeta.

Maior evento das Nações Unidas, a COP em Belém reuniu representantes de 195 países. Participaram da conferência cerca de 42 mil pessoas, entre representantes de governo, diplomatas, parlamentares, cientistas, ativistas, organizações não governamentais, sociedade civil, setor privado e imprensa.

Legislativos de vários países participaram do evento. Em encontro que teve o senador Humberto Costa (PT-PE) como relator, deputados e senadores do Brasil e de outras nações se comprometeram a enfrentar o desafio de converter os acordos internacionais em leis nacionais, bem como garantir orçamento e outras medidas de adaptação necessários para reduzir o avanço do aquecimento global.

Metas 

Em 2025, ano de atualização das NDCs (contribuições nacionalmente determinadas), 122 países signatários do Acordo de Paris — no qual as nações se comprometeram a limitar o aquecimento global a menos de 2ºC em relação aos níveis industriais, mas com esforços para que o aumento da temperatura não ultrapassasse 1,5ºC — apresentaram suas metas. No documento final da conferência, os países reconhecem que as emissões atuais não representam o que foi acordado em Paris.

A atual NDC do Brasil inclui a redução das emissões de gases de efeito estufa em 53% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050, para atingir a neutralidade climática. 

Para o senador Marcelo Castro (MDB-PI), a definição dessas mas por esses países reafirma um compromisso. Ele afirma que é preciso seguir “trabalhando forte pela preservação ambiental e pela expansão das energias sustentáveis”.

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— Vamos deixar de promessas vãs e vamos para o concreto: o que cada país no mundo tem a contribuir para preservar as florestas tropicais? E Belém simboliza tudo isso. Estamos aqui no centro da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. E é o melhor exemplo que nós poderíamos ter. O Piauí é praticamente 100% de energia limpa, renovável e sustentável. Então o Brasil e o Piauí são exemplos para o mundo de onde devemos caminhar.

Indicadores

Enquanto na mitigação se procura diminuir a consequência das ações humanas sobre o clima (com a redução da emissão de gases de efeito estufa para conter o aquecimento do planeta), na adaptação a preocupação é diminuir as consequências da mudança do clima sobre as vidas.

Na COP 30, foram definidos 59 indicadores para a medição da Meta Global de Adaptação, também instituída no Acordo de Paris. Segundo o documento da conferência, os recursos para a área de adaptação devem triplicar até o ano 2035, mas não foi divulgado qual o real patamar de financiamento em 2025.

Os países em desenvolvimento cobram mais comprometimento e ações mais ambiciosas das nações mais desenvolvidas para deter o avanço das alterações climáticas, principalmente porque há consenso de que as regiões mais pobres e vulneráveis são as mãos severamente afetadas.

Lançado pelo Brasil como um novo modelo de financiamento climático, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi endossado por 63 países. A proposta, para a qual já foram mobilizados mais de US$ 6,7 bilhões, prevê que países que mantiverem dias floretas em pé sejam beneficiados financeiramente. 

Legislativo

Na COP 30, evento organizado pela União Interparlamentar (UIP) em parceria com o Senado e a Câmara dos Deputados apontou que os Legislativos têm importante papel na busca pela redução do avanço da temperatura no planeta. Aperfeiçoar leis, garantir orçamento, trabalhar pelo alcance das NDCs e promover medidas de adaptação são algumas das questões que estão ao alcance dos legisladores.

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O senador Humberto Costa afirmou que o principal desafio para os parlamentares é a conversão de compromissos internacionais em legislações que envolvam a implementação de políticas ambientais consistentes com objetivos de sociedades sustentáveis.

— Seguiremos a passos largos conclamando nossos parlamentos à aceleração da empreitada e do engajamento por ações para o clima, aliados ao progresso e equilíbrio de nossos povos — disse o senador no evento promovido no dia 14 de novembro.

Na avaliação do senador Wellington Fagundes (PL-MT), o Pantanal teve mais importância nesta COP. Ele disse que a legislação ambiental brasileira é uma das mais rigorosas e eficazes do mundo.

— Eu deixei claro lá na COP 30 que Mato Grosso não aceita ser tratado como vilão ambiental, porque quem pouco conhece a realidade de quem produz e preserva não pode querer exigir nada. Em meio ao caos que marcou essa conferência, tomada por discursos desconectados da vida real e também por pressões externas que tentam impor ao Brasil responsabilidades que o mundo não cumpre, o Pantanal ganhou destaque — afirmou.

Para ele, o Pantanal “emergiu como símbolo de resistência” e o Brasil “não precisa pedir licença para produzir”. O senador acrescentou ter mostrado o estado de Mato Grosso como “guardião do Cerrado, da Amazônia e também do Pantanal”.

— Um bioma vivo, protegido com legislação e cuidado por quem realmente entende o que significa estar ali. Mato Grosso não vai aceitar posições como a moratória da soja, que penalizam quem faz certo e ignoram que a produção brasileira já é, por lei, uma das mais sustentáveis do mundo. (…) Mato Grosso não pede caridade, exige reconhecimento, e quem vive, planta, cria e protege o Pantanal merece ser ouvido — completou Wellington Fagundes.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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