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Sessão em homenagem aos 80 anos do CFM destaca novos desafios dos médicos

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Há 80 anos à frente da fiscalização e da normatização do exercício médico no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) foi homenageado nesta quinta-feira (11) em sessão especial do Senado.

Os desafios diante dos avanços tecnológicos, da preocupação com a formação dos futuros profissionais e da proposta de instituição de um exame nacional de proficiência aos recém-formados foram destacados durante a celebração, que reuniu médicos e parlamentares no Plenário.

Presidente da Frente Parlamentar Mista da Medicina, o senador Dr. Hiran (PP-RR), autor do requerimento para a homenagem, salientou que a atuação do conselho é “dedicada à ética, à fiscalização do exercício profissional e, acima de tudo, à saúde do povo brasileiro”. Em todo o Brasil, há aproximadamente 670 mil médicos em atuação. 

— O CFM tem sido uma voz firme, inabalável, da medicina organizada em nosso país. Em um cenário de constantes desafios, sua atuação se mostra fundamental para a defesa intransigente das prerrogativas médicas e da dignidade do exercício profissional — disse o senador, que é médico.

O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, afirmou que o conselho federal e o Congresso são instituições respeitadas e reconhecidas pelo profundo envolvimento na construção de políticas públicas no Brasil.

— São compostos por homens e mulheres com trajetórias marcadas pela defesa da saúde, da vida e da dignidade da população. As duas Casas são legitimadas pelo poder do voto, de seus pares, num exercício amplo de democracia representativa. Em decorrência disso, são espaços plurais que respeitam o debate sobre o assunto que nos mobiliza: a preocupação comum em encontrar soluções que garantam ao nosso povo o acesso à saúde com eficiência e segurança.

Gallo reconheceu que há momentos de tensão, mas lembrou ganhos como a aprovação pelo Congresso da Lei do Ato Médico, que “trouxe mais segurança aos pacientes e clareza sobre os limites de responsabilidade de cada categoria profissional na saúde”.

— A mesma sinergia entre o CFM e o Congresso existiu nos debates sobre a Lei 13.959, de 2019, que institui o Exame Nacional de Revalidação dos Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida). Depois, ainda durante a pandemia do covid-19, o CFM foi fundamental para que o Congresso regulamentasse a prática da telemedicina no Brasil, por meio da Lei 14.510, de 2022 — complementou Gallo.

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Também médico, o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) afirmou que o CFM e os conselhos regionais de medicina (CRMs) exercem um papel fundamental na sociedade brasileira.

— Imagino, com a evolução da saúde digital, com os avanços que se impõem diante de regulações e regulamentações que precisam ter, como deve ser laborioso e difícil o trabalho dos conselhos — disse.

Trad defendeu a proposta de piso salarial dos médicos e dos dentistas e ressaltou os cuidados para que haja a boa formação dos futuros profissionais.

Outro senador médico, Rogério Carvalho (PT-SE), destacou que, ao longo da história do CFM, a autarquia tem tido o papel de garantir o interesse público. Ele defendeu a atuação dos profissionais diante dos desafios das tecnologias e das novas formas de captura do trabalho médico, acrescentando que “nada vai substituir aquilo que está na dimensão humana”.

Exame Nacional de Proficiência

O senador Dr. Hiran afirmou que não há como pensar no futuro da medicina sem abordar a formação dos novos profissionais.

— O CFM tem liderado, com coragem, a luta pelo ensino de excelência, o chamado padrão ouro de formação que prepara os futuros médicos para o desafio de um sistema de saúde complexo. É neste contexto que a proposta do exame nacional de proficiência em medicina se torna crucial. Não é uma medida punitiva, mas sim um compromisso com a sociedade — avaliou.

Segundo o presidente do CFM, pesquisa do Datafolha, a pedido do conselho, aponta que mais de 90% dos médicos brasileiros apoiam a aprovação do Exame Nacional de Medicina, assim como muitos dos estudantes de medicina.

— Com a abertura de 449 escolas de medicina, muitas com falha na infraestrutura, sem corpo docente, a formação em medicina se tornou deficitária, expondo a população a risco e trazendo aumentos dos custos assistenciais do Sistema Único de Saúde — disse Gallo.  

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Autor de um projeto de lei que também propõe a instituição do exame nacional de proficiência em medicina, o deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) afirmou que, se não há como controlar a entrada de novos cursos de Medicina no mercado, é preciso “ter o controle dos que estão se formando”.

Ao representar todos os presidentes dos conselhos regionais de medicina do país, a presidente do CRM de Santa Catarina, Andréa Antunes Caldeira de Andrada Ferreira, afirmou que ao longo de oito décadas, o CFM não se limitou ao cumprimento regulatório. Ela também defendeu a imposição da prova de proficiência médica.

— Nestes 80 anos, a medicina brasileira enfrentou e superou desafios de magnitude ímpar: fomos testemunhas de avanços científicos e tecnológicos sem precedentes. Ao mesmo tempo que nos defrontamos com complexas questões sociais e sanitárias. (…) A regulamentação adequada do exercício profissional é uma construção coletiva que exige engajamento dos representantes do povo brasileiro — afirmou.

Responsabilidade

A ministra da Saúde do governo de Portugal, Ana Paula Martins, enfatizou que a homenagem é mais do que uma celebração pelo reconhecimento dos médicos e médicas que, em cada canto do país, “aliviam o sofrimento, salvam vidas e constroem diariamente um Brasil melhor, mais justos e saudável”.

— Os médicos são anjos sem asas que levam a esperança a cada um de nós. (…) Quem quer ser médico, tem de estar habilitado para o ser — disse a ministra de Portugal, ao lembrar que os privilégios da profissão “são acompanhados de muita responsabilidade”.

A sessão também teve a presença da senadora Dra. Eudócia (PL-AL) e dos deputados Allan Garcês (PP-MA) e Zacharias Calil (União-GO), além de muitos representantes de conselhos e outros órgãos regionais de medicina.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Discussão sobre fim da escala de trabalho 6×1 continua em agosto

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O fim da chamada escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é de que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.

Além de acabar coma escala 6×1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários.

O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões.

O presidente do Senado tem se reunido com os setores interessados no tema para discutir a proposta. No início de julho, a reunião foi com as centrais sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto. Antes, em maio, ele já havia recebido integrantes dos empregadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições.

Agosto

Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6×1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.

—  Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impede que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6×1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.

As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).

— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.

Defesa

Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorra em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.

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— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendeu.

Para Paim, o fim da escala 6×1 fará a produtividade do trabalhador brasileiro aumentar, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produtividade por hora trabalhada.

Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores à dos parlamentares. Ele lembrou que o período de campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.

— Muitos que vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6×1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6×1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.

Eleições

Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Em sessão temática no início de julho, o líder da oposição, senador Rogerio Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral. 

— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.

No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.

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— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, de tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, da competitividade das empresas e da capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.

Outras propostas

Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC vai ter consequências negativas na economia.  Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.

— Defendemos a PEC 12/2026, que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com as suas necessidades. Direitos como férias, décimo terceiro e FGTS seguirão de forma proporcional à jornada acordada — garantiu.

A proposta foi apresentada pelo senador Rogerio Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.

Na Câmara, a PEC 221 era analisada junto com outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que previa uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.

Outro projeto, o PL 1.838/2026, foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garantir ao trabalhador dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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