POLÍTICA
Edvaldo Magalhães denuncia precariedade em escolas rurais e cobra providências do Estado
POLÍTICA
O deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), denunciou, durante sessão desta terça-feira (28), na Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), a situação de precariedade enfrentada por estudantes de comunidades rurais e indígenas ao longo do Rio Gregório. O parlamentar apresentou dois vídeos gravados por moradores da região para ilustrar as condições em que crianças estão estudando, destacando a falta de infraestrutura básica em escolas localizadas tanto na parte alta quanto na parte baixa do rio.
Segundo ele, as imagens mostram uma realidade alarmante. Em uma das escolas, o banheiro utilizado pelos alunos não possui paredes nem cobertura, deixando as crianças sem qualquer privacidade para realizar suas necessidades. O vídeo mostrou ainda as salas de aula deterioradas, com paredes quebradas, estrutura comprometida e até a vegetação invadindo o interior do prédio. Em alguns casos, os estudantes precisam ter aulas em espaços improvisados, como varandas, enquanto uma das turmas permanece sem professor.
Edvaldo Magalhães destacou que as duas situações apresentadas ocorrem no mesmo rio: na parte superior vivem comunidades indígenas, como a aldeia Nova Esperança do povo Yawanawá, enquanto na parte inferior residem famílias extrativistas da Floresta Pública do Baixo Gregório. Para ele, o fato de as duas localidades apresentarem problemas semelhantes demonstra que o abandono do ensino rural não é um caso isolado.
O parlamentar também criticou a condução de contratos para reformas em escolas rurais. Ele lembrou que, há cerca de dois anos, denunciou na tribuna um contrato milionário da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) firmado por meio de adesão a ata, conhecida como “carona”, com uma empresa do Maranhão, no valor de aproximadamente R$ 25 milhões. À época, segundo ele, o argumento apresentado foi a urgência para realizar reformas e garantir o início do ano letivo.
No entanto, de acordo com o deputado, a realidade nas comunidades mostra que as melhorias prometidas não chegaram às escolas mais isoladas. Ele afirmou que, onde houve avanços, foi por meio de convênios entre o Estado e prefeituras, que executaram diretamente as reformas. Para Edvaldo, esse modelo tende a ser mais eficiente, já que os municípios estão mais próximos das comunidades e conseguem dar respostas mais rápidas às demandas locais.
O parlamentar alertou que a falta de investimentos adequados na educação rural compromete o futuro de uma geração inteira de estudantes, que acabam concluindo o ano letivo sem as condições mínimas de aprendizagem e enfrentam desvantagens quando precisam disputar oportunidades educacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No grande expediente, Edvaldo Magalhães manifestou solidariedade ao pronunciamento da deputada Antônia Sales e destacou a sensibilidade da parlamentar ao tratar de temas que considera importantes. Em seguida, compartilhou a experiência de acompanhar a ex-deputada Perpétua Almeida em uma agenda de entrega de emendas destinadas à Secretaria de Estado de Agricultura do Acre, que resultou na distribuição de 182 barcos motorizados a comunidades ribeirinhas.
Segundo ele, as embarcações, construídas com material reforçado e equipadas com motores de grande potência, representam um avanço para o transporte da produção e para a integração das comunidades da agricultura familiar, garantindo mais autonomia aos produtores e facilitando tanto a comercialização quanto a mobilidade entre as localidades.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Foto: Sérgio Vale
Fonte: Assembleia Legislativa do AC
POLÍTICA
Aleac realiza sessão solene em homenagem às quadrilhas juninas do Acre

A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) realizou na manhã desta quinta-feira (11), uma sessão solene em homenagem às quadrilhas juninas do estado. A solenidade aconteceu no Plenário do Poder Legislativo Acreano e foi proposta por meio do Requerimento nº 10/2026, de autoria do deputado Pedro Longo (MDB). A iniciativa teve o objetivo de reconhecer a importância cultural, social e artística das quadrilhas juninas, que mantêm viva uma das mais tradicionais manifestações populares do Acre.
O evento reuniu representantes dos grupos juninos, autoridades e convidados, em um momento de valorização da cultura popular e de reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos brincantes, coreógrafos, músicos e demais integrantes das quadrilhas, responsáveis por preservar e fortalecer as tradições juninas no estado.

Ao abrir a solenidade, o vice-presidente da Casa, deputado Pedro Longo, destacou a importância de ampliar o reconhecimento prestado pelo Parlamento às manifestações populares e culturais. Segundo ele, além das homenagens tradicionalmente destinadas a representantes dos poderes e instituições, é fundamental valorizar aqueles que contribuem para a construção da vida social e cultural do estado. “Queremos que a Assembleia seja, de fato, a Casa do Povo, e para isso o povo precisa estar presente e ter visibilidade”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que o movimento junino vai muito além das apresentações realizadas no mês de junho. Ele enfatizou o trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano pelas quadrilhas, envolvendo ensaios, arrecadações e a dedicação de dezenas de pessoas para manter viva uma das mais importantes tradições populares do Acre. Destacou ainda que esta é a primeira sessão solene em homenagem às quadrilhas juninas, mas manifestou o desejo de incluir a celebração no calendário permanente de atividades da Aleac, fortalecendo o reconhecimento institucional à cultura junina acreana.

Representando as quadrilhas juninas do Acre, Ellen Hanashara, coordenadora e rainha da companhia junina Sassaricando na Roça, agradeceu a iniciativa da Aleac e destacou a importância do reconhecimento aos quadrilheiros. Emocionada, ela ressaltou os desafios enfrentados pelo movimento cultural diante da escassez de apoio, mas enfatizou o papel transformador das quadrilhas na vida de centenas de pessoas. Segundo ela, a cultura junina vai além do entretenimento, promovendo inclusão, fortalecendo vínculos e contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus integrantes. “Quadrilha junina é amor, é entrega, é vida”, afirmou, ao agradecer, em nome de todos os quadrilheiros, a homenagem prestada pelo Parlamento acreano.

Em seguida, Adelcimar dos Santos, vice-presidente do Conselho Estadual de Cultura, destacou a força e a relevância das quadrilhas juninas para a sociedade acreana. Citando dados de uma pesquisa nacional sobre hábitos culturais, ele frisou que a cultura junina figura entre as manifestações de maior interesse popular, evidenciando o reconhecimento conquistado pelos grupos que atuam nas comunidades. Adelcimar também enalteceu as iniciativas do deputado Pedro Longo em defesa do segmento, como a criação do Dia Estadual do Quadrilheiro, celebrado em 1º de junho, e afirmou que o Conselho Estadual de Cultura reconhece as quadrilhas juninas como a maior manifestação cultural do Acre. “Aproveito essa importante ocasião para também reafirmar o compromisso do órgão em manter diálogo permanente com os fazedores de cultura e em fortalecer as políticas públicas voltadas ao setor”, disse.

Já o diretor de eventos da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), Júnior Chaves, reafirmou o compromisso do Governo do Estado com o fortalecimento do movimento junino e destacou os esforços realizados para garantir a realização do Arraial Cultural 2026. Ao agradecer o empenho dos quadrilheiros, ele ressaltou as dificuldades enfrentadas pelos grupos para manter viva a tradição e enfatizou que são eles os verdadeiros protagonistas da maior festa popular do Acre. Júnior Chaves também reconheceu o trabalho desenvolvido pela Fundação de Cultura ao longo dos últimos anos e assegurou que a instituição continuará de portas abertas para apoiar os fazedores de cultura. “A cultura tem salvado vidas, e o Arraial Cultural só existe porque vocês fazem acontecer. Se os quadrilheiros não estiverem lá, não existe público”, afirmou.

Movimento que transforma vidas
Presidente da Liga das Quadrilhas Juninas do Estado do Acre, Aurimar Fideles Aragão agradeceu ao deputado Pedro Longo pela realização da homenagem e destacou a trajetória histórica do movimento junino, profundamente ligado às tradições nordestinas e às comunidades católicas, além de seu papel social nas periferias do estado. Segundo ele, as quadrilhas desenvolvem um trabalho fundamental de inclusão e proteção da juventude, ajudando a combater problemas como a drogadição, o alcoolismo e a depressão. “A quadrilha consegue fazer transformação. Muitas pessoas encontram nela uma família, um espaço de convivência e de esperança”, afirmou.
Desafios e valorização da cultura local
Aurimar também chamou atenção para os desafios enfrentados pelos grupos para colocar os espetáculos nas ruas, ressaltando que grande parte dos recursos utilizados na produção das apresentações é obtida por meio de rifas, bingos, arraiais e contribuições dos próprios coordenadores e brincantes. O dirigente defendeu maior valorização dos artistas e grupos locais e destacou que as quadrilhas acreanas têm conquistado o carinho do público e mantido viva uma das mais importantes manifestações culturais do estado. “O São João é feito de parceria e de desafios. Todo ano fica mais caro, mas seguimos firmes porque essa é uma luta gratificante. Precisamos de apoio para continuar transformando vidas por meio da cultura”, concluiu.

Reconhecimento e compromisso com a cultura acreana
Ao encerrar a sessão solene, o deputado Pedro Longo agradeceu a participação dos representantes do movimento junino e reafirmou o compromisso de continuar defendendo e ampliando o reconhecimento às quadrilhas acreanas. O parlamentar destacou que a valorização da cultura local deve ser prioridade do poder público e defendeu investimentos cada vez maiores nas manifestações populares do estado. Pedro Longo também anunciou que pretende levar a homenagem às quadrilhas juninas para Brasília em 2027 e assegurou que continuará buscando recursos e apoio institucional para fortalecer o segmento. “Todos gostamos dos grandes shows, mas precisamos começar valorizando aquilo que é nosso, aquilo que é comunitário e que faz parte da identidade do povo acreano”, afirmou.
Texto: Mircléia Magalhães/Agência Aleac
Fotos: Sérgio Vale


















Fonte: Assembleia Legislativa do AC
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