Política
Lula precisa equilibrar técnica e política na equipe de transição, dizem especialistas
Pela lei, a indicação do assessor administrativo “recairá, preferencialmente, sobre servidor ou servidora federal, com experiência em gestão administrativa, que tenha acesso aos sistemas da administração federal”.
POLÍTICA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O gabinete de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conta com 31 grupos, somando 320 pessoas entre políticos e técnicos das mais diversas áreas. Para especialistas em gestão pública, é necessário que haja um equilíbrio entre o técnico e o político nesse modelo.
“Justapõe a técnica com a política. A política é fundamental e, comparada com a transição de 2002, ela é mais importante [neste momento]. A gente saiu de uma eleição polarizada, e não está muito clara ainda a montagem do próprio governo de coalizão em termos de um arranjo de governabilidade”, diz o professor Fernando de Souza Coelho, do curso de gestão de políticas públicas da USP.
Dentro desse escopo do processo de transição existe também o papel do servidor público. Pela lei, a indicação do assessor administrativo “recairá, preferencialmente, sobre servidor ou servidora federal, com experiência em gestão administrativa, que tenha acesso aos sistemas da administração federal”.
“Ele [servidor] integra a estrutura permanente do Estado, não compõe um governo ou outro, e tem o compromisso com os valores constitucionais, as leis que regem a administração pública, inclusive com aquelas políticas públicas normativamente definidas e estruturadas”, diz Murilo Gaspardo, professor assistente do departamento de direito público da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
“No momento de mudança de governo, seja municipal, estadual ou federal, o primeiro compromisso do servidor público é garantir a continuidade do funcionamento da administração pública”, afirma o professor.
Gaspardo também entende que cada projeto que sai vitorioso das urnas tem uma determinada visão de Estado, uma concepção de política de educação, de cultura, de ciência e tecnologia, de assistência social. Então é natural que as forças políticas participem desse processo.
“Há um movimento de mão dupla. A construção das políticas públicas do governo que se inicia, apesar das diretrizes serem predefinidas pelo debate político, se alimenta de informações técnicas que vão formular as diretrizes gerais do novo governo. Essas diretrizes vão ganhar forma técnica e jurídica para serem concretizadas. O processo é híbrido.”
Maria Tereza Fonseca Dias, professora associada do departamento de direito público da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), segue a mesma linha.
“Eles [servidores] vão municiar o gestor com dados de ordem técnica para decisões de ordem política. Não tem como separar isso. É como no governo em geral. Tem cargos de livre nomeação e exoneração e que pode prover com pessoas com perfil técnico como também com perfil político.”
A professora explica que as pessoas que foram convidadas a fazer parte da equipe de transição também são consideradas agentes públicos, pois elas têm um vínculo com a União, ainda que em caráter transitório.
“Como a escolha é de livre nomeação e exoneração do novo mandatário, o que vai acontecer é que ela pode ser orientada tanto por questões de caráter técnico como de caráter político. Vai ter ordens técnicas que precisam orientar tomadas de decisão, e ao mesmo tempo é preciso ter agentes que vão auxiliar o presidente e o vice a tomarem decisões políticas”, diz Maria Tereza.
De todos os mais de 300 escolhidos para compor a equipe de transição, a lei determina que somente 50 serão nomeados em cargo comissionado. Os demais vão atuar como colaboradores, como voluntários, sem receber salário.
O professor Fernando Coelho atribui o grande número de pessoas dentro da equipe à frente ampla criada pelo agrupamento político da chapa de Lula, a vencedora das eleições.
“Ninguém imaginava que ela [equipe] seria tão ampla. Essa amplitude de diversidade tem uma simbologia, de ser representativa dessa frente, mas ela também tem um caráter de montar equipes multidisciplinares, ou com pessoas representantes de diversos movimentos em prol da montagem de um plano de governo que a gente não teve o detalhamento.”
Outro ponto destacado pelos professores especialistas é a responsabilidade do servidor dentro de todo o processo de transição. Tanto os que são permanentes quanto os que são transitórios, a legislação prevê um conjunto de responsabilidades.
“Eles têm a obrigação de fornecer à coordenação de transição do novo governo as informações corretas e verdadeiras que se fizerem necessárias. Podem ser responsabilizados tanto na esfera administrativa quanto na esfera judicial se dolosamente sonegarem informações ou mesmo transmitirem informações sabidamente falsas”, diz Gaspardo.
“A lei é uma garantia de que a transição vai ocorrer conforme está previsto. Já acompanhei caso em que um prefeito eleito precisou chamar um chaveiro para entrar na prefeitura porque o mandatário não foi transmitir o cargo, não aceitou. Para ver que nível pode chagar a ausência de um procedimento”, diz Maria Tereza.
POLÍTICA
Aleac inova e aprova jornada especial de trabalho para servidores com deficiência
A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) aprovou a Lei nº 4.820, que institui o novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos servidores da casa e representa um marco histórico para a inclusão no serviço público estadual. De forma pioneira, a nova legislação garante o direito à jornada de trabalho especial diretamente ao servidor com deficiência (PCD), um avanço significativo em relação às normas anteriores.
Até então, a legislação estadual, como as Leis nº 3.351/2017 e nº 3.406/2018, concedia o benefício do horário especial apenas a servidores que fossem pais, mães ou responsáveis legais por pessoas com deficiência. A nova lei, aprovada sob a gestão do presidente da ALEAC, deputado Nicolau Júnior, amplia esse direito, assegurando que o próprio servidor com deficiência possa ter sua jornada reduzida.
O texto da nova lei é claro ao estabelecer o benefício. O § 3º do dispositivo legal afirma: “Será concedido horário especial ao servidor com deficiência ou com necessidade de saúde permanente devidamente comprovada por junta médica oficial, com redução de duas horas diárias na jornada de trabalho, independentemente de compensação de horário”.
Além de beneficiar diretamente o servidor PCD, a lei também estende o direito àqueles que cuidam de seus familiares, conforme o § 4º: “O disposto no § 3º aplica-se igualmente ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência ou necessidade de saúde permanente, desde que comprovada a necessidade de acompanhamento pelo servidor, mediante avaliação de junta médica oficial”.
A medida é vista como uma das principais conquistas do novo PCCR e posiciona o Legislativo acreano como vanguarda na promoção de políticas de inclusão e valorização de seus quadros.
Para o presidente da Aleac, deputado Nicolau Júnior (PP), a aprovação da lei reflete o compromisso do parlamento com a equidade e o respeito. “A aprovação deste projeto é um reflexo do compromisso da Assembleia Legislativa com a justiça social e a inclusão. Mais do que um ajuste na lei, é um ato de reconhecimento e valorização do servidor com deficiência, garantindo-lhe dignidade e melhores condições de trabalho. O parlamento acreano demonstra, mais uma vez, que está atento às necessidades de todos e na vanguarda da modernização das relações de trabalho no serviço público”, declarou.
A aprovação da Lei nº 4.820 reforça o caráter institucional da medida, focada no fortalecimento do serviço público e na garantia de direitos, representando um legado de avanço social e administrativo para o Estado do Acre.
Texto: Andressa Oliveira
Fonte: Assembleia Legislativa do AC
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