TJ AC
Consepre encerra com avanços em modernização, integração e fortalecimento da Justiça Estadual
TJ AC
Presidentes dos tribunais aprovam a Carta de Fortaleza, reforçam apoio ao STF e ao CNJ e consolidam encaminhamentos sobre precatórios, comunicação integrada e gestão eficiente
No segundo e último dia do XIX Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), em Fortaleza, a pauta avançou do diagnóstico para a construção de soluções concretas voltadas a um Judiciário mais moderno, integrado e eficiente.
O encontro ganhou ainda mais relevância com a participação do presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, que reforçaram a importância da cooperação entre as instâncias do Judiciário brasileiro. Os presidentes das Cortes estaduais intensificaram os debates estratégicos, reafirmando o compromisso com a inovação, a responsabilidade fiscal e o fortalecimento institucional.

Os painéis técnicos concentraram-se em dois eixos centrais: o Fundo de Modernização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os desafios da gestão de precatórios. À frente do Fórum Nacional de Precatórios (Fonaprec), o conselheiro Ulisses Rabaneda conduziu o debate sobre perspectivas e entraves enfrentados pelos tribunais, defendendo maior integração entre as Cortes como caminho para superar dificuldades comuns.
Entre os avanços anunciados está a criação de um repositório nacional de pareceres técnicos, ferramenta que permitirá aos tribunais, entes públicos e jurisdicionados acompanhar os entendimentos do Comitê Nacional de Precatórios e consultar, com mais agilidade, a jurisprudência do Plenário do CNJ. Também foi apresentado o Sistema de Precatórios e Requisições de Pequeno Valor (SisPreq), plataforma digital que unifica, padroniza e confere mais transparência à tramitação de precatórios e RPVs em todo o país.
Os debates foram mediados pelo presidente do Consepre e do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, e contaram com a participação dos conselheiros do CNJ Silvio Roberto Amorim Junior, Daiane Nogueira Lira e João Paulo Shoucair. Paralelamente, juízes e juízas auxiliares das Presidências também se reuniram para discutir temas estratégicos da magistratura, ampliando o alinhamento institucional.


Comunicação em rede e diretrizes nacionais
Enquanto os presidentes avançavam nas pautas estruturais, gestores de comunicação dos tribunais estaduais reuniram-se por meio da Rede de Comunicação da Justiça Estadual (RedeCom). O grupo consolidou encaminhamentos para fortalecer a atuação integrada, padronizar fluxos e aprimorar estratégias voltadas a uma comunicação pública mais simples, acessível e centrada no cidadão.
Como principal deliberação, foi revisada a minuta de resolução que institui a Política de Comunicação Social do Judiciário estadual, inspirada na Resolução nº 640/2025 do CNJ. Construído de forma colaborativa, o texto deverá ter versão final apresentada na próxima edição do Consepre, estabelecendo diretrizes e boas práticas para todo o país. Também foram definidos o planejamento de pautas para 2026, o calendário de campanhas integradas e contribuições ao Conselho de Comunicação do CNJ.


Finanças, sustentabilidade e padronização
A programação incluiu ainda o II Encontro dos Gestores de Finanças da Justiça Estadual, realizado na Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (Esmec). Representantes de todo o Brasil debateram eficiência administrativa, sustentabilidade e padronização de procedimentos, com destaque para aspectos operacionais dos repasses ao Fundo de Modernização do CNJ e para o compartilhamento de boas práticas.
O eixo comum do segundo dia foi claro: integração, inovação tecnológica e gestão eficiente como bases para uma Justiça mais ágil, transparente e conectada às demandas da sociedade.





Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento
Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança
Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.
O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.
Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução
Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.
Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão.
No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.



Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.
Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.
Inúmeros serviços
Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.
A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.
Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).








Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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