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Judiciário acreano participa de atividades do curso de formação da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar

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Evento promovido pela Senasp integrou visita institucional ao Fórum Criminal e roda de conversa interinstitucional com representantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) participou, na última semana, das atividades do Curso de Formação da Patrulha Maria da Penha, promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em parceria com a Polícia Militar do Acre (PMAC). O curso teve como objetivo capacitar patrulheiros e demais policiais militares para atuação especializada e humanizada nos casos de violência doméstica e familiar.

No turno da manhã, duas turmas do curso — compostas por patrulheiros da Maria da Penha e policiais militares de outras áreas — realizaram uma visita institucional ao Fórum Criminal da Cidade da Justiça, em Rio Branco. As turmas foram recebidas pela juíza substituta da 2ª Vara de Proteção à Mulher, Natália Guerreiro, que apresentou a estrutura e o funcionamento da unidade judicial.

Durante a visita, a magistrada explicou o fluxo de trabalho da vara, apresentou os servidores e conduziu os participantes pelos principais espaços de atendimento, como a sala de audiências e a sala da equipe técnica multidisciplinar, composta por psicólogas e assistentes sociais responsáveis pelos atendimentos às vítimas e aos autores de violência doméstica.

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Na visita à equipe técnica, foram debatidos temas relevantes à proteção das mulheres em situação de risco, como o funcionamento do Botão do Pânico e o Aplicativo Mulher Segura, ferramenta já utilizada na capital acreana. Também foi discutida a necessidade de ampliar a aplicação do aplicativo às comarcas do interior, de modo a garantir maior capilaridade e agilidade no atendimento às vítimas.

“A integração entre o Judiciário e as forças de segurança é essencial para o fortalecimento da rede de proteção e para o atendimento mais humanizado às mulheres em situação de violência. Esse diálogo institucional contribui para um trabalho mais eficiente e sensível em todas as etapas do processo”, destacou a juíza Natália Guerreiro.

As atividades prosseguiram com uma roda de conversa realizada no Centro Integrado de Ensino e Pesquisa em Segurança Pública (Cieps), que contou com a presença de diversas autoridades e representantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza Natália Guerreiro; a tenente-coronel Cristiane Soares, chefe da Patrulha Maria da Penha do Acre; a promotora de Justiça Dulce Helena de Freitas Franco, da 1ª Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco; a defensora pública Rivana Ricarte, da 2ª Vara de Proteção à Mulher; a coordenadora administrativa do Observatório de Gênero do Ministério Público do Acre (MPAC), Otília Marinho de Amorim Neta; a secretária de Estado da Mulher do Acre, Márdhia El-Shawwa; e uma representante da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).

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Foram discutidos temas como a atuação articulada entre as instituições do sistema de justiça e segurança pública, o atendimento humanizado às vítimas, a efetivação das medidas protetivas e o acompanhamento dos autores de violência doméstica. O diálogo reforçou a importância da formação continuada dos agentes públicos e da integração da rede de proteção, com vistas à garantia de uma resposta mais célere e eficaz nos casos de violência doméstica e familiar.

O curso integra as ações da Polícia Militar do Acre, com apoio da Senasp, e busca fortalecer a atuação da Patrulha Maria da Penha, unidade especializada no acompanhamento e proteção de mulheres com medidas protetivas de urgência. A iniciativa promove a capacitação dos profissionais que atuam diretamente na aplicação da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), em cooperação com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Civil e órgãos governamentais de políticas públicas para mulheres.

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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“Agora quero estudar”, diz indígena de 19 anos ao conseguir o registro de nascimento tardio no PopRuaJud

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A sentença foi proferida ainda nesta terça-feira. Com a decisão, o cartório será oficialmente comunicado para realizar o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel

Manoel Biló, 19 anos, da etnia Kaxinawa, foi uma das centenas de pessoas atendidas nesta terça-feira, 25, na Escola Municipal Maria Aucilene Calixto, em Tarauacá, durante o PopRuaJud, realizado pelo Poder Judiciário do Acre. A iniciativa, que começou na segunda-feira, 24, reúne instituições do sistema de Justiça, órgãos públicos e entidades parceiras para ampliar o acesso a serviços públicos por pessoas em situação de rua e outras populações em condição de vulnerabilidade, incluindo comunidades indígenas.

Acompanhado do pai, Elemar Biló Kaxinawa, Manoel procurou inicialmente a Defensoria Pública para buscar uma solução para a ausência do registro de nascimento. Nascido em 2007, ele viveu durante anos em uma comunidade indígena no Jordão e, há cerca de dois anos, passou a morar em Tarauacá. Sem registro civil, enfrentava dificuldades para acessar serviços básicos, especialmente educação e saúde. Até então, seu único documento era uma Certidão de Batismo.

Em parceria com a Defensoria Pública e o Ministério Público, foi ajuizada a ação perante ao Juízo da Comarca de Tarauacá e uma audiência foi realizada na própria escola para a resolutividade da problemática do indígena. O juiz de Direito da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli, ouviu Manoel e o pai, analisou a documentação apresentada e constatou que, de fato, não havia registro civil de nascimento do jovem.

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“Realizamos a audiência, ouvimos o jovem Manoel e seu pai, o senhor Elemar, analisamos a documentação apresentada e constatamos que, de fato, não havia registro de nascimento desde 2007, ano em que ele nasceu. Conseguimos proferir a sentença determinando a expedição do registro de nascimento. Posteriormente, será encaminhado o ofício ao cartório para que seja emitida a certidão de nascimento, garantindo a ele, finalmente, o acesso à documentação e aos seus direitos como cidadão”, disse o juiz de Direito da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli.

A sentença foi proferida ainda nesta terça-feira. Com a decisão, o cartório será oficialmente comunicado para realizar o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel.

“Agora quero estudar”

A história de Manoel Kaxinawa é marcada por desafios desde a infância. Ele perdeu a mãe quando tinha apenas quatro anos. Na época, a família vivia na Aldeia Flor da Floresta, no município de Jordão.

Hoje, mora em Tarauacá com o pai, a madrasta e três irmãos. Ainda encontra dificuldades para ler e escrever e se comunica em português com limitações. A falta de documentação, porém, sempre foi uma das principais barreiras para que pudesse frequentar a escola.

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Foi o pai quem soube do PopRuaJud por meio de vizinhos e decidiu levar o filho ao mutirão. A expectativa agora é que, com a certidão de nascimento, Manoel possa finalmente ter acesso à educação e a outros direitos básicos.

“Nunca conseguiu estudar, pois sem a certidão de nascimento não aceitavam nas escolas. Agora as coisas devem melhorar. O juiz disse que daqui a algumas semanas já podemos pegar a certidão no cartório. Estamos muito felizes”, contou Elemar.

Após a audiência, a equipe de Comunicação do Tribunal de Justiça foi até a casa da família, no bairro da Praia, para registrar a história. Para chegar à residência, é preciso percorrer cerca de 30 metros por uma passarela de madeira, devido às condições da região e aos períodos de cheia.

Manoel falou pouco. Mas, quando perguntado sobre o que pretende fazer quando finalmente estiver com a certidão de nascimento nas mãos, não hesitou. “Agora quero estudar.”

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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