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Resgate das tradições e respeito às mulheres foram os destaques no segundo círculo de Justiça Restaurativa com o povo Jaminawa

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Ação teve objetivo de promover a cultura de paz nas famílias e conscientizar povos indígenas sobre a necessidade de respeitar e proteger às mulheres, crianças e adolescentes

Em uma clareira aberta no meio da floresta Amazônica, na Terra Indígena Mamoadate, na aldeia Betel, dentro de uma cabana no topo da colina, com uma vista incrível do Rio Iaco, homens e mulheres da etnia Jaminawa participaram do segundo círculo de construção de paz da Justiça Restaurativa, realizado pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), na quarta-feira, 19. O objetivo foi estimular diálogo sobre respeito, solução de conflitos de forma pacífica e o regaste das tradições e saberes do povo.

O facilitador Fredson Pinheiro, do Centro de Justiça Restaurativa (Cejures) do TJAC, iniciou a atividade. Ao longo da manhã, Fredson fez perguntas para as pessoas presentes, sobre o que é ser uma pessoa de bem, como conflitos afetam as famílias e a comunidade ao redor. Ele explicou o que é essa forma de promover justiça, com práticas restaurativas, que é baseada nas tradições dos povos originários.

“Essa forma de resolução de conflitos, a Justiça Restaurativa, se baseia no modo de fazer justiça dos povos indígenas, dos povos tradicionais. Conversar em círculo para chegar a uma solução, ouvindo quem sofreu, quem fez algo, ouvindo a comunidade afetada pelo problema. Que vocês resgatem essa cultura de vocês, as tradições, a força de cada povo. Esse círculo que montamos no chão tem elementos da cultura indígena, da cultura de vocês, para mostrar nosso respeito ao povo de vocês”, disse Pinheiro.

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A conversa teve a participação de várias indígenas, que expuseram suas angústias e anseios em relação à comunidade. José Paulo Jaminawa ressaltou que a identidade indígena deve ser recuperada e reconheceu que conflitos e violência devem ser evitados. “Tudo isso afeta nossa casa, nossa família, nossa vida. Hoje em dia estamos esquecendo nossos antigos. Precisamos melhorar.”

O servidor da Funai, Edilson Nogueira, discorreu sobre o respeito dentro de casa e às mulheres. Edilson lembrou que é essencial construir caminhos de diálogos para solucionar conflitos e transformar as mentalidades. “O diálogo é para construir, melhorar nossa opinião, melhorar nosso jeito. Para gente falar as coisas para nossas esposas, é bom que pensemos duas vezes. Nós viemos de uma mulher, precisamos respeitar a mulher. As coisas devem caminhar na harmonia”.

Leis e dúvidas

Na parte da tarde, foi realizada uma conversa sobre leis que envolvem e protegem crianças, adolescentes e mulheres, especialmente a Lei Maria da Penha. A servidora Mirlene Taumaturgo falou sobre os principais pontos da norma, tais como: os tipos de violência e a necessidade de proteção às mulheres, assim como discorreu sobre a responsabilidade dos homens de dividirem os trabalhos domésticos e a criação dos filhos.

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No diálogo, as agressões verbais — ofendendo o corpo e o jeito da mulher — e formas de violência patrimonial foram os pontos destacados pelas participantes. Natércia Jaminawa foi enfática ao dar exemplos de casos: “É ruim quando ele pega o salário maternidade e quer gastar comprando motor, pegar o cartão da mulher vai para cidade e gasta com menina nova, arrumadinha, toda pintada e deixa a gente sem nada. Os homens quando bebe dentro da aldeia, é violento”, disse a indígena.

Ao final da conversa outros assuntos sensíveis foram destacados pelas pessoas presentes, como o problema do alcoolismo, invasão dos territórios por não indígenas, abuso de crianças e adolescentes, gravidez na adolescência e acesso ao benefício de salário maternidade.

Fotos: Emanuelly Falqueto/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Câmara Criminal do TJAC leva sessão para Brasiléia e reforça integração com o Judiciário boliviano

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Sessão itinerante realizada em Brasiléia julgou 11 processos e reuniu autoridades, profissionais do direito, servidores e representantes do Tribunal Departamental de Justiça de Pando, na Bolívia

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou nesta quinta-feira, 20, no Fórum Doutor Evaldo Abreu de Oliveira, em Brasiléia, a 4ª Sessão Itinerante da Câmara Criminal de 2026. A iniciativa levou para o Alto Acre uma das atividades do segundo grau de jurisdição, aproximando desembargadores, instituições do sistema de Justiça, profissionais do direito e a população da realidade e do funcionamento do Tribunal.

A sessão foi conduzida presencialmente pelo presidente da Câmara Criminal, desembargador Francisco Djalma, e contou com a participação da desembargadora Denise Bonfim. O decano da Corte, desembargador Samoel Evangelista, acompanhou os trabalhos por videoconferência.

Ao todo, foram apreciadas 11 ações, sendo sete Apelações e quatro Habeas Corpus, originários de processos da Comarca de Brasiléia. A sessão também foi transmitida em tempo real pelo canal oficial do TJAC no YouTube, permitindo o acompanhamento dos julgamentos por pessoas que não estavam presentes no fórum.

A realização da sessão fora da sede do Tribunal faz parte da política de interiorização do segundo grau de jurisdição. A proposta é mostrar, de maneira concreta, que o acesso à Justiça não se limita às portas dos fóruns e das unidades judiciais, mas também envolve levar as instituições e seus integrantes para mais perto das comunidades.

Justiça mais próxima da população

Para o presidente da Câmara Criminal, desembargador Francisco Djalma, a itinerância tem importância tanto para a população quanto para a integração entre as instituições que compõem o sistema de Justiça.

“É fundamental essa vinda do Tribunal de Justiça, em especial da Câmara Criminal, para realizar essas sessões no interior. Elas aproximam o Tribunal e as demais instituições, Defensoria Pública, Ministério Público, do jurisdicionado, e isso é de fundamental importância. E ainda possibilitam que a população tenha conhecimento de como trabalha o segundo grau de jurisdição.”

A desembargadora Denise Bonfim destacou que a iniciativa permite ao cidadão conhecer uma estrutura do Judiciário que, muitas vezes, está distante fisicamente de sua realidade.

“É um serviço que o Tribunal de Justiça do Estado do Acre promove ao jurisdicionado, de trazer a Câmara Criminal ao interior. É um modo de o jurisdicionado saber como trabalha o segundo grau do Poder Judiciário. Todo mundo lembra da figura do juiz, mas os desembargadores estão no segundo grau. Então, é uma oportunidade que o Tribunal está tendo de mostrar à população como funciona o segundo grau, essa instância superior do Tribunal de Justiça.”

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A magistrada também ressaltou que a passagem da Câmara Criminal pelo Alto Acre ganhou um significado especial pela presença de integrantes do Judiciário boliviano, fortalecendo a aproximação entre as instituições dos dois países.

Integração além da fronteira

A sessão em Brasiléia também foi marcada pela presença de representantes do Tribunal Departamental de Justiça de Pando, na Bolívia. A participação integra uma agenda institucional de aproximação entre os Judiciários brasileiro e boliviano, especialmente relevante para uma região marcada pela intensa circulação de pessoas, atividades econômicas e relações sociais entre os dois países.

O presidente do Tribunal Departamental de Justiça de Pando, juiz Alex Eddy Zeballos, participou da solenidade e destacou a importância da oportunidade de conhecer o funcionamento da Justiça brasileira e compartilhar experiências.

Segundo ele, o encontro representa um momento de integração entre as duas instituições e permite a troca de conhecimentos sobre os procedimentos adotados nos respectivos sistemas de Justiça. O magistrado lembrou ainda que esta é a segunda vez que participa de uma agenda institucional do TJAC no Acre, destacando a satisfação em retornar ao estado.

A desembargadora Denise Bonfim também enfatizou a importância da presença dos representantes bolivianos.

“É um momento de integração fronteiriça. O pessoal de Pando está aqui. Temos convidados da Justiça da nossa vizinha Bolívia e é um momento de interação entre as duas Justiças, a Justiça brasileira e a Justiça da Bolívia.”

Advogados do interior mais próximos

Representando a advocacia, a presidente da Subseção Alto Acre da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AC), Giseli Mazzali, destacou que a realização da sessão itinerante também proporciona aos profissionais que atuam no interior uma aproximação presencial com o Tribunal.

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“É um momento de proximidade de todo o Poder Judiciário, de todos aqueles que compõem o sistema de Justiça. É um momento de alegria e também de oportunizar aos advogados do interior o mesmo contato físico e presencial que os advogados da capital têm rotineiramente. Para nós é um momento ímpar, de estreitar laços com o Poder Judiciário, e quem ganha com isso é o jurisdicionado.”

Servidores são parte essencial da Justiça

Durante a participação por videoconferência, o desembargador Samoel Evangelista também fez questão de destacar o papel dos servidores que atuam nas comarcas do interior.

O decano lembrou sua relação profissional com a região e ressaltou que os servidores são fundamentais para que o Judiciário consiga desenvolver suas atividades. Para ele, a interiorização permite aos integrantes do Tribunal conhecerem mais de perto a realidade das comarcas e daqueles que diariamente contribuem para o funcionamento da Justiça.

A sessão reuniu autoridades e representantes de diferentes instituições. Além dos integrantes da Câmara Criminal e do Judiciário acreano, estiveram presentes o juiz de direito Robson Medeiros, diretor do Foro da Comarca de Brasiléia; o procurador de Justiça Almir Branco, representando o Ministério Público do Estado do Acre; e o defensor público Gilberto Jorge. Também participaram o presidente da Câmara Municipal de Brasiléia, vereador Marquinhos Tibúrcio, além de representantes das forças de segurança e instituições públicas do Acre.

A delegação do Tribunal Departamental de Justiça de Pando contou, entre outros, com o presidente Alex Eddy Zeballos e integrantes das áreas criminal e cível da Corte boliviana, além de representantes da segurança e das relações institucionais.

Visita ao Judiciário de Pando

A agenda de interiorização e integração institucional do TJAC terá continuidade nesta sexta-feira, 21. Os integrantes da Câmara Criminal realizarão uma visita institucional ao Tribunal Departamental de Justiça de Pando, em Cobija, na Bolívia.

A atividade dará sequência ao diálogo iniciado durante a sessão em Brasiléia e permitirá a troca de experiências entre magistrados e servidores dos dois países, fortalecendo a cooperação institucional em uma região em que as relações entre Acre e Pando ultrapassam os limites geográficos.

Fotos: Samuel Bryan/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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