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Obras sobre o cotidiano da vida na floresta amazônica são expostas no prédio do TJAC

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Durante um mês telas do artista plástico Rosimar de Holand podem ser visitadas no prédio do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), das 7h às 14h

Um casal de tucanos pousado em um tronco de árvore coberto de musgo, um seringueiro caminhando na mata com poronga na cabeça, um cesto cheio de ouriço de castanha sendo virado no chão de terra avermelhada. Cenas assim podem ser apreciadas nas obras do artista plástico Rosimar de Holand. O pintor expõe seus trabalhos até o dia 26 de setembro no prédio sede do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). A visitação pode ser realizada no horário de expediente, de segunda à sexta-feira, das 7h às 14h.

As pinturas utilizam técnica de óleo sobre tela e textura em alto relevo que, segundo o autor, aumentam a acessibilidade, pois pessoas cegas e com baixa visão podem tocar e sentir como é a casca de uma seringueira marcada pela cabrita (instrumento que parece uma faca, com a ponta torta, utilizado para abrir a casca da seringueira e extrair a seiva).

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Natural de Sena Madureira, mas criado em Rio Branco, Rosimar é autodidata e conta que desde criança só queria pintar, na escola só tinha interesse em desenhar. “Desde que me entendo por gente, desde uns cinco anos de idade tenho uma relação com desenho. Eu ia para aula, só para desenhar, não para escrever e estudar”, disse o artista.

No currículo, Rosimar tem exposições em órgãos públicos, enviou pinturas para mostras na Itália, vendeu tela no Estados Unidos e confeccionou murais e trabalhos para equipe da minissérie “Amazônia: de Galvez à Chico Mendes”.

O processo criativo do artista envolve imersão nos lugares, florestas para depois compor as pinturas, que são retratos do cotidiano da floresta e de seus habitantes: “eu me identifico mais na natureza. Minha vida foi só arte. A arte para mim é minha sobrevivência e minha paixão”, comentou Rosimar.

As cinco telas expostas estão à venda na faixa de preço de R$1.500,00.

Serviço

O que: Exposição de telas do artista Rosimar de Holand

Quando: até 26 de setembro

Horário de visitação: das 7h às 14h

Onde: átrio das Câmaras, no prédio do TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento

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Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança

Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.

O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.

Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução 

Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.

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Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão. 

No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.

Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.

Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.

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Inúmeros serviços

Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.

A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.

Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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