TJ AC
Vice-presidente do TJAC fala de representatividade na posse da nova superintendente da Polícia Federal
TJ AC
Sororidade é a união, empatia e solidariedade entre mulheres, baseada na conscientização de que compartilham experiências, desafios e pressões semelhantes na sociedade
A vice-presidente do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), desembargadora Regina Ferrari, prestigiou a solenidade de posse da delegada Luciana Mota no cargo de superintendente regional da Polícia Federal no Acre (PF). O evento ocorreu nesta segunda-feira, 21, formalizando a transição de comando e o início da gestão oficial.
A cerimônia começou com a leitura e assinatura do Termo de Posse. Em seguida, foi entregue a placa com os Princípios da PF. Esse rito resguarda a simbologia da entrega, guarda e zelo – uma vez que é passada de mãos em mãos, de uma gestão para outra, como um memorial palpável da missão administrativa.



Em seu pronunciamento, a empossada enfatizou as diretrizes estratégicas, entre elas: a proteção da Amazônia, enfrentamento à corrupção e descapitalização de facções. “Não compreendo esta posse como um ponto de chegada. Compreendo-a como ponto de partida de compromissos assumidos com a Polícia Federal, com os servidores dessa superintendência, com as instituições parceiras, com o Acre e, sobretudo, com a sociedade”, declarou a nova superintendente.
No encerramento, a diretora de Gestão de Pessoal da PF, Helena de Rezende, falou sobre integração: “O desafio é grande e tenho certeza que sua disposição e competência é ainda maior. Estaremos todos juntos na missão de manter a integração e seguir fazendo história, deixando a marca da gestão feminina na fase do fortalecimento da nossa instituição”.




Um marco de representatividade
A posse de uma mulher como superintendente regional representou um marco histórico da ampliação da equidade de gênero em cargos de liderança dentro da corporação. Nesse sentido, a desembargadora Regina Ferrari felicitou a empossada e falou de sororidade: “Ao assumir este importante posto, há a afirmação da presença cada vez mais forte das mulheres em posições de liderança em instituições historicamente ocupadas, em sua maioria, por homens. Sua chegada à Superintendência é motivo de orgulho, não apenas para a Polícia Federal, mas para todas as mulheres que constroem, com competência e coragem, os caminhos da segurança pública no Brasil”.
No ato, foi lembrado que a primeira mulher a governar um estado brasileiro foi a acreana Iolanda Fleming. Ela também foi a responsável pela instalação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher no Acre e a terceira delegacia deste tipo no Brasil. Ainda, foi destacado o pioneirismo da delegada Diana Calazans, à frente da Superintendência Regional da PF, ocorrido em 2018.
De igual modo, outras mulheres que continuam escrevendo essa história, como a coronel Marta Renata no comando da Polícia Militar do Acre; a juíza Federal Luzia Farias na direção do foro da Justiça Federal; a vice-presidente do TJAC; além de duas diretoras e a corregedora da PF, que também estavam presente no evento.

Fotos: Elisson Magalhães/ Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento
Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança
Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.
O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.
Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução
Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.
Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão.
No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.



Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.
Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.
Inúmeros serviços
Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.
A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.
Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).








Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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