AGRONEGÓCIO
RenovaBio: ANP divulga lista de distribuidoras inadimplentes e preços de CBios seguem em queda
AGRONEGÓCIO
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou, em 21 de julho, a primeira versão da chamada “lista de sanções” contra distribuidoras inadimplentes com o programa RenovaBio. A medida atende à nova legislação (Lei dos CBios nº 15.082/2024), que impede essas empresas de operar até que regularizem sua situação.
De acordo com a ANP, 33 distribuidoras constavam na lista inicial, todas com processos julgados referentes ao descumprimento das metas de descarbonização até o ano de 2023. Juntas, essas empresas representavam 4,1% do mercado nacional de combustíveis fósseis em 2024 e detinham 10,8% das metas individuais de descarbonização de 2025, já considerando metas em atraso.
Entretanto, liminares judiciais suspenderam a aplicação de sanções para 22 casos, e outras distribuidoras obtiveram decisões semelhantes nos dias seguintes. Apesar dessas decisões judiciais reduzirem temporariamente a eficácia da nova lei, o mercado já previa esse cenário. A expectativa é de que, com o tempo, essas liminares sejam derrubadas, estabelecendo jurisprudência favorável à regulação.
Ainda assim, algumas distribuidoras importantes conseguiram sair da inadimplência, indicando que a nova legislação começa a surtir efeito positivo. Para o Itaú BBA, sem a implementação dessas regras, dificilmente haveria regularização por parte dessas empresas.
CBios: mercado segue com superávit, mesmo com maior adimplência
Apesar do avanço na regularização das distribuidoras, o mercado de CBios continua com excedente. Segundo estimativas do Itaú BBA, mesmo que todas as distribuidoras se tornem adimplentes, os estoques no fim de 2025 devem atingir 7,9 milhões de créditos de descarbonização.
Preços e volume de negociação dos CBios voltam a cair
Em julho, os preços dos CBios na B3 recuaram 3,2%, encerrando o mês cotados a R$ 58,60 por crédito. A média de preços no ano-meta 2025 está em R$ 68,20, o que representa uma queda de 16% em comparação ao ano anterior.
O volume negociado em julho somou 7,18 milhões de CBios, 9% abaixo do mês anterior, mas em linha com o registrado em julho de 2024. No acumulado de 2025, o total negociado é de 48,71 milhões de CBios, apenas 1% inferior ao mesmo período de 2024.
Emissões de CBios se mantêm estáveis, mas com leve queda anual
Segundo dados da B3, foram emitidos 3,5 milhões de CBios em julho, valor semelhante ao registrado em junho, porém 4% inferior ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o total chegou a 24,87 milhões de créditos, um crescimento de 3% frente ao mesmo período de 2024.
Estoque de CBios segue em alta
Em julho, o estoque de CBios no mercado aumentou em 2,81 milhões, alcançando 29,38 milhões de títulos. O crescimento foi puxado principalmente pelas distribuidoras obrigadas, que elevaram seus estoques em 3,33 milhões, totalizando 13,63 milhões de créditos. Já os emissores de CBios reduziram suas posições em 552 mil títulos.
No acumulado de 2025, foram aposentados 11,94 milhões de CBios. Considerando também 181 mil créditos aposentados de forma antecipada, o total de CBios comprados pelas partes obrigadas chega a 25,75 milhões. Isso representa pouco mais da metade da meta individualizada do programa para este ano, que é de 49,5 milhões de créditos.
Mudança no prazo para comprovação de metas
O Decreto 11.141/22, publicado em julho de 2022, havia modificado os prazos para comprovação do cumprimento das metas de aposentadoria dos CBios, estabelecendo como data limite o dia 31 de março do ano seguinte. No entanto, em abril de 2023, o Ministério de Minas e Energia (MME) redefiniu o prazo para 31 de dezembro de cada ano.
Sobre o RenovaBio
O RenovaBio é a principal política pública brasileira voltada à redução das emissões de gases de efeito estufa no setor de combustíveis. As metas compulsórias são definidas anualmente e o cumprimento se dá por meio da compra e aposentadoria de créditos de descarbonização (CBios) por parte das distribuidoras de combustíveis fósseis.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Ácaro-rajado no mamão: praga pode reduzir produtividade e exige manejo integrado no pomar
A presença do ácaro-rajado (Tetranychus urticae) tem se consolidado como um dos principais desafios fitossanitários na cultura do mamoeiro. A praga compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade e pode gerar perdas significativas na qualidade dos frutos, especialmente em períodos de clima quente e seco.
Os danos começam com manchas amareladas nas folhas, evoluindo para necrose, desfolha intensa e redução do tamanho dos frutos. O resultado é queda direta na produtividade e na padronização comercial do mamão.
Segundo especialistas, o ácaro pode ocorrer durante todo o ano, com maior pressão em condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. O inseto se instala inicialmente na face inferior das folhas, próximo às nervuras, e rapidamente se espalha pela planta quando não controlado.
Manejo do ácaro-rajado no mamão exige atenção constante do produtor
De acordo com orientações técnicas compartilhadas por Alexandre Hanazaki, gerente de desenvolvimento de produtos da East-West Seed, o controle eficiente do ácaro-rajado depende de um conjunto de práticas preventivas e monitoramento frequente da lavoura.
1. Eliminação de plantas daninhas
O primeiro passo no manejo é a eliminação de plantas daninhas, que podem servir de hospedeiras para o ácaro-rajado.
A manutenção da área limpa reduz a pressão da praga e diminui a chance de reinfestação no pomar de mamão.
2. Monitoramento constante das folhas
O acompanhamento frequente da lavoura é fundamental para identificar precocemente a presença do ácaro.
A recomendação é observar principalmente a face inferior das folhas, onde a praga se concentra inicialmente. Ao identificar a infestação, o controle deve ser iniciado de forma imediata e em área total.
3. Escolha de materiais mais tolerantes
O uso de variedades mais tolerantes também é uma estratégia importante no manejo integrado.
A cultivar Sabrosa, da East-West Seed, é citada como alternativa com maior tolerância ao ácaro-rajado. Segundo a empresa, o material apresenta maior massa foliar e folhas mais espessas, o que dificulta o ataque da praga.
4. Uso correto de defensivos e equilíbrio nutricional
O controle químico deve ser realizado com produtos registrados para a cultura do mamão, priorizando estratégias adequadas de manejo.
Produtos como enxofre e calda sulfocálcica podem atuar como repelentes, além da possibilidade de adoção de controle biológico.
Por outro lado, o uso de piretróides e organofosforados deve ser evitado, pois pode afetar inimigos naturais e favorecer o desequilíbrio populacional do ácaro-rajado.
Outro ponto de atenção é a nutrição da planta: o excesso de nitrogênio pode favorecer o desenvolvimento da praga, exigindo manejo equilibrado.
Variedade Sabrosa se destaca por produtividade e qualidade de frutos
Além da tolerância ao ácaro-rajado, o mamão Sabrosa apresenta outras características agronômicas relevantes, segundo a empresa.
Entre os principais destaques estão o maior vigor vegetativo, melhor enfolhamento e tolerância a doenças foliares como pinta-preta e mancha-de-corynespora.
Outro diferencial é o porte baixo das plantas, que facilita a colheita manual por mais tempo, reduzindo custos operacionais em comparação a variedades mais altas, que exigem estruturas auxiliares para colheita.
Padronização e precocidade aumentam eficiência comercial
A cultivar também se destaca pela alta padronização dos frutos, reduzindo perdas por variação de tamanho e facilitando a comercialização em caixas, modelo predominante no mercado.
Segundo Hanazaki, essa uniformidade melhora a eficiência logística e a aceitação comercial do produto.
A precocidade é outro ponto forte: as plantas iniciam a floração cerca de 30 dias após o transplantio, com início da colheita em aproximadamente seis meses.
Além disso, os frutos apresentam boa qualidade sensorial, com polpa de coloração atrativa e sabor valorizado pelo mercado consumidor.
Manejo integrado é decisivo para proteger a safra de mamão
O controle do ácaro-rajado exige estratégia integrada, combinando monitoramento, manejo cultural, uso correto de defensivos e escolha de materiais mais tolerantes.
Em um cenário de alta exigência de qualidade e produtividade, a adoção dessas práticas é fundamental para reduzir perdas e garantir maior rentabilidade ao produtor de mamão.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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