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Estudante da rede estadual é premiado pelo MEC pelo desempenho no Enem 2024
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O estudante Guilherme Amaral Cairo, egresso da Escola Estadual Humberto Soares da Costa, localizada em Rio Branco, foi um dos destaques da primeira edição do Prêmio MEC da Educação Brasileira, entregue nesta segunda-feira, 11, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, em Brasília.
Instituído pelo Decreto nº 12.521/2025, o prêmio tem como objetivo reconhecer e valorizar estudantes, escolas e redes públicas que se destacam na promoção da aprendizagem, alinhada ao Plano Nacional de Educação. A edição de 2025 contemplou diferentes categorias, entre elas a do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), voltada a alunos com desempenho de excelência.

Guilherme obteve 960 pontos na redação do Enem de 2024 e atualmente cursa Direito na Universidade Federal do Acre (Ufac).
“Foi muito incrível. Poder conhecer Brasília pela primeira vez, encontrar outros jovens dedicados e estudiosos de vários estado, enfim, foi único”, relatou o estudante.
Professor Luiz Carlos, ao lado do estudante premiado, e colegas que obtiveram bom resultado no Enem. Foto: Mardilson Gomes/SEEPara o professor de português Luiz Carlos Silva, que acompanhou o jovem durante o ensino médio, a conquista representa motivo de orgulho para toda a comunidade escolar.
“É muito satisfatório ver como um mundo de oportunidades e experiências se abre para ele graças ao fato de ter acreditado na educação de qualidade. Saber que há uma parcela de contribuição nossa é gratificante. Esse também é um sentimento compartilhado por toda a escola. Ficamos felizes ao ver nossos estudantes avançando nas etapas do projeto de vida deles”, afirmou.

O secretário de Estado de Educação e Cultura, Aberson Carvalho, parabenizou o estudante e ressaltou que conquistas como essa reforçam o compromisso do governo do Acre com a qualidade do ensino.
“É para isso que trabalhamos todos os dias: para que nossos alunos alcancem lugares de destaque, representando o Acre com orgulho e mostrando que a educação é o caminho para transformar vidas”, destacou o secretário.
O evento contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Educação, Camilo Santana, e reuniu representantes de todo o país em uma celebração do mérito educacional.
Fonte: Governo AC
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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre
Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.
Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.
“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.
“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.
Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.
“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.
Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.
“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.
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Foto: Cleiton Lopes
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