Atendendo a requerimento do vereador João Paulo Silva (Podemos), a Câmara Municipal de Rio Branco realizou na terça-feira, 9, uma Tribuna Popular para debater sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. A sessão contou com a participação das psicólogas Natércia Monteiro dos Santos e Josiane Furtado da Rocha, que expuseram os desafios e avanços da rede de atenção psicossocial no Acre.
Natércia Monteiro, representante do Centro de Convivência e Cultura Arte de Ser, destacou que o espaço é vinculado à Secretaria Estadual de Saúde, mas enfrenta sérias dificuldades estruturais e orçamentárias. Segundo ela, o serviço nasceu no Hospital de Saúde Mental do Acre (OSMAC) e se consolidou como referência em oficinas livres, práticas integrativas e convivência comunitária.
“É um espaço onde trabalhamos saúde mental de forma livre, aberta, sem distinção entre quem tem ou não transtorno. Oferecemos oficinas, práticas como reiki e auriculoterapia, além de projetos culturais que integram a comunidade. Mas sobrevivemos basicamente de doações e parcerias. É fundamental que os parlamentares também olhem para nós em suas emendas”, afirmou.
A psicóloga ressaltou ainda o impacto positivo do centro na vida dos usuários. “Temos relatos de pessoas que superaram depressões graves por meio da convivência e da arte. Nosso objetivo é oferecer acolhimento e integração, porque saúde mental precisa estar presente no dia a dia, não só em setembro”.
Já Josiane Furtado, psicóloga do Pronto-Socorro de Rio Branco, relatou o aumento alarmante das tentativas de suicídio, inclusive entre crianças e adolescentes. Segundo ela, o Núcleo de Prevenção do Suicídio, criado em 2014, foi reativado pela Secretaria de Saúde diante da crescente demanda.
“Temos recebido crianças de apenas 12 anos por tentativa de suicídio. O atendimento infantil exige atenção especial, porque envolve fatores familiares, sociais e até violência doméstica. Não podemos limitar a campanha apenas ao Setembro Amarelo. Saúde mental deve ser tratada de janeiro a janeiro”, defendeu.
Ela também reforçou a importância da rede integrada para o encaminhamento dos pacientes e criticou a insuficiência de políticas públicas voltadas à área. “Hoje, a cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo. Precisamos romper o silêncio, investir em acolhimento, escuta e políticas públicas permanentes”.
O vereador João Paulo, em pronunciamento, destacou a gravidade do tema e fez um apelo para que o debate não se limite ao Setembro Amarelo. “A depressão e a ansiedade são doenças muito graves, que têm tratamento e que não devem ser escondidas. Não é vergonha procurar ajuda, seja com psicólogo, psiquiatra ou mesmo um amigo ou familiar. O poder público precisa tratar a saúde mental como prioridade, porque é um mal do século. Muitas pessoas têm vergonha de falar que sofrem, mas é justamente falando e pedindo ajuda que podemos salvar vidas.”
Ele lembrou ainda que, entre os homens, os índices de suicídio são de três a quatro vezes maiores, reforçando a necessidade de políticas específicas. “Precisamos quebrar o silêncio e olhar a saúde mental como um compromisso diário”, afirmou.
Já o vereador Leoncio Castro (PSDB) ressaltou que a saúde mental precisa ser tratada como prioridade estratégica, com orçamento e políticas públicas efetivas. Ele citou falhas no PPA em tramitação e defendeu emendas para ampliar investimentos.
A vereadora Elzinha Mendonça (PP) lembrou que Rio Branco comportaria até quatro unidades do CAPSi e defendeu a criação de equipamentos específicos para crianças e adolescentes. “A prevenção passa por acolhimento, escuta e políticas públicas. Só assim vamos evitar tragédias”, disse.
Por fim, o vereador André Kamai (PT) afirmou que o tema exige enfrentamento contínuo e não apenas no Setembro Amarelo. Ele criticou a postura “periférica” da Prefeitura em relação à saúde mental e destacou que emendas parlamentares já foram rejeitadas na votação da LDO. “Sem orçamento e política pública, não vamos avançar”, afirmou.
A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade, realizará, nesta sexta-feira (17), um mutirão de limpeza nos bairros da regional da Baixada da Sobral.
O objetivo é minimizar os efeitos de novas enxurradas nas localidades.
“Estaremos com várias equipes nos bairros da Baixada, entre eles Boa Vista, João Eduardo II, Sobral, Plácido de Castro e outros”, explicou Tony. (Foto: Secom)
“Estaremos com várias equipes nos bairros da Baixada, entre eles Boa Vista, João Eduardo II, Sobral, Plácido de Castro e outros. Essa operação emergencial visa evitar problemas semelhantes aos que ocorreram no início da semana. Na manhã de hoje (quinta-feira, 16), estivemos nesses bairros e já identificamos vários pontos com acúmulo de entulhos, muitos deles às margens de córregos e também nas drenagens de águas pluviais”, explicou Tony Roque, secretário municipal de Cuidados com a Cidade.
Limpeza de bueiros e córregos na baixada.(Foto: Val Fernandes/Secom)
A ação também dá continuidade às atividades de recolhimento de resíduos inertes na cidade de Rio Branco.
Será realizado atividades de recolhimento de resíduos inertes. (Foto: Anderson Oliveira/Secom)
A operação emergencial contará com 30 equipamentos, entre caminhões e máquinas pesadas, e mais de 50 trabalhadores.
Somente no mês de março, a Secretaria retirou cerca de 110 toneladas de entulho e resíduos inertes. (Foto: Anderson Oliveira/Secom)
Somente no mês de março, a Secretaria retirou cerca de 110 toneladas de entulho e resíduos inertes dos bairros atingidos pela enxurrada.
Na última terça-feira foi retirado 10 toneladas de lixo. (Foto: Marcos Araújo/Secom)
Na última terça-feira (14), uma nova enxurrada atingiu a regional e, novamente, os serviços de limpeza, raspagem e baldeação foram realizados, com o recolhimento de mais de 10 toneladas de lixo até o momento.
O descarte irregular de resíduos sólidos em áreas de preservação ambiental, córregos urbanos e até mesmo às margens das ruas tem se consolidado como um grave problema ambiental e de saúde pública. A prática, além de ilegal, compromete a qualidade dos recursos naturais, prejudica a biodiversidade e expõe a população a riscos sanitários significativos.
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