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Eleitoras e eleitores comparecem às urnas para 1ª eleições de Juízas e Juízes de Paz

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Em 93 locais de votação em todo o Acre o processo de votação iniciou às 8h, para a primeira eleição de juízas e juízes de paz do país

Pontualmente às 8h da manhã, neste domingo, 30, em 93 locais de votação em todos os 22 municípios do Acre teve início a primeira Eleição para Juízas e Juízes de Paz. Apesar de ser um processo participativo, não obrigatório, eleitoras e eleitores formavam fila nas portas de alguns lugares para elegerem democraticamente candidatas e candidatos que atuarão na habilitação de casamentos, farão as cerimônias e também poderão realizar conciliações, promovendo a pacificação social.

A jovem Evelyn Thainara Vieira Lima, de 25 anos, votou na Escola Marina Vicente Gomes, na Sobral. Ela disse que fez questão de participar. “É importante todo esse processo, especialmente, a participação da população, porque é uma forma da gente contribuir para algo que vem a nosso favor”, comentou Evelyn.

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) está organizando o processo eleitoral, com suporte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AC), da Secretaria de Estado do Educação (SEE) e das prefeituras acreanas. São 349 urnas em todo o estado e na capital foi disponibilizada a maior quantidade, com 91 urnas.

A juíza de Direito Luana Campos fiscalizou as urnas durante o dia. “Hoje ocorrem as eleições de juízas e juízes de paz em todo o estado. O Tribunal de Justiça do Acre é o pioneiro ao dar início a esse processo democrático”, explicou a magistrada.

Participação é democracia

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Durante a manhã e início da tarde, diversas pessoas foram votar, muitos torcedores trajando as camisetas de seus times, idosas, idosos, jovens e adultos. A estudante do Lauany de Souza Ramos, de 19 anos de idade, saiu de uma festa pela conclusão do terceiro ano, toda pintada com pó de tinta para votar. Ela fez o esforço por reconhecer a importância da participação social nessa eleição.

O servidor do Judiciário, José Claudecir dos Santos, 51 anos, dirigiu-se com sua esposa e filha até a Escola Marina Vicente Gomes para votar. Para o funcionário público votar é ato de cidadania, “é extraordinário para nosso estado, porque serão as pessoas que irão cuidar da nossa casa. Quem vai celebrar casamento, fazer conciliação. É importante termos um juiz de paz de confiança. Votar é cidadania e democracia”, enfatizou Claudecir.

Ao se engajarem na escolha das juízas e juízes de paz com seu voto, as cidadãs e os cidadãos de todo o estado concretizaram um dos pilares fundamentais da democracia brasileira: a participação pública.

Servir a sociedade

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Para a eleição acontecer, toda operação logística foi montada e executada pelo TJAC. As equipes preparam os locais de votação no sábado, 29, magistradas e magistrados foram de carro, avião e barco até as cidades de difícil acesso.

Em um levantamento preliminar, em torno de 1.180 servidoras e servidores estão trabalhando até às 17h deste domingo, 30, como mesárias, mesários, secretárias e secretários nos lugares de votação.

Servidora há 19 anos do Judiciário, Adaildes Maria de Paula, junto ao servidor José Vitor que tem 13 anos atuando na Justiça estão sendo secretária e mesário em uma das cinco seções da Escola Diogo Feijó. Para ambos, a eleição representa pioneirismo e servir a sociedade:

“Trabalhar nessa eleição é importante, porque é a primeira eleição do país para juízas e juízes de paz e como servidores estamos servindo ao Tribunal de Justiça e à população, nossos eleitores que estão vindo votar”, disse Adaildes.

“É o primeiro tribunal do país a realizar uma eleição nessa envergadura, e o comparecimento populacional, considerando que não é obrigatório, está sendo efetivo e expressivo. É uma contribuição que o tribunal dá para a sociedade escolher quem irá celebrar casamentos, conciliações”, completou José Vitor.

Fotos Elisson Magalhães (Secom/TJAC)

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Mulher consegue no Projeto Cidadão ingressar com ação para corrigir nome e sexo na certidão de nascimento

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Registrada como “Elissandro” e do sexo masculino, Elissandra Bezerra convive há 35 anos com o erro no documento, bullying e procurou a ação do TJAC em Sena Madureira para iniciar o processo de mudança

Quanto uma letra pode impactar a vida de uma pessoa? Pode parecer pouco. E em alguns casos, é mesmo. Porém, essa não é a situação de Elissandra Bezerra, de 35 anos, moradora de Sena Madureira. Por causa de um “o”, ela enfrentou inúmeras dificuldades. Isso porque foi registrada como “Elissandro” e do sexo “masculino”.

O erro provocou situações constrangedoras ao longo de toda sua vida. Na adolescência, Elissandra recebia apelidos dos colegas de classe. Não foram uma nem duas vezes que escutou que era “macho”. Hoje, ela sabe que sofria bullying. Na época, porém, preferia permanecer em silêncio para se defender. A situação diminuiu na fase adulta.

Para Elissandra, o problema parecia ter ficado para trás. Até que descobriu que Udson, seu filho do meio, de 17 anos, é autista. A notícia mudou a rotina da família. Desde então, ela busca conseguir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o adolescente. No entanto, voltou a enfrentar os velhos obstáculos do passado.

Projeto Cidadão foi a solução 

Cansada dessa situação e disposta a corrigir o registro, Elissandra procurou o Projeto Cidadão, ação social do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) que oferece, de forma gratuita, documentos básicos e serviços públicos à população em situação de vulnerabilidade social.

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Ela soube pelo Instagram que a iniciativa estaria em Sena Madureira nos dias 22 e 23 de setembro, das 8h às 15h, na Escola Professor Messias Rodrigues de Souza, e que entre os serviços anunciados estava a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN). A princípio, Elissandra acreditou que a alteração do documento resolveria a questão. 

No local, descobriu que o caso exigia uma medida judicial para a retificação do registro civil. Elissandra ficou apreensiva. Temeu sair mais uma vez sem uma solução. O Projeto Cidadão, porém, conta com o apoio de diferentes instituições, entre elas a Defensoria Pública. Foi lá que ouviu o que esperava há anos: “Calma, vamos resolver”.

Naquela manhã, ela recebeu as orientações jurídicas necessárias. Soube que, no caso dela, como o nome e o sexo foram registrados de forma incorreta, é necessário apresentar um atestado médico de afirmação de gênero para comprovar a situação perante as instituições. Elissandra conseguiu o documento no próprio Projeto Cidadão, que conta com atendimento de um médico clínico-geral.

Com o atestado e os demais documentos necessários, ela ingressou com o processo de retificação. Elissandra afirmou estar confiante na solução do caso. Disse não ter do que reclamar do atendimento recebido desde que chegou à escola. Foi bem tratada e recebeu os encaminhamentos necessários. Agora, sai do local com a expectativa de, em breve, receber uma nova certidão. Dessa vez, sem nenhuma letra “o” para atrapalhar.

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Inúmeros serviços

Assim como Elissandra, centenas de moradoras e moradores de Sena Madureira procuraram o Projeto Cidadão. Durante os dois dias de ação, a comunidade tem acesso a serviços jurídicos, de saúde e assistência social, todos gratuitos. Entre os mais procurados está a emissão da Carteira de Identidade Nacional. A previsão é de que mais de 200 documentos sejam produzidos.

A Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) do TJAC, parceira da ação, também registra grande procura. A unidade oferece testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, aferição da pressão arterial e dos níveis de glicemia, vacinação, além de atendimentos psicológico, fisioterapêutico e nutricional.

Esta edição do Projeto Cidadão conta com o apoio do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado do Acre (DPE/AC), da Receita Federal, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Prefeitura de Sena Madureira, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Governo do Estado, por meio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Polícia Civil (PCAC) e da Secretaria da Mulher (Semulher).

Fotos: Gabriel Yjalade/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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