TJ AC
Engajamento marca eleição para juízas e juízes de paz
TJ AC
Da chuva às longas distâncias, eleitores demonstram disposição para fortalecer a cidadania
A moradora de Marechal Thaumaturgo, Shayra Luany, percorreu mais de 600 quilômetros para participar da eleição de juízas e juízes de paz, realizada neste domingo, 30, em todo o estado, pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC). Ela aproveitou uma visita à família em Senador Guiomard e garantiu sua presença no processo eleitoral, inédito no país.
Segundo a jovem, o exercício do voto fortalece a cidadania e o engajamento político. “Eu acredito que, além da eleição, exercer a democracia conscientiza a população em geral para saber o que de fato ocorre, qual é o papel de um juiz de paz”, afirmou.
Shayra Luany também mencionou o que espera da pessoa eleita, responsável pela celebração de casamentos, à análise de processos de habilitação matrimonial e à realização de conciliações, sem caráter jurisdicional. “A expectativa é que faça um bom trabalho, profissional e ético, em favor sempre da sociedade, que se coloque à disposição”, contou.

Chovia em Senador Guiomard, mas isso não impediu Alciléia Silva de comparecer à votação. “O que me motivou foi que nós temos o nosso papel de cidadão e o apoio a uma amiga minha. É dar oportunidade para as pessoas. É isso que eu acho, na minha opinião”, disse.
Ela considerou positiva a realização do pleito. “Na minha opinião, é um privilégio ter essa oportunidade. Quem ganhar deve fazer um bom papel para o nosso município. Creio que a pessoa que for eleita vai nos representar bem”, assegurou a eleitora.



O diretor do Foro de Senador Guiomard, juiz de Direito Romário Faria, informou que a votação ocorre sem intercorrências no município. “Nós estamos com o pleito da juíza de paz transcorrendo normalmente. Fizemos uma visita agora há pouco em todas as seções e a participação do eleitorado é bem importante”, explicou.
“Reforçamos essa importância do cargo de juiz e juíza de paz, que atuam no dia a dia da comunidade, na solução de conflitos e na realização de casamentos civis. Assim, contribuem para a construção da paz social”, concluiu o magistrado, ao convidar a população para votar.

Eleições para juízas e juízes de paz
Pela primeira vez, a população pode eleger, por meio do voto direto e secreto, juízas e juízes de paz para atuarem no estado. A iniciativa cumpre o que determina a Constituição Federal de 1988, que prevê a composição da Justiça de Paz por cidadãs e cidadãos eleitos, com mandato de quatro anos.
A votação ocorre das 8h às 17h, com a participação da sociedade civil dos 22 municípios do Acre. Será eleita a candidata ou o candidato com maior número de votos por comarca. A apuração acontece após a conclusão das eleições, ainda neste domingo, no auditório da Escola do Poder Judiciário (Esjud), e terá transmissão ao vivo no YouTube do TJAC.



Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Humanize IA, criada pelo TJAC, é destaque em encontro de presidentes de tribunais Estaduais e Militares de todo o país
Solução desenvolvida pelo Judiciário acreano usa inteligência artificial para aproximar a jurisprudência da Corte Interamericana dos casos concretos e fortalecer a proteção dos direitos humanos
Uma pergunta deu origem a uma iniciativa que começa a ganhar espaço no Judiciário brasileiro: como fazer a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos chegar ao magistrado no momento em que ele precisa dela para que os direitos do cidadão estejam cada vez mais presentes nas decisões?
Foi a partir dessa inquietação que o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) desenvolveu o Humanize IA, solução de inteligência artificial apresentada nesta quinta-feira, 13, durante o XXI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), a presidentes de Tribunais de Justiça estaduais e militares de todo o país.
A apresentação coloca o Acre no debate nacional sobre o uso da tecnologia para fortalecer a aplicação dos direitos humanos e o controle de convencionalidade, análise que considera, além das normas nacionais, os tratados internacionais de direitos humanos e a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Embora o Brasil faça parte do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e disponha de um amplo conjunto de tratados, precedentes e opiniões consultivas, esse conhecimento ainda não está incorporado de forma natural à rotina de construção das decisões judiciais. O desafio, portanto, não é a ausência de normas ou informações, mas a criação de caminhos que tornem esse conteúdo mais acessível e aplicável aos casos concretos, fortalecendo a cultura do controle de convencionalidade e, sobretudo, a proteção dos direitos do cidadão.
A ferramenta, apresentada pelo presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, e o juiz auxiliar da presidência, Giordane Dourado, foi desenvolvida para analisar petições, decisões, sentenças e votos e identificar possíveis conexões com a jurisprudência, as opiniões consultivas e os precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Na prática, a tecnologia auxilia o operador do Direito a encontrar, de maneira mais rápida e objetiva, os parâmetros internacionais que podem ser relevantes para determinado caso.
Para o desembargador Laudivon Nogueira, a ferramenta representa o resultado de um trabalho coletivo e uma oportunidade de avançar na aplicação dos direitos humanos no Judiciário brasileiro. “A apresentação da Humanize IA aqui no Consepre foi uma honra para todos nós, porque é fruto do trabalho sério e dedicado de equipes, servidores e magistrados, que têm um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura de controle de convencionalidade no Brasil. Nós sabemos que hoje há uma, uma dificuldade de levar adiante aquilo que diz as normas sobre a garantia dos direitos humanos no Brasil. E nós temos essa oportunidade de apresentar, com muito orgulho, essa, essa ferramenta que certamente vai ser um diferencial, como disse o Rodrigo Modrovich, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, um diferencial na aplicação da jurisdição brasileira no que toca à proteção dos direitos humanos”, ressaltou.
Desenvolvida por profissionais da área de tecnologia do TJAC, a ferramenta não substitui a atuação dos magistrados. Seu uso visa qualificar a fundamentação das decisões. A solução observa a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a Recomendação nº 123 e a Resolução nº 615.


Do Acre para uma agenda nacional
A apresentação no Consepre representa uma nova etapa da iniciativa. Ao compartilhar a experiência com os presidentes dos tribunais estaduais e militares, o TJAC amplia o diálogo sobre uma solução criada no Acre, mas que pode contribuir para uma transformação mais ampla no Judiciário brasileiro.
O Humanize, segundo o juiz auxiliar Giordane Dourado, também integra uma estratégia maior. Segundo ele, tecnologia, formação e articulação institucional são os três pilares que sustentam a iniciativa. “A tecnologia facilita o acesso à jurisprudência. A formação aproxima magistrados e servidores do Sistema Interamericano. E a articulação entre instituições ajuda a construir uma cultura permanente de proteção dos direitos humanos”, ressaltou o magistrado.
E essa visão já começa a ser colocada em prática no Acre por meio da Rede Interamericana Interinstitucional, formada a partir de parcerias do TJAC com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), a Defensoria Pública do Estado do Acre, a Polícia Civil, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Delegacia-Geral de Polícia Civil.
“Essa é uma rede que está sendo construída a várias mãos, no sentido de que nós possamos fortalecer nossas instituições, capacitar e, em última instância, concretizar o que foi estabelecido em 1992, quando o Brasil oficializou a adesão aos tratados internacionais de proteção aos direitos humanos”, afirmou o desembargador Laudivon Nogueira.


Uma iniciativa que vai além da tecnologia
O Humanize começou a ser estruturado em 2026 e ganhou um marco importante com o acordo de cooperação firmado entre o TJAC e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica. A parceria prevê intercâmbio institucional e ações de formação para magistradas, magistrados, servidoras e servidores, fortalecendo a aproximação entre o Judiciário acreano e o Sistema Interamericano.
Nesse contexto, o Humanize IA representa mais do que uma ferramenta tecnológica. É uma tentativa de transformar conhecimento em prática, aproximar a Justiça dos parâmetros internacionais de direitos humanos e fazer com que a proteção prevista nos tratados esteja cada vez mais presente nas decisões judiciais.
Ao apresentar a solução, o Acre compartilha uma experiência que nasceu de uma inquietação local, mas que aponta para um desafio comum a todo o Judiciário: como utilizar a inovação para tornar os direitos humanos mais presentes, acessíveis e efetivos na prestação jurisdicional.

Fotos: Lucas Nascimento/Comunicação TJTO
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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