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“O encarceramento não suspende o direito à saúde”, enfatiza painelista durante a formação da Política Antimanicomial

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Casos persistentes e graves de saúde mental precisam de atendimento especializado para que não ocorra a violação de direitos fundamentais

Discutir a desinstitucionalização é um ato revolucionário, pois confronta a lógica manicomial que segrega e exclui, para orientar sobre a substituição por uma rede de cuidados humanizada, focada na reinserção social e na autonomia do indivíduo. Alicerçado nos marcos legais vigentes, a pauta do segundo dia da formação da Política Antimanicomial no Sistema de Justiça do Acre avançou sobre conteúdos relacionados às ferramentas operacionais e fluxos para que a implantação seja compreendida e alinhada com todos os atores envolvidos.

De forma didática, a coordenadora estadual de Atenção Psicossocial da Secretaria de Estado de Saúde, Cristina Messias, explicou os encaminhamentos disponíveis para os agravos de saúde, bem como diferenciou os tipos de crise e a coordenação no cuidado. Nesse sentido, ela destacou que o Acre possui quase 100% de cobertura da atenção primária.

O segundo painel tratou dos Projetos Terapêuticos Singulares (PTS), que é um trabalho ancorado nos serviços de referência, como o CAPS, as Unidades Básicas de Saúde, por exemplo. Assim, foi apresentada a experiência do Ceará por Davi dos Anjos e do Mato Grosso do Sul, por Marden Marques.

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O cronograma desta quinta-feira, 30, foi composto por mais dois painéis no período vespertino. O primeiro sobre Intersetorialidade na Prática, com a mesa composta pela Simone Braga do Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário (PAI-PJ) de Minas Gerais e a representante do programa Fazendo Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Natália Ribeiro.

O último painel foi a Aplicação do Fluxo na Prática Judicial. O juiz Robson Aleixo, membro do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário e Socioeducativo do Acre (GMF), juntamente com a defensora pública Flávia Nascimento e a representante da Sesacre Cristina Messias trataram de casos simulados, o que consolidou o debate e aprendizado do dia.

No hall da Escola do Poder Judiciário (Esjud) há ainda uma exposição de pinturas do Centro de Convivência Cultural Arte de Ser. Trata-se de um espaço da rede de atenção, situado no Parque Capitão Ciríaco onde há oficinas de expressão artística livre. O representante da iniciativa, Fabiano Carvalho, falou que essa metodologia é utilizada em um grupo heterogêneo, com pessoas com transtornos e sem transtornos. “Mesmo sem a gente ensinar técnicas de desenho, foram aparecendo resultados bonitos, que traduzem sentimentos e também a efetividade do atendimento, enquanto um ambiente acolhedor para as pessoas se expressarem”, afirmou.

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Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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No Dia dos Povos Indígenas, TJAC destaca ações de cidadania que garantem direitos à população originária

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Medidas ampliam acesso à documentação, serviços públicos e reconhecimento da identidade indígena; confira a reportagem especial

Os povos originários sempre influenciaram a cultura e a história do Acre. O nome do estado deriva de “Aquiri”, termo da língua dos indígenas Apurinã que habitavam a região e significa “rio dos jacarés”. A culinária também é marcada pela presença de ingredientes nativos, como mandioca, tucupi, jambu e peixes, sempre presentes na mesa dos acreanos.

Essa relação com os povos indígenas é uma característica marcante do Acre, que concentra uma grande diversidade de etnias em seu território. São pelo menos 15 povos diferentes, além de grupos isolados. Segundo o Censo 2022, a população originária corresponde a cerca de 32 mil pessoas. Há 35 Terras Indígenas (TIs), o que representa 14,56% do território estadual.

Diante da expressiva presença indígena, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) tem adotado estratégias e medidas para garantir a proteção dos direitos dos povos originários. Neste 19 de abril, data em que se comemora o Dia dos Povos Indígenas, confira, nesta reportagem especial, as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário acreano em prol da população ancestral.

Corrigir documentos é reparação histórica

Historicamente, os indígenas enfrentam preconceito para registrar nome e identidade étnica. Ciente disso, em abril de 2025, a Corregedoria-Geral da Justiça do Acre (Coger) aprovou uma norma que possibilita a retificação da certidão de nascimento sem a necessidade de ação judicial. A medida se baseia em uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

A ideia do Judiciário acreano é agilizar a alteração do nome e sobrenome, a inserção da etnia e a correção nos documentos de pessoas autodeclaradas indígenas. A instituição entende ser necessária uma reparação histórica com os povos ancestrais do estado, ainda alvos de preconceito e discriminação.

Por isso, o procedimento foi facilitado. Anteriormente, era necessário ajuizar uma ação para realizar qualquer alteração no registro. Agora, o processo ficou mais fácil, rápido e barato. Basta solicitar ao cartório extrajudicial mais próximo, caso a mudança seja para corrigir equívocos históricos, como a ausência da etnia ou do sobrenome na certidão de nascimento.

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Cidadania para todos

O TJAC também tem realizado ações que facilitam o reconhecimento da diversidade cultural e da autodeterminação dos povos indígenas no Acre. A principal delas é o Projeto Cidadão, trabalho social que facilita o acesso gratuito à documentação e a serviços públicos. Desde 2021, a instituição realiza edições direcionadas à população originária, sendo os atendimentos promovidos dentro das próprias comunidades.

A medida permite superar as barreiras logísticas no atendimento à população indígena, especialmente em áreas remotas. Até o momento, uma variedade de etnias do estado foi beneficiada, como os Puyanawa, Huni Kuin, Kulina, Kampa, Madja, Nukini, Nawa, Shanenawa, Ashaninka e Manchineri. Essa lógica aplicada pelo Judiciário acreano rompe com o histórico de exclusão ao descentralizar os serviços públicos e garantir acesso equitativo.

Entre os serviços mais buscados estão a retificação de documentos, como certidão de nascimento e identidade, bem como a formalização da união por meio do casamento coletivo. Como novidade da atual gestão, foram incluídos atendimentos da Coordenadoria de Bem-Estar e Saúde (Cobes) e da Coordenadoria das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv).

Compromisso com as pessoas

Em 2025, a primeira edição do Projeto Cidadão realizada na administração do desembargador Laudivon Nogueira ocorreu na Aldeia São Vicente, do povo Huni Kuin, em Tarauacá. De acordo com o chefe do Judiciário acreano, o propósito da ação foi demonstrar o compromisso do Tribunal de Justiça com a inclusão social, principalmente das populações indígenas: “Mostrar que é uma instituição parceira da sociedade, não só no julgamento das causas, mas na construção de uma cidadania ativa”.

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O cacique da aldeia São Vicente, Amẽ Huni Kuin, falou da satisfação em não precisar sair por horas ou até dias para obter atendimento: “Estou falando diretamente da minha casa, do meu povo, da minha aldeia, dentro da floresta. Esse é um sonho realizado”. O líder indígena acrescentou sobre a sensibilidade do Poder Judiciário às necessidades específicas dos povos originários: “Somos parceiros para virem fortalecer a nossa união, fortalecer a nossa cidadania”, afirmou.

Ibatsei Huni Kuin aproveitou o projeto do TJAC e solicitou a documentação de seus quatro filhos, três garotos e uma menina. “É muito longe para eu ir para a cidade daqui. É importante virem aqui para a gente poder tirar documento”, explicou. Em Santa Rosa do Purus, o casal Manoel e Josefa, ambos indígenas, disseram “sim” oficialmente e selaram a união de mais de 30 anos no casamento coletivo.

Continuidade dos serviços à população indígena

Este ano, o TJAC já garantiu a emissão de documentos básicos a sete povos indígenas. Foram mais de 140 pessoas atendidas — um esforço contínuo da instituição para combater a invisibilidade social dessa população. Nesta primeira ação, o Tribunal ofertou uma vasta gama de serviços públicos, em especial nas áreas da saúde e da assistência social.

O Tribunal de Justiça prevê, ainda, ao menos cinco edições do Projeto Cidadão voltadas aos povos originários em 2026. Conforme o calendário de ações, o primeiro atendimento está previsto para junho, com a etnia Katukina; em agosto, na cidade de Feijó; em novembro, na Terra Indígena Nukini e na Comunidade São Salvador, ambas em Mâncio Lima; depois, em Santa Rosa do Purus; finalizando, em dezembro, no município de Jordão.

Fotos: Elisson Magalhães e Gleilson Miranda/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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