POLÍTICA NACIONAL
Humberto critica articulação política para reduzir penas de golpistas
POLÍTICA NACIONAL
Em pronunciamento no Plenário, o senador Humberto Costa (PT-PE) criticou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que reduz as penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ao PL 2.162/2023. O senador afirmou que há articulações políticas destinadas a beneficiar lideranças condenadas pelos atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Humbertor, a aprovação do projeto faz parte de uma articulação mais ampla, voltada a atender interesses de grupos de direita. Ele afirmou que a flexibilização das punições seria o “preço” para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RS) desista de disputar o Palácio do Planalto em 2026, abrindo caminho para uma candidatura apoiada por aliados de direita, que teria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível nome.
— A votação desse projeto foi combinada, autorizada de dentro da cadeia pelo Sr. Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa armada, responsável por uma tentativa de golpe. Uma votação surpresa, feita às escuras, e foi um presente patrocinado pela Câmara dos Deputados ao golpismo, estímulo a que terroristas sigam atentando contra o Estado de direito. Esses negociadores da pátria, mais uma vez, negociaram a democracia para atender aos interesses criminosos de uma família e de um grupo político. O projeto aprovado não é para peixe pequeno — declarou.
O parlamentar afirmou que a proposta foi votada sem debate e defendeu que o Senado rejeite a iniciativa para preservar a responsabilidade institucional do Congresso Nacional. O senador também criticou o episódio envolvendo o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), retirado a força do Plenário pela Polícia Legislativa antes da votação da matéria, destacando ações violentas contra parlamentares e restrições ao trabalho da imprensa.
— Nem na época da ditadura se expulsou jornalista de dentro de um Plenário, como foi feito ontem. Não me lembro, em nenhum momento, de uma violência perpetrada contra um parlamentar. O Sr. Hugo Motta, presidente da Câmara, determinou uma ação violenta da Polícia Legislativa contra o deputado Glauber Braga e outros parlamentares. Agiu de forma truculenta, totalmente diferente de como foi tratado o grupo de vândalos congressistas que sequestrou as mesas da Câmara e do Senado — afirmou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova direito à mulher vítima de violência de recorrer contra negação de medidas protetivas
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher aprovou projeto de lei que assegura às mulheres vítimas de violência doméstica o direito de recorrer de decisões judiciais que neguem ou retirem medidas protetivas de urgência. Pela proposta, a vítima poderá apresentar o recurso pessoalmente ou por intermédio da Defensoria Pública e de advogados.
Atualmente, a Lei Maria da Penha não prevê esse recurso de forma expressa, o que causa decisões diferentes em tribunais pelo país.
O texto aprovado é o substitutivo da relatora, deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA), que unificou dois projetos de lei: o PL 5824/25, da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), e o PL 1661/26, apensado. A nova redação garante que o recurso terá tramitação prioritária e poderá conceder proteção provisória imediata quando houver risco grave à vida ou à saúde da mulher.
Além disso, a relatora incluiu uma regra para que erros técnicos no tipo de recurso escolhido não impeçam a análise do pedido pela Justiça.
Legitimidade
A proposta tem como base uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reconheceu a legitimidade das vítimas para contestar o indeferimento de proteções. O STJ argumenta que não há sentido em permitir que a mulher peça a medida de urgência e impedi-la de questionar judicialmente quando o pedido é negado.
Rogéria Santos destacou em seu parecer que as medidas protetivas são, muitas vezes, a única barreira contra a violência fatal. “As medidas protetivas salvam vidas, por isso seu fortalecimento é essencial para que o Judiciário atue de forma mais protetiva e equitativa”, disse a relatora. A proposta também prevê assistência jurídica gratuita para as mulheres que precisarem recorrer.
Próximas etapas
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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