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Paraná lança censo inédito para mapear perfil dos produtores de agricultura orgânica no estado

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Reconhecido como líder nacional na produção de alimentos orgânicos, com mais de 4.500 agricultores certificados, o Paraná deu início a um censo inédito para mapear o perfil e as características socioeconômicas dos produtores do setor.

A iniciativa foi apresentada nesta semana pela diretoria do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), durante reunião com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona, que conheceu os resultados preliminares do Censo da Agricultura Orgânica no Norte Pioneiro.

O levantamento, financiado pelo Programa Universidade Sem Fronteira, da Seti, e pelo Fundo Paraná, é considerado o primeiro passo para uma pesquisa estadual mais ampla, prevista para 2026.

Estudo piloto revela o perfil dos produtores do Norte Pioneiro

A pesquisa foi coordenada pelo pesquisador Tiago dos Santos Telles, do IDR-Paraná, e contou com o apoio de 40 profissionais, entre extensionistas e bolsistas. A proposta surgiu a partir do desenvolvimento de uma ferramenta de gestão de custos voltada a propriedades orgânicas, quando se identificou a falta de dados específicos sobre o setor no Brasil.

Segundo Telles, “a única fonte disponível era o Censo Agropecuário, mas os dados estavam superestimados”. Assim, o grupo decidiu realizar um levantamento independente, partindo do cadastro nacional de produtores orgânicos (janeiro de 2024). Após filtragens, chegou-se a 776 entrevistados, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,5%.

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Homens acima dos 50 anos são maioria entre produtores orgânicos

O censo traçou um panorama detalhado do perfil dos produtores de orgânicos do Norte Pioneiro. Entre os principais resultados:

  • 72% dos responsáveis pela produção são homens, e 28% mulheres;
  • 75% vivem na área rural e 24% em áreas urbanas;
  • A maioria tem mais de 50 anos, indicando um envelhecimento do campo;
  • Em relação à escolaridade, 50% têm ensino fundamental, 29% ensino médio e 20% ensino superior.

O levantamento também coletou informações sobre assistência técnica, linhas de financiamento, custos de produção, mercados acessados, tipos de cultivos, uso de estufas e irrigação, equipamentos agrícolas, manejo de pragas e motivações para a produção orgânica — sendo que 66% dos entrevistados afirmaram produzir orgânicos para proteger a saúde da família.

Expansão estadual do censo será concluída em 2026

Impressionado com os resultados, o secretário Aldo Bona anunciou que o censo será ampliado para todo o Paraná em 2026, com previsão de conclusão até agosto.

O projeto receberá R$ 550 mil da Seti para dobrar o número de bolsistas, enquanto o IDR-Paraná destinará R$ 300 mil adicionais para agilizar o processo. “Queremos deixar esse levantamento como legado para o próximo governo, servindo de base para novas diretrizes de políticas públicas voltadas à produção orgânica”, afirmou Bona.

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Produção limpa e sucessão familiar são prioridades

Para o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, o projeto reforça o compromisso do estado com uma produção mais limpa, sustentável e tecnificada, que beneficia tanto a economia quanto a qualidade de vida dos agricultores.

“Esse diagnóstico mostra que o Paraná avança rapidamente em práticas agroecológicas, especialmente no Norte Pioneiro. Expandir esse trabalho para outras regiões, como a metropolitana de Curitiba, será essencial para aprofundar o conhecimento sobre o setor”, destacou Souza.

Ele também ressaltou que o envelhecimento dos produtores é uma das maiores preocupações atuais e que a agricultura orgânica pode ser um caminho para atrair os jovens de volta ao campo.

“Uma produção mais sustentável e rentável contribui para a sucessão familiar e garante o futuro da agricultura paranaense”, concluiu o diretor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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