AGRONEGÓCIO
Brasil Lidera Inovação na COP30 e consolida Agro de Baixo Carbono como Modelo Global
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Durante a COP30, realizada em Belém (PA), o Brasil apresentou ao mundo o livro “Ciência para o clima e soluções da agricultura brasileira”. A obra, organizada pela Embrapa, sintetiza décadas de pesquisas que posicionam o país como a maior vitrine de sustentabilidade tropical, comprovando que o manejo tecnológico é capaz de transformar o solo em um potente sequestrador de gases de efeito estufa (GEE).
Métricas de Precisão: O Diferencial da Agricultura Tropical
O balanço de carbono tornou-se um indicador estratégico para a competitividade do agro. Segundo a pesquisadora Beata Madari (Embrapa Arroz e Feijão), a capacidade de mensurar com exatidão o que é emitido e o que é capturado permite a certificação de cadeias produtivas.
“A avaliação do ciclo de vida permite comprovar que a agricultura tropical contribui diretamente para mitigar as mudanças climáticas”, afirma Madari. Para garantir essa confiabilidade, a Embrapa coordena o EPCS, o primeiro programa mundial de harmonização de análise de carbono no solo, envolvendo 176 laboratórios.
Plano ABC+: A Meta de 1 Bilhão de Toneladas de CO₂
O braço operacional desta transformação é o Plano ABC+ (2020–2030). A política pública visa expandir tecnologias sustentáveis para 72 milhões de hectares, com o objetivo de evitar a emissão de mais de 1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente até 2030. Entre as práticas de destaque estão:
- ILPF: Sistemas que integram lavoura, pecuária e floresta.
- Recuperação de Pastagens: Conversão de áreas degradadas em solos produtivos e ricos em matéria orgânica.
- Bioinsumos e Nitrogênio: Uso de fixação biológica e insumos microbianos que reduzem a dependência de fertilizantes sintéticos.
Pecuária de Baixa Emissão e Ganho de Eficiência
A pecuária brasileira é um dos setores que mais evoluiu. Nos últimos 20 anos, a área de pastagens reduziu 11%, enquanto a produtividade quase dobrou. Atualmente, pesquisas da Embrapa indicam que dietas com óleos vegetais, leguminosas e inibidores como o 3-NOP podem reduzir em até 48% as emissões de metano entérico, sem prejudicar o desempenho do rebanho.
Tecnologia no Campo: Biochar e Fertilizantes Inteligentes
A inovação chega ao dia a dia do produtor através de novas ferramentas:
- Biochar: Carvão vegetal que armazena carbono no solo por séculos.
- Ureia Tratada: Fertilizantes com inibidores que reduzem em 50% as emissões de óxido nitroso ($N_2O$).
- Bioinsumos: Soluções que evitam a emissão de cerca de 300 kg de $CO_2eq$ por hectare ao ano.
Digitalização e Mercado de Crédito de Carbono
Para assegurar a transparência exigida pelo mercado internacional, o Brasil utiliza ferramentas de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV), como o AgroTag MRV e o SatVeg. Esses sistemas digitais facilitam a inserção de produtores em mercados de crédito de carbono e garantem a rastreabilidade ambiental do produto brasileiro.
Ao unir ciência e políticas públicas, o Brasil demonstra que a neutralidade climática caminha junto com a segurança alimentar e a rentabilidade do produtor rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.
A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.
Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.
No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.
A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.
Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.
Isan Rezende, presidente do IA
A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.
Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.
“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.
Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.
“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.
Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.
“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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