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Avanço da colheita no principal estado produtor amplia pressão sobre preços

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O avanço acelerado da colheita da soja em Mato Grosso começou a produzir efeitos diretos sobre o mercado. Levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que os trabalhos alcançaram 39,61% da área semeada até 6 de fevereiro, alta semanal de 14,64 pontos porcentuais e ritmo superior ao registrado no mesmo período da safra passada, quando o índice era de 28,58%.

Na comparação anual, o percentual colhido supera em 11,03 pontos porcentuais o observado em fevereiro de 2025. O médio-norte lidera o avanço, com 58,63% da área colhida, seguido pelo norte (50,72%), oeste (49,74%) e noroeste (44,19%). Centro-sul (29,63%), nordeste (23,02%) e sudeste (19,71%) apresentam ritmo mais lento.

O aumento da oferta física do grão ocorre em meio a perspectivas de safra cheia no país. A produção brasileira deve se aproximar de 180 milhões de toneladas, com bom desempenho produtivo em Mato Grosso e no Paraná. O quadro amplia a disponibilidade global e limita movimentos de alta nas cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT).

Mesmo com a forte demanda externa — os embarques brasileiros de janeiro superaram em 129% o volume registrado no mesmo mês do ano passado — agentes de mercado já observam recuo nos prêmios de exportação com a entrada mais intensa do produto nos armazéns e portos.

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No mercado doméstico, o câmbio reforça a pressão. A valorização do real, negociado abaixo de R$ 5,30 por dólar, levou as cotações em Mato Grosso para níveis inferiores a R$ 100 por saca em algumas praças. Simulações do Itaú BBA indicam que, com dólar a R$ 4,50, o valor poderia cair abaixo de R$ 90, evidenciando a forte correlação entre taxa de câmbio e renda do produtor.

O avanço da colheita também acelera o plantio do milho de segunda safra. A semeadura atingiu 28,30% da área estimada no Estado, contra 23,46% no mesmo período do ciclo anterior. Médio-norte (38,23%) e norte (32,78%) concentram os maiores percentuais.

No algodão, o plantio chegou a 89,91% da área projetada, acima dos 79,56% registrados um ano antes. O norte apresenta o maior índice (92,00%), seguido pelo médio-norte (90,64%) e nordeste (89,31%).

A boa safra também pressiona a logística. O aumento da procura por transporte rodoviário elevou os fretes e reduz margens do produtor, que ainda mantém cerca de dois terços da produção sem comercialização, à espera de recuperação de preços (veja aqui).

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Fonte: Pensar Agro

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Preços do trigo sobem no Brasil com oferta restrita e ajuste no mercado em abril

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O mercado brasileiro de trigo encerrou abril com valorização nas principais regiões produtoras, sustentado pela oferta restrita, firmeza dos vendedores e necessidade de recomposição de estoques por parte dos moinhos. O movimento reflete um ajuste no mercado interno, especialmente diante da menor disponibilidade no Sul e da crescente exigência por qualidade do grão.

Mercado interno: escassez e qualidade sustentam preços

A baixa oferta disponível nas regiões produtoras foi determinante para a sustentação das cotações ao longo do mês. A comercialização mais seletiva, com foco em lotes de melhor qualidade, também contribuiu para o cenário de valorização.

No Paraná, a média FOB interior avançou 3% em abril, alcançando R$ 1.407 por tonelada. Já no Rio Grande do Sul, o movimento foi mais expressivo, com alta de 8%, elevando a referência para R$ 1.295 por tonelada.

O comportamento reforça um mercado mais ajustado, com menor volume disponível e maior rigor na negociação, principalmente em relação ao padrão do produto.

Acumulado de 2026 mostra recuperação relevante

No primeiro quadrimestre de 2026, a alta acumulada dos preços é significativa, indicando uma mudança importante na dinâmica do mercado desde o início do ano:

  • Paraná: +20%
  • Rio Grande do Sul: +25%
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Apesar da recuperação no curto prazo, na comparação anual as cotações ainda permanecem abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano anterior, com recuos de 9% no Paraná e 10% no Rio Grande do Sul.

Esse cenário evidencia que o mercado doméstico reage aos fundamentos internos, mas ainda enfrenta limitações impostas pelo ambiente externo.

Mercado externo: referência argentina e incertezas de qualidade

A Argentina segue como principal referência para a formação de preços do trigo no Brasil. Em abril, as indicações nominais para o produto com teor de proteína acima de 11,5% permaneceram estáveis, ao redor de US$ 240 por tonelada.

No entanto, o cenário internacional aponta para possíveis ajustes. O trigo hard norte-americano registrou valorização de 7,8% no mês e acumula alta de 27% em 2026, sinalizando pressão altista global.

Além disso, persistem incertezas quanto ao padrão de qualidade do trigo argentino disponível para exportação, o que pode influenciar diretamente a competitividade e os preços no mercado regional.

Câmbio limita repasse da alta internacional

Apesar do viés altista nos fundamentos domésticos e da pressão externa, o câmbio tem atuado como principal fator de contenção para os preços no Brasil.

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A valorização do real frente ao dólar reduz a paridade de importação, limitando o repasse das altas internacionais para o mercado interno. Com isso, mesmo diante de um cenário global mais firme, os avanços nas cotações domésticas ocorrem de forma mais moderada.

Tendência: mercado segue sensível à oferta e ao câmbio

A perspectiva para o curto prazo é de manutenção de um mercado ajustado, com preços sustentados pela oferta restrita e pela demanda pontual dos moinhos.

No entanto, a evolução do câmbio e o comportamento das cotações internacionais seguirão sendo determinantes para a intensidade dos movimentos no Brasil, especialmente em um cenário de integração crescente com o mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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