AGRONEGÓCIO
Mercado de feijão mantém preços firmes e postura estratégica pós-Carnaval
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Feijão carioca opera em compasso de espera com liquidez reduzida
Na semana pós-Carnaval, o mercado de feijão carioca registrou movimentos de negociação moderados, com liquidez baixa nos pregões da madrugada, impactado pela semana encurtada pelo feriado e pela prioridade de vendas diretas por amostra e embarque.
Segundo Evandro Oliveira, analista e consultor da Safras & Mercado, essa movimentação não indica fraqueza de mercado, mas sim uma gestão estratégica da oferta pelos vendedores, que buscam preservar margens diante de preços historicamente elevados.
Os preços FOB de origem se mantiveram firmes:
- Interior paulista: até R$ 330/saca
- Norte Goiano e Sul do Paraná: até R$ 326/saca
- Leste Goiano: até R$ 312/saca para grão extra
Mesmo com pregões silenciosos, as negociações diretas impulsionaram a manutenção de preços elevados. Oliveira ressalta que a indústria manteve postura conservadora, comprando apenas o necessário para cumprir entregas programadas, mantendo estoques baixos e abrindo espaço para recomposição de posições a partir da próxima semana.
O analista aponta ainda que o ambiente atual reflete escassez real de oferta e atraso na colheita, com apenas 53,1% da área colhida, abaixo da média histórica, sustentando o viés altista no curto prazo.
Feijão preto apresenta valorização estruturada e negociações seletivas
No mercado de feijão preto, o cenário é diferente: embora haja valorização, o ritmo é mais cauteloso e seletivo. Segundo Oliveira, a retomada pós-feriado mostra preços consolidados que mantêm margens atrativas para o produtor, mas a liquidez permanece baixa.
Preços FOB por região:
- Interior paulista: até R$ 205/saca
- Sul do Paraná: até R$ 188/saca
- Oeste Catarinense: cerca de R$ 176/saca
A valorização do feijão preto é sustentada por manejo cuidadoso da oferta e foco no padrão Tipo 1. A postura de compras é granular e seletiva, com compradores avaliando a qualidade do grão antes de aceitar preços mais elevados, mantendo o mercado resiliente e alinhado aos fundamentos de estoque e produção, sem sinais de correção descendente no curto prazo.
Perspectivas do mercado
O cenário pós-Carnaval sugere que os preços estruturais do feijão devem se manter, impulsionados por atraso de colheita e gestão estratégica da oferta. Enquanto o feijão carioca apresenta movimentos mais acelerados e de maior valorização, o feijão preto segue um padrão técnico e estável, com atenção à qualidade do produto e margens do produtor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Com custos em alta, eficiência passa a definir competitividade no agro
A combinação de juros elevados, custos de produção pressionados, instabilidade geopolítica e preços mais baixos das commodities tem imposto desafios adicionais ao agronegócio brasileiro em 2026. Na Bahia, porém, produtores apostam em ganhos de produtividade, tecnologia e gestão para atravessar um dos cenários mais complexos dos últimos anos sem comprometer a expansão da atividade. A estratégia ganha relevância às vésperas da Bahia Farm Show, principal feira agrícola do Norte e Nordeste, que começa nesta semana em Luís Eduardo Magalhães.
O desafio não é pequeno. O aumento dos custos dos fertilizantes, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio e pela valorização do petróleo, se soma ao crédito rural mais caro e às incertezas sobre o comportamento do clima na próxima safra. Ao mesmo tempo, produtores convivem com margens mais apertadas diante da acomodação dos preços internacionais da soja, do milho e do algodão.
Mesmo assim, o agro baiano chega ao novo ciclo sustentado por um diferencial que tem chamado a atenção do setor: o avanço consistente da produtividade. No Oeste da Bahia, principal fronteira agrícola do estado, a produção de soja registrou recordes sucessivos de rendimento nos últimos anos, resultado da adoção de novas tecnologias, melhor manejo agronômico e investimentos em genética e agricultura de precisão.
Os números ajudam a explicar o otimismo cauteloso dos produtores. Em 2025, a Bahia colheu uma safra recorde superior a 12,8 milhões de toneladas de grãos, com crescimento de 12,8% sobre o ano anterior. A soja alcançou 8,6 milhões de toneladas, avanço de 14,3%, enquanto o milho cresceu 18,2%. O algodão, uma das principais culturas de exportação do estado, também ampliou sua produção.
Para a safra 2025/26, as projeções apontam um novo avanço. Levantamentos do setor indicam que a produção baiana de grãos e fibras poderá superar 14 milhões de toneladas, consolidando a liderança do estado dentro da região do Matopiba, considerada a principal fronteira de expansão agrícola do país.
O desempenho do campo já vem refletindo diretamente na economia estadual. Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia mostram que a agropecuária cresceu 12,4% no quarto trimestre de 2025, desempenho muito superior ao avanço de 2,3% registrado pelo Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia no mesmo período. O Valor Bruto da Produção agropecuária alcançou R$ 4,9 bilhões no trimestre, confirmando o papel do setor como principal motor da economia baiana.
Além das lavouras de grãos, outras cadeias vêm reforçando a diversificação do agro estadual. A produção de café avançou 5,1% em 2025, enquanto a cacauicultura registrou crescimento de 7%, beneficiada pela forte demanda internacional e pelos elevados preços da commodity. Na pecuária, o aumento dos abates e da produção de leite também contribuiu para sustentar a renda no interior do estado.
O principal desafio agora é manter a competitividade diante da escalada dos custos. Lideranças do setor avaliam que o produtor precisará ser ainda mais eficiente na gestão financeira, antecipando compras de insumos, reduzindo desperdícios e utilizando ferramentas de comercialização capazes de proteger margens. A palavra de ordem passou a ser planejamento.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com fatores que escapam ao controle das fazendas. O comportamento do clima, a volatilidade dos mercados internacionais e possíveis interrupções nas cadeias globais de fertilizantes continuam no radar dos produtores. Para especialistas, a capacidade de combinar produtividade elevada com gestão de risco será decisiva para determinar quem conseguirá atravessar o atual ciclo de incertezas.
Se há um consenso entre lideranças do setor, é que a Bahia deixou de competir apenas pela expansão de área. O avanço do agro estadual passa cada vez mais pela capacidade de produzir mais por hectare, com maior eficiência e menor custo. Em um ambiente de margens pressionadas, a produtividade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma condição de sobrevivência
Fonte: Pensar Agro
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