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Setor canavieiro do Nordeste cobra política de preços mínimos e apoio emergencial ao governo federal

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Produtores pedem inclusão da cana na Política de Garantia de Preços Mínimos

Os produtores de cana-de-açúcar do Nordeste intensificaram, nesta semana, as mobilizações em busca de apoio do governo federal para enfrentar a crise gerada pela queda dos preços internacionais após o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos.

O principal pedido do setor é a inclusão da cana-de-açúcar na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) — mecanismo criado em 1943 que assegura uma remuneração mínima aos produtores rurais quando os preços de mercado caem abaixo do custo de produção.

Atualmente, a cana é uma das poucas culturas agrícolas que ainda não contam com amparo da PGPM, o que, segundo os representantes do setor, agrava os impactos econômicos sobre os produtores nordestinos.

Reunião no Ministério da Fazenda discute medidas emergenciais

A pauta foi apresentada ao secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan, durante reunião realizada em Brasília na quarta-feira (25).

O encontro foi articulado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota (Republicanos/PB), e contou com a presença de lideranças das entidades canavieiras dos estados produtores do Nordeste, entre elas a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).

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Durante a reunião, o presidente da AFCP, Alexandre Andrade Lima, ressaltou que a adoção de uma política de preços mínimos poderia ter evitado a crise atual.

“Se a cana já estivesse incluída na PGPM, não precisaríamos recorrer a uma subvenção emergencial. Há critérios técnicos que justificam essa inclusão, mas até agora não houve avanço”, afirmou Lima.

Segundo ele, a ausência de políticas específicas para o setor e o aumento das tarifas sobre o açúcar exportado para os EUA provocaram queda drástica nas receitas das usinas e fornecedores da região.

Ministério da Fazenda promete analisar proposta

O secretário-executivo Dário Durigan demonstrou interesse em conhecer mais detalhes sobre a proposta e não descartou a possibilidade de uma subvenção emergencial para o setor.

Apesar disso, não foi definido um prazo para a análise do pleito. O gestor informou que será necessário um estudo técnico mais aprofundado antes de qualquer decisão.

A reunião foi considerada pelo setor como o primeiro passo de uma mobilização mais ampla junto ao governo federal, envolvendo outros ministérios e o Congresso Nacional.

Ministros manifestam apoio à proposta de subvenção

Após o encontro na Fazenda, os representantes das entidades canavieiras se reuniram com outros ministros em Brasília.

O grupo foi recebido pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que declarou apoio total à proposta de subvenção econômica.

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Na sequência, os líderes do setor também conversaram com os ministros da Defesa, José Múcio, das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, e dos Transportes, Renan Filho, que demonstraram apoio à reivindicação.

Segundo Alexandre Lima, o objetivo agora é ampliar a mobilização junto a parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, para garantir sustentação política à medida.

“Acreditamos na viabilidade da subvenção, como já aconteceu em outros períodos, durante os governos Lula e Dilma. Agora, trabalharemos para conquistar o respaldo do Legislativo e assegurar o apoio necessário à sua implementação”, destacou o presidente da AFCP.

Setor busca resposta rápida diante da crise

Com a queda dos preços internacionais e o impacto direto nas margens de rentabilidade dos produtores, o setor canavieiro nordestino defende uma resposta imediata do governo para evitar prejuízos maiores à economia regional.

As entidades esperam que a análise técnica do Ministério da Fazenda avance nas próximas semanas e que a pauta da subvenção econômica seja incluída nas discussões orçamentárias ainda no primeiro semestre de 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Entidade diz que o campo preserva, mas há excesso de regras travando os produtores

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A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) decidiu reagir às críticas sobre o impacto ambiental do agronegócio e levou ao debate público um conjunto de dados para sustentar que a produção agrícola no Brasil ocorre com preservação relevante dentro das propriedades rurais.

A iniciativa ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, especialmente em mercados internacionais, e busca reposicionar a narrativa com base em números do próprio campo.

Entre os dados apresentados, levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indica que 65,6% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa, enquanto a agricultura ocupa cerca de 10,8% da área total. A entidade usa o dado para reforçar que a produção ocorre em uma parcela limitada do território.

No recorte estadual, a Aprosoja-MT destaca um levantamento próprio que identificou mais de 105 mil nascentes em 56 municípios de Mato Grosso, com 95% delas preservadas dentro das propriedades rurais . O dado é usado como exemplo prático de conservação dentro da atividade produtiva.

A entidade também aponta que o avanço tecnológico tem permitido aumento de produção sem expansão proporcional de área. O Brasil deve colher mais de 150 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, mantendo a liderança global, com Mato Grosso respondendo por cerca de 40 milhões de toneladas.

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Segundo a Aprosoja-MT, práticas como plantio direto, rotação de culturas e uso de insumos biológicos têm contribuído para esse ganho de produtividade, reduzindo a pressão por abertura de novas áreas.

Isan Rezende, presidente do IA

A associação também cita investimentos em prevenção de incêndios dentro das propriedades e manejo de solo como parte da rotina produtiva, argumentando que a preservação é uma necessidade econômica, e não apenas uma exigência legal.

Na avaliação de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) a preservação ambiental no campo deixou de ser uma pauta teórica e passou a ser parte direta da gestão da propriedade rural. Segundo ele, o produtor brasileiro já incorporou práticas que garantem produtividade com conservação, muitas vezes acima do que é exigido.

“Quem está na lida sabe que sem água, sem solo bem cuidado e sem equilíbrio ambiental não existe produção. O produtor preserva porque precisa produzir amanhã. Isso não é discurso, é sobrevivência da atividade”, afirma.

Rezende aponta, no entanto, que o ambiente institucional ainda cria distorções que dificultam o reconhecimento desse esforço. Para ele, há excesso de exigências, insegurança jurídica e regras que mudam com frequência, o que acaba penalizando quem já produz dentro da lei.

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“O produtor cumpre, investe, preserva, mas continua sendo tratado como problema. Falta coerência. Quem está regular não pode continuar pagando a conta de um sistema que não diferencia quem faz certo de quem está fora da regra”, diz.

Na avaliação do dirigente, o debate sobre sustentabilidade no Brasil precisa avançar com base em dados e realidade de campo, e não em generalizações. Ele defende que o país já possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas enfrenta falhas na aplicação e na comunicação dessas informações.

“O Brasil tem uma das produções mais eficientes e sustentáveis do planeta. O que falta é organização e clareza nas regras, além de uma comunicação mais firme para mostrar o que já é feito dentro da porteira”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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