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Ambulatório de endometriose no Acre atendeu mais de 160 mulheres em menos de um ano e traduz compromisso público com o bem-estar das mulheres

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“A parte mais difícil é lidar com os sintomas. É preciso um esforço extra para conviver com as dores e com a dificuldade de manter um estilo de vida que ajude a amenizar tudo isso”, relata Beatriz Mendonça, de 23 anos. Seu depoimento traduz a realidade de muitas mulheres que enfrentam a endometriose — uma condição ginecológica inflamatória e crônica caracterizada pelo crescimento do tecido que reveste o útero fora da cavidade uterina.

Estima-se que cerca de oito milhões de mulheres no Brasil convivam com a endometriose, o que reforça a importância de dar visibilidade ao tema. Neste 13 de março, é celebrado o Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, data que integra o “Março Amarelo”, mês dedicado à conscientização sobre a doença.

Secretaria de Estado de Saúde tem intensificado a atenção às políticas públicas e às ações voltadas para amenizar os impactos da endometriose na vida feminina. Foto: cedida

Pensando nas mulheres que enfrentam essa condição, a Secretaria de Estado de Saúde tem intensificado a atenção às políticas públicas e às ações voltadas para amenizar os impactos da endometriose na vida feminina.

Como parte desse compromisso, em abril do ano passado, o governo do Acre inaugurou um ambulatório exclusivo para diagnóstico e tratamento da doença na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre). A iniciativa representa um avanço significativo na política estadual de atenção à saúde da mulher, garantindo acolhimento e cuidado especializado a quem mais precisa.

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De abril do ano passado até fevereiro deste ano, o ambulatório realizou 162 atendimentos a mulheres que convivem com a endometriose, uma condição frequentemente subdiagnosticada ou identificada tardiamente.

Estima-se que cerca de oito milhões de mulheres no Brasil convivam com a endometriose. Foto: internet

‘Doença invisível’

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres e meninas em idade reprodutiva em todo o mundo, o que representa mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, o SUS oferece atendimento integral às pacientes com a doença e registrou um aumento de 30% nos diagnósticos na Atenção Primária, passando de 115.131 atendimentos em 2022 para 144.971 em 2024. Somente nos dois últimos anos (2023 e 2024), foram realizados mais de 260 mil atendimentos.

Na Atenção Especializada, o SUS contabilizou um crescimento de 70% nos atendimentos por endometriose, que saltaram de 31.729 em 2022 para 53.793 em 2024. Entre 2023 e 2024, foram registrados 85,5 mil atendimentos. Também houve aumento de 32% nas internações, passando de 14.795 em 2022 para 19.554 em 2024. No mesmo período (2023 e 2024), o total chegou a 34,3 mil internações.

Beatriz buscou atendimento especializado privado e comemora os avanços do debate sobre a doença nos últimos anos. Foto: cedida

Ampliação do diálogo

Beatriz de Souza Mendonça descobriu a endometriose aos 21 anos, mantendo sua rotina de exames em dia, já que sua mãe também convive com a doença. Assim como acontece com muitas mulheres, o primeiro desafio foi obter o diagnóstico.

“Só fui descobrir que tinha mesmo quando procurei uma médica diferente, que solicitou uma ressonância magnética. Um dos sintomas que mais me afeta é a fadiga e o cansaço constante. Mesmo com exames mostrando vitaminas e hormônios equilibrados, ainda sinto muita indisposição”, relata.

O depoimento da jovem escancara a realidade de milhares de mulheres que convivem com dores incapacitantes e de difícil compreensão. O impacto não se limita à saúde física: muitas vezes atinge também a vida social e profissional.

“A endometriose, por ser uma doença crônica e dolorosa, traz efeitos psicológicos que nem sempre são considerados. A dor e o cansaço excessivo afetam o emocional e, consequentemente, a vida social e afetiva. Muitas vezes não tenho disposição para ver meus amigos; às vezes as dores surgem de repente e tudo que eu quero é deitar na minha cama”, desabafa.

Equidade

Beatriz recorreu ao atendimento privado para conseguir um diagnóstico mais rápido, mas a realidade de muitas mulheres é diferente: há pacientes que esperam mais de sete anos por respostas, tornando o processo ainda mais doloroso e desgastante.

É nesse ponto que o poder público atua para ampliar o acesso e garantir que o serviço chegue ao maior número possível de mulheres.

“Acho que a ampliação do atendimento especializado pelo SUS é essencial. O tratamento da endometriose deve ser encarado como prioridade, tanto pela quantidade de pessoas que sofrem com ela quanto pelo impacto profundo que causa na vida dessas mulheres”, reforça.

Ginecologista Fernanda Bardi está à frente do atendimento. Foto: Luanna Lins/Fundhacre

Cirurgias futuras

A ginecologista Fernanda Bardi, responsável pelo atendimento no ambulatório, explica que as pacientes são acompanhadas semanalmente e, aquelas que necessitam de intervenção cirúrgica, entram em uma fila específica.

“Nas próximas semanas vamos iniciar as cirurgias de endometriose pelo SUS. O tratamento cirúrgico adequado é realizado por via minimamente invasiva, seja videolaparoscópica ou robótica. A videolaparoscópica já está disponível na Fundação Hospitalar e, futuramente, teremos também a robótica. Assim, poderemos tratar cada vez mais mulheres que sofrem com dor pélvica crônica, dor menstrual, dor durante a relação sexual e infertilidade”, esclarece.

No ambulatório, as pacientes recebem orientação sobre a doença e os próximos passos do tratamento.

“O tratamento clínico começa já no ambulatório, com prescrição de medicamentos, encaminhamento para fisioterapia pélvica e acompanhamento com coloproctologista, quando indicado”, acrescenta.

Sinais de alerta

Entre os principais sintomas da endometriose estão: cólica menstrual intensa, dor pélvica crônica, dor durante a relação sexual, infertilidade e queixas intestinais ou urinárias com padrão cíclico.

Para ter acesso ao Ambulatório de Endometriose da Fundação Hospitalar, a paciente deve primeiro procurar à atenção básica nas UBS, onde o médico fará o encaminhamento para a Fundação Hospitalar, referenciando-a para o ambulatório.

No ambulatório, as pacientes recebem orientação sobre a doença e os próximos passos do tratamento. Foto: cedida

Saiba o que o SUS já oferece

Na rede pública de saúde, as mulheres contam com tratamento clínico e cirúrgico.

No primeiro caso, é ofertada terapia hormonal, como o uso de progestágenos e medicamentos hormonais, como contraceptivos orais combinados (COCs) e análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH). Além disso, analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para controle da dor. Vale destacar que as mulheres também contam com acompanhamento multidisciplinar.

Nos casos em que a cirurgia é indicada, estão disponíveis procedimentos como videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva para a remoção de focos de endometriose, também usada para diagnóstico quando necessário; a laparotomia, cirurgia aberta para casos mais complexos; e a histerectomia, que consiste na remoção do útero, sendo recomendada apenas em situações específicas e após avaliação criteriosa.

Nas mulheres que têm a doença, o tecido semelhante ao endométrio (que reveste o útero) cresce fora do útero em órgãos como ovários, intestino e bexiga, o que causa reações inflamatórias.

Para Beatriz, que luta contra a doença há anos, a ampliação desse atendimento cobre uma necessidade que garante dignidade à mulher que precisa viver com a condição.

“Espero que futuramente se amplie o diálogo e conscientização sobre a endometriose porque é uma doença que afeta muitas mulheres, que às vezes nem chegam a receber o diagnóstico. Também tenho esperança que haja um aumento no número de pesquisas e que seja possível melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com essa doença”, relata.

Principais Avanços e Propostas Legislativas:

Conscientização: A Lei 14.324/2022 visa informar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento;

Licença Menstrual/Trabalho (PL 1.919/2025): Em tramitação, propõe licença de até 3 dias por mês para estudantes com dores graves, e projetos similares buscam garantir direitos trabalhistas.

Prioridade e Acesso (PL 762/2025): Busca garantir atendimento rápido no SUS e início do tratamento em até 30 dias após diagnóstico. PL ainda está em andamento na Câmara Federal.

Fonte: Governo AC

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Opera Acre projeta mais de 650 cirurgias em maio e amplia atendimento especializado em todas as regionais do estado

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Levar cirurgia especializada para mais perto da população deixou de ser apenas uma meta da saúde pública acreana para se tornar uma das principais estratégias do governo do Estado na redução das filas e no fortalecimento da assistência em regiões historicamente marcadas por desafios de acesso.

Equipes atuarão nos mutirões todos os fins de semana. Foto: cedida

Somente ao longo do mês de maio, o programa Opera Acre prevê a realização de mais de 650 cirurgias eletivas em unidades da capital e do interior. Entre os dias 9 e 15 de maio, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) estima a execução de 209 procedimentos cirúrgicos em diferentes regionais, ampliando atendimentos especializados e reduzindo a necessidade de deslocamentos de pacientes para Rio Branco.

“O Opera Acre é uma determinação da governadora Mailza Assis para que a saúde continue chegando a quem mais precisa, inclusive às pessoas que vivem em municípios distantes e regiões de difícil acesso. Nosso compromisso é descentralizar os serviços, reduzir o tempo de espera e garantir dignidade aos pacientes que aguardam por uma cirurgia. O Acre possui desafios logísticos muito específicos, e ampliar esses atendimentos para diferentes regionais significa aproximar o cuidado da população”, destacou o secretário de Estado de Saúde, José Bestene.

José Bestene, secretário de estado de saúde do Acre. Foto: Foto: Aleksandro Soares/Saneacre

Desenvolvido pelo governo do Acre, por meio da Sesacre, em parceria com o Complexo Regulador Estadual e o Núcleo de Regulação de Cirurgias, o Opera Acre vem consolidando uma das maiores estratégias de fortalecimento da assistência cirúrgica da rede pública estadual. Além de ampliar o número de procedimentos realizados, o programa também fortalece a regionalização da saúde ao permitir que pacientes realizem cirurgias mais próximas de seus municípios de origem.

Em um estado com grandes distâncias territoriais, áreas de difícil acesso e comunidades isoladas em diferentes períodos do ano, descentralizar procedimentos especializados representa não apenas agilidade no atendimento, mas também redução do desgaste físico, emocional e financeiro enfrentado por milhares de famílias acreanas.

Na Regional do Juruá, entre os dias 9 e 15 de maio, estão previstas 112 cirurgias. No Hospital da Mulher e da Criança do Juruá (HMCJ), em Cruzeiro do Sul, serão realizados procedimentos ginecológicos de alta complexidade. Já o Hospital Dr. Abel Pinheiro, em Mâncio Lima, concentrará cirurgias ginecológicas e gerais, totalizando 72 pacientes atendidos durante a programação. Em Tarauacá, o Hospital Dr. Sansão Gomes também participa da ação com 36 procedimentos cirúrgicos previstos no período.

Pacientes de todas as regionais serão alcançados este mês.  Foto: Marcos Santos/Secom

Na Regional do Baixo Acre, estão programadas 97 cirurgias durante a mesma semana. Na Fundhacre, em Rio Branco, serão realizados procedimentos oncológicos, ginecológicos, plásticos reparadores e vasculares. O Hospital Ary Rodrigues, em Senador Guiomard, mantém funcionamento contínuo dentro do Opera Acre, ofertando cirurgias gerais, ginecológicas e procedimentos em proctologia, com média aproximada de 70 pacientes atendidos semanalmente.

A coordenadora do programa Opera Acre, Shirley Nascimento, ressaltou que o fortalecimento da assistência regionalizada tem acelerado os atendimentos e reduzido impactos sociais enfrentados por pacientes que aguardam cirurgias eletivas.

“Quando conseguimos levar os procedimentos para mais perto da população, diminuímos o desgaste físico, emocional e financeiro enfrentado pelos pacientes e suas famílias. O Opera Acre trabalha justamente nessa perspectiva de ampliar o acesso de forma regionalizada, garantindo mais agilidade, conforto e resolutividade aos usuários do SUS em todas as regionais do estado”, afirmou.

Além da redução das filas, a ampliação das cirurgias eletivas contribui diretamente para evitar agravamentos clínicos, reduzir demandas reprimidas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes atendidos pela rede pública estadual.

Com a continuidade da programação ao longo de maio, a expectativa da Sesacre é manter o avanço dos atendimentos especializados em todas as regionais do Acre, fortalecendo uma política pública voltada à ampliação do acesso, descentralização dos serviços e fortalecimento da assistência cirúrgica no estado.

Fonte: Governo AC

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