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Etanol avança no Brasil: preços sobem na safra 2025/26 e produção deve crescer em 2026/27

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O mercado brasileiro de etanol encerrou a safra 2025/26 com valorização nos preços médios e inicia o novo ciclo com perspectivas de expansão na produção e no consumo. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e análises de consultorias indicam um cenário de fortalecimento do biocombustível, com impactos diretos também sobre a produção e exportação de açúcar.

Preços do etanol registram alta na safra 2025/26

No acumulado da safra 2025/26, entre abril de 2025 e março de 2026, os preços médios do etanol em São Paulo ficaram acima dos registrados na temporada anterior.

O etanol hidratado apresentou média de R$ 2,7805 por litro, com alta real de 6,52% em relação ao ciclo 2024/25. Já o etanol anidro registrou média de R$ 3,1291 por litro, avanço de 6,21% na mesma base de comparação, considerando valores deflacionados pelo IGP-M de março.

Mesmo com a valorização, o volume comercializado de etanol hidratado pelas usinas paulistas recuou 28% frente à safra anterior. O mês de maio de 2025 concentrou o maior volume de negociações, enquanto julho apresentou o menor nível de vendas.

Competitividade nas bombas sustenta consumo

Ao longo da safra, o etanol manteve vantagem competitiva frente à gasolina em São Paulo. A relação entre o preço do hidratado e da gasolina C permaneceu abaixo de 70%, patamar considerado favorável ao consumo do biocombustível.

Esse cenário contribuiu para sustentar a demanda e reforçar a presença do etanol como alternativa econômica ao consumidor brasileiro.

Safra 2026/27 começa com cautela no setor

A safra 2026/27, iniciada oficialmente em 1º de abril, deve ser conduzida sob um ambiente de maior cautela. Entre os principais fatores de atenção estão a volatilidade nos preços do petróleo, o avanço da produção de etanol a partir do milho e os desdobramentos de conflitos geopolíticos no mercado internacional.

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Esses elementos tendem a influenciar diretamente as estratégias das usinas ao longo do ciclo.

As estimativas iniciais indicam moagem entre 625 e 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, o que representa crescimento entre 3% e 4% em relação à safra anterior.

Produção de etanol deve crescer com demanda aquecida

A produção total de etanol no Brasil deve ganhar força na safra 2026/27, podendo se aproximar de 43 bilhões de litros, considerando os volumes de etanol hidratado e anidro.

O avanço será impulsionado pela demanda interna aquecida e pela ampliação da mistura obrigatória de etanol à gasolina. O crescimento da produção de cana no Centro-Sul também reflete investimentos realizados em tratos culturais na safra anterior.

Aumento da mistura à gasolina amplia consumo

A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina tem papel decisivo na expansão da demanda.

A mudança para E30, implementada em agosto do ano passado, já impactou o consumo. A expectativa agora é de avanço para E35 ao longo de 2026, o que deve intensificar ainda mais a utilização do biocombustível.

Segundo estimativas do mercado, cada ponto percentual adicional na mistura pode gerar aumento de cerca de 920 milhões de litros na demanda anual. Com isso, uma elevação de cinco pontos percentuais pode ampliar o consumo em aproximadamente 4,6 bilhões de litros em 12 meses.

Inicialmente, a transição de E27 para E30 projetava aumento de 1,65 bilhão de litros, mas o aquecimento no consumo de gasolina elevou essa estimativa para 2,76 bilhões de litros.

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Usinas devem priorizar etanol e reduzir exportações de açúcar

Diante de condições mais favoráveis ao etanol, as usinas brasileiras tendem a redirecionar o mix produtivo na safra 2026/27, priorizando o biocombustível.

Como consequência, as exportações de açúcar devem recuar de forma significativa. A projeção indica queda próxima de 15%, com os embarques passando de 33,8 milhões para cerca de 29 milhões de toneladas.

O movimento reflete uma estratégia voltada ao atendimento do mercado interno, impulsionada pela maior competitividade do etanol.

Produção de cana cresce, mas açúcar deve recuar

A produção brasileira de cana-de-açúcar deve atingir 677,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 3,15% em relação ao ciclo anterior.

A região Centro-Sul continuará liderando o avanço, com moagem estimada em 620 milhões de toneladas, crescimento de 3,7%. Já as regiões Norte e Nordeste devem apresentar retração de 2,2%, com produção total de 57,7 milhões de toneladas.

Apesar do aumento na moagem, a produção de açúcar deve cair 7,36%, totalizando cerca de 40,3 milhões de toneladas, refletindo a priorização do etanol no mix das usinas.

Brasil reforça protagonismo no mercado de biocombustíveis

O cenário projetado para a safra 2026/27 evidencia uma mudança estratégica no setor sucroenergético brasileiro. Com maior foco na produção de etanol, o país fortalece sua posição como um dos principais players globais de biocombustíveis.

Ao mesmo tempo, o ajuste no mix produtivo reduz a participação brasileira no mercado internacional de açúcar, em linha com a crescente demanda interna e a competitividade do etanol no setor energético.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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