AGRONEGÓCIO
Mercado de trigo enfrenta pressão de custos logísticos no Brasil e queda nas cotações internacionais
AGRONEGÓCIO
Custos logísticos e baixa oferta limitam negociações no Sul
O mercado de trigo na Região Sul do Brasil segue com negociações pontuais e baixa liquidez, influenciado principalmente pelos custos logísticos e pela disponibilidade restrita do produto.
Segundo a TF Agroeconômica, o cenário atual reflete fatores sazonais, como a colheita de outras culturas, além da postura cautelosa de compradores e vendedores.
No Rio Grande do Sul, as negociações estão mais lentas, já que muitos produtores estão focados na colheita da soja. A oferta reduzida se soma à retração dos moinhos, que evitam compras diante dos altos custos de frete. Os preços no interior variam entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada, com registros pontuais de negócios a R$ 1.300 CIF. Já os vendedores pedem cerca de R$ 1.350, o que dificulta novos fechamentos.
O volume negociado segue baixo, e o trigo importado perdeu espaço recentemente, sem ofertas da Argentina. Há, no entanto, previsão de chegada de produto uruguaio em Porto Alegre. No mercado interno, o preço ao produtor apresentou alta de 3,51% em Panambi, atingindo R$ 59 por saca.
Santa Catarina e Paraná enfrentam dificuldades de repasse de custos
Em Santa Catarina, o abastecimento depende principalmente do trigo gaúcho, acrescido de frete e ICMS, além da produção local. Os preços giram em torno de R$ 1.300 CIF, com oferta reduzida. No mercado de balcão, as cotações permanecem estáveis, variando entre R$ 59 e R$ 68 por saca, conforme a região.
No Paraná, as negociações seguem em torno de R$ 1.350 CIF, enquanto vendedores já pedem até R$ 1.400, mas sem fechamento nesses níveis. Compradores relatam dificuldade para repassar os custos, o que limita o avanço das negociações.
A presença de trigo do Rio Grande do Sul e do Paraguai pressiona os preços, enquanto o produto argentino segue ausente. O trigo paraguaio tem sido ofertado entre US$ 260 e US$ 262 posto em Ponta Grossa.
Queda em Chicago intensifica pressão sobre o mercado
No cenário internacional, o mercado de trigo iniciou a sessão desta quarta-feira (8) com forte queda na Chicago Board of Trade (CBOT), ampliando o movimento negativo das últimas sessões.
Na abertura, os contratos registraram recuos de 16 pontos:
- Maio/2026: US$ 5,81 por bushel
- Julho/2026: US$ 5,91 por bushel
- Setembro/2026: US$ 6,05 por bushel
A desvalorização reflete a pressão vendedora no mercado global, diante de uma oferta considerada suficiente e da forte competitividade entre grandes exportadores, o que dificulta a sustentação de preços mais elevados.
Fundos e cenário global ampliam volatilidade
O comportamento dos fundos de investimento também tem impacto direto nas cotações, com liquidações de posições intensificando as quedas em momentos de maior sensibilidade do mercado.
De acordo com análises da Safras & Mercado, o trigo segue inserido em um ambiente de incerteza, no qual fatores como oferta global, condições climáticas e demanda internacional continuam sendo determinantes para a formação dos preços.
Mesmo com recuperações pontuais, o mercado ainda não apresenta fundamentos sólidos para sustentar uma tendência consistente de alta.
Mercado brasileiro segue cauteloso e com baixa liquidez
No Brasil, o cenário permanece de cautela. Os moinhos estão relativamente abastecidos no curto prazo, enquanto produtores adotam postura mais retraída, acompanhando a queda internacional e o comportamento do câmbio antes de fechar novos negócios.
Esse contexto mantém a liquidez limitada e exige atenção dos agentes do setor, já que o mercado segue altamente sensível a mudanças no equilíbrio entre oferta e demanda.
Tendência é de atenção redobrada no curto prazo
A combinação de custos logísticos elevados, baixa disponibilidade interna e pressão externa nas cotações reforça um momento delicado para o mercado de trigo.
No curto prazo, a tendência é de manutenção da volatilidade, com os preços reagindo rapidamente a fatores como movimentação dos fundos, variações cambiais e novas projeções de oferta global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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