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Soja oscila em Chicago com volatilidade global, pressão de oferta e sinais de demanda enfraquecida

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O mercado internacional da soja opera com forte volatilidade nesta quarta-feira (15), alternando momentos de alta e queda na Bolsa de Chicago (CBOT). Os preços refletem uma combinação de fatores técnicos, avanço da safra nos Estados Unidos, aumento da oferta global e sinais de enfraquecimento da demanda, especialmente por parte da China.

Soja sobe em Chicago acompanhando milho e óleo, mas cenário segue incerto

Nas primeiras horas do dia, os contratos futuros da oleaginosa registraram alta moderada, acompanhando os ganhos do milho e do óleo de soja. Por volta das 7h15 (horário de Brasília), os principais vencimentos avançavam entre 4 e 6 pontos.

O contrato com vencimento em maio era cotado a US$ 11,64 por bushel, enquanto o de julho atingia US$ 11,78 por bushel.

Apesar da reação positiva, o mercado segue sem uma tendência definida. A movimentação é influenciada por fatores externos, como oscilações no preço do petróleo, variações cambiais e o ritmo do plantio da nova safra norte-americana.

Avanço do plantio nos EUA pressiona cotações da soja

Por outro lado, o mercado também registrou quedas recentes diante de fundamentos mais baixistas. O relatório de progresso de safra do USDA apontou que o plantio de soja nos Estados Unidos já alcança 6% da área, superando as expectativas do mercado.

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Esse avanço reforça a perspectiva de uma safra robusta, contribuindo para pressionar os contratos futuros negociados em Chicago.

Oferta global elevada amplia pressão sobre os preços

Outro fator relevante é o aumento da estimativa da produção brasileira. Dados recentes indicam safra de 179,15 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como um dos principais vetores de oferta global.

O cenário de ampla disponibilidade de produto no mercado internacional contribui para limitar movimentos de alta e intensificar a volatilidade dos preços.

Importações da China abaixo do esperado impactam demanda

A demanda também trouxe sinais negativos ao mercado. As importações chinesas de soja somaram 4,02 milhões de toneladas em março, volume abaixo das expectativas dos agentes.

O desempenho mais fraco da China, principal compradora global da oleaginosa, reforça a cautela e adiciona pressão sobre as cotações internacionais.

Indicadores macroeconômicos e dados de esmagamento seguem no radar

Além dos fundamentos de oferta e demanda, os investidores acompanham novos indicadores, como os dados de esmagamento de soja nos Estados Unidos, divulgados pela NOPA, e indicadores macroeconômicos globais.

Esses fatores, somados a movimentos técnicos de correção, ajudam a explicar as oscilações recentes do mercado.

Cenário no Brasil mistura avanço da colheita e desafios logísticos

No Brasil, o andamento da safra apresenta realidades distintas entre as regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, a colheita atinge cerca de 38%, mas a irregularidade das chuvas reduziu a produtividade média para 2.871 kg por hectare.

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Em Santa Catarina, os trabalhos avançam sem grandes problemas climáticos, apesar de interrupções pontuais em portos. Já no Paraná, a elevada produção pressiona preços e logística, diante de limitações na capacidade de armazenagem.

Centro-Oeste enfrenta preços baixos, frete elevado e gargalos estruturais

Na região Centro-Oeste, os desafios estão relacionados à comercialização e à infraestrutura. Em Mato Grosso do Sul, o ritmo de vendas segue lento, enquanto em Mato Grosso há queda generalizada dos preços.

O cenário reflete a combinação de oferta elevada, custos logísticos altos — especialmente com frete e diesel — e limitações estruturais de armazenagem, fatores que seguem impactando a rentabilidade dos produtores.

Mercado segue volátil e sensível a fatores externos

Com fundamentos mistos, o mercado da soja deve continuar operando com volatilidade no curto prazo. A combinação entre oferta global elevada, demanda incerta e influência de variáveis externas mantém o cenário indefinido para os preços na CBOT.

A tendência, por ora, segue dependente de novos dados de mercado e do comportamento dos principais drivers globais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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