AGRONEGÓCIO
Açúcar reage no mercado internacional, mas preços no Brasil seguem pressionados e etanol amplia perdas
AGRONEGÓCIO
O mercado global de açúcar registrou leve recuperação nesta quinta-feira (16), interrompendo a sequência recente de desvalorizações e sinalizando um movimento de ajuste técnico nas cotações.
Na bolsa de Nova York, os contratos do açúcar bruto fecharam em alta, conforme dados do Investing.com. O contrato com vencimento em maio/26 avançou 0,15 centavo, encerrando a 13,66 cents de dólar por libra-peso. O julho/26 subiu 0,10 centavo, cotado a 13,80 cents/lbp, enquanto o outubro/26 registrou alta de 0,11 centavo, fechando a 14,20 cents/lbp. Os vencimentos mais longos também acompanharam o movimento positivo.
Açúcar branco também registra valorização na bolsa de Londres
Na ICE Europe, o açúcar branco seguiu a mesma tendência de recuperação. O contrato agosto/26 teve alta de US$ 6,00, sendo negociado a US$ 418,30 por tonelada.
Já o contrato outubro/26 subiu US$ 3,60, alcançando US$ 416,80 por tonelada, enquanto o dezembro/26 avançou US$ 2,40, encerrando a US$ 418,40 por tonelada. Os demais vencimentos também apresentaram ganhos moderados ao longo do dia.
Mercado interno segue em queda e amplia perdas no mês
Apesar da reação no cenário externo, o mercado físico brasileiro continua pressionado. O indicador do açúcar cristal branco em São Paulo, calculado pelo CEPEA/ESALQ, registrou queda de 0,23% nesta quinta-feira (16), com a saca de 50 quilos negociada a R$ 99,14.
No acumulado de abril, o indicador apresenta recuo de 5,99%, refletindo a continuidade da pressão sobre os preços internos, mesmo diante da recuperação internacional.
Etanol registra nova queda e acumula forte retração em abril
O mercado de etanol também segue em trajetória de baixa. No estado de São Paulo, o Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.685,50 por metro cúbico, com queda diária de 0,92%.
No acumulado do mês, a retração já chega a 11,30%, reforçando o cenário desfavorável para o biocombustível neste início de abril.
Oferta global e petróleo influenciam comportamento do mercado
De acordo com análise do portal Notícias Agrícolas, com base em dados da Barchart, os preços do açúcar vêm sendo pressionados nas últimas semanas pela expectativa de maior oferta global e demanda mais fraca.
Por outro lado, a recente alta do petróleo contribuiu para um movimento de cobertura de posições vendidas, oferecendo suporte às cotações internacionais.
Além disso, o avanço dos preços da energia influencia diretamente o mix de produção das usinas. Com o petróleo em alta, o etanol tende a ganhar competitividade, incentivando o direcionamento da cana para o biocombustível e reduzindo a oferta de açúcar no mercado, fator que pode impactar os preços no médio prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Renegociação de dívidas rurais avança no Congresso e pode liberar até R$ 10 milhões por produtor
A aprovação do Projeto de Lei 5122/2023 pelo Senado Federal reacendeu a expectativa do setor agropecuário por uma solução para o crescente endividamento dos produtores rurais brasileiros. A proposta, que cria uma linha especial de refinanciamento de dívidas rurais, retornará à Câmara dos Deputados para análise das alterações realizadas pelos senadores antes de seguir para eventual sanção presidencial.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) manifestou apoio à aprovação definitiva do projeto, destacando que a medida pode representar um importante instrumento para recomposição financeira do setor produtivo em um momento marcado por rentabilidade reduzida, custos elevados e restrições de acesso ao crédito.
Setor enfrenta aumento dos custos e queda na rentabilidade
Nos últimos anos, produtores rurais de diversas regiões do país vêm enfrentando desafios que pressionam o fluxo de caixa das propriedades. Entre os principais fatores estão a alta dos custos de produção, a valorização de insumos agrícolas, as oscilações cambiais, a queda nos preços de diversas commodities e o aumento das taxas de financiamento.
Segundo a Famato, esse cenário tem comprometido a capacidade de investimento dos produtores e ampliado as dificuldades para o custeio das próximas safras.
Além dos impactos climáticos registrados em diferentes estados, a entidade destaca que fatores econômicos e geopolíticos também contribuíram para agravar a situação financeira do setor, reduzindo margens e elevando os riscos da atividade agropecuária.
Projeto amplia alcance e inclui perdas econômicas
Uma das principais mudanças aprovadas pelo Senado foi a ampliação do alcance da proposta.
Inicialmente voltado para produtores afetados por eventos climáticos adversos, o texto passou a contemplar também agricultores e pecuaristas impactados por perdas econômicas relacionadas a fatores externos, incluindo conflitos geopolíticos internacionais e oscilações de mercado que afetem diretamente a atividade produtiva.
Na avaliação da Famato, a alteração torna o projeto mais alinhado à realidade do agronegócio brasileiro, que atualmente convive com desafios que vão além das questões climáticas.
Crédito caro preocupa produtores para a próxima safra
Outro fator apontado pela entidade é o elevado custo do crédito rural.
Com operações de financiamento alcançando taxas próximas de 20% ao ano em algumas modalidades, muitos produtores encontram dificuldades para renovar linhas de crédito, financiar o custeio agrícola e renegociar compromissos já existentes.
A situação gera preocupação especialmente neste período de planejamento da próxima safra, quando aumentam as necessidades de aquisição de insumos como fertilizantes, sementes, defensivos agrícolas, óleo diesel e máquinas.
Para a Famato, a renegociação das dívidas em condições mais adequadas é fundamental para garantir a continuidade da produção e preservar a capacidade de investimento das propriedades rurais.
Famato defende condições compatíveis com a realidade do campo
O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, avalia que qualquer programa de refinanciamento precisa considerar a realidade econômica enfrentada pelos produtores rurais.
Segundo ele, uma repactuação eficiente deve oferecer juros reduzidos, prazos compatíveis com os ciclos produtivos e períodos de carência suficientes para permitir a reorganização financeira das propriedades.
“A renegociação das dívidas rurais é uma medida necessária para devolver previsibilidade ao produtor, preservar a capacidade de investimento no campo e garantir que a produção continue avançando. O setor precisa de condições compatíveis com a realidade enfrentada hoje pelo agro”, afirma.
O que prevê o PL 5122/2023
O Projeto de Lei 5122/2023 cria uma linha especial destinada ao refinanciamento de dívidas de produtores rurais, associações, cooperativas de produção e condomínios rurais que atendam aos critérios estabelecidos na legislação.
Entre os principais pontos da proposta estão:
- Refinanciamento de operações de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural (CPRs);
- Possibilidade de renegociação de contratos firmados até 31 de dezembro de 2025;
- Recalculação dos débitos sem incidência de multas, mora e outros encargos por inadimplência;
- Limite de até R$ 10 milhões por produtor rural;
- Limite de até R$ 50 milhões para associações, cooperativas e condomínios rurais;
- Prazo de pagamento de até dez anos;
- Carência de até três anos, conforme as condições estabelecidas.
O texto também autoriza a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, além de outras fontes permitidas pelo governo federal, para viabilizar a nova linha de crédito.
Aprovação pode beneficiar milhares de produtores
Na avaliação da Famato, a aprovação definitiva da proposta poderá gerar alívio financeiro para milhares de produtores rurais em todo o país, contribuindo para a regularização de passivos, a manutenção da atividade produtiva e a preservação da capacidade de investimento no campo.
A entidade defende que a Câmara dos Deputados avance na análise das alterações promovidas pelo Senado e conclua a tramitação do projeto, permitindo que a medida seja regulamentada e colocada em prática o mais rapidamente possível.
Enquanto aguarda a definição legislativa, a orientação aos produtores é manter planejamento financeiro rigoroso, priorizar a gestão de custos e adotar cautela na contratação de novos compromissos, especialmente em um cenário de crédito caro e margens ainda pressionadas para boa parte das atividades do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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