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TJAC lança campanha Infância Protegida com mutirão de 152 audiências
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“Fingir que não viu, não ouviu ou ficar em silêncio – não protege uma criança vítima de violência”, reforça a divulgação institucional
A campanha Infância Protegida foi lançada pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) nesta segunda-feira, 4. Vídeos, cards para redes sociais e spots para rádio começam a ser divulgados hoje. A ação da Coordenadoria da Infância e Juventude reforça a importância de denunciar e não deixar que a infância seja interrompida por violações.
Anualmente o Maio Laranja é o período em que se enfatiza o combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. A coordenadora da Infância e Juventude, desembargadora Regina Ferrari, apresentou dados estatísticos: “Entre 2024 e abril 2026, o TJAC recebeu 875 processos e proferiu 1214 decisões judiciais, em casos envolvendo crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. Somente em 2024, foram 681 julgamentos para 324 processos recebidos. Mais de dois julgamentos para caso novo, representando uma baixa no acervo. O crescimento de 19,4% dos processos recebidos em 2025 é antes de mais nada um sinal de que mais crianças e adolescentes estão encontrando o caminho da proteção”.

O corregedor-geral da Justiça, desembargador Nonato Maia, explicou sobre a importância do mutirão de audiências. Para este mês, foram designadas 152 audiências. Destaca-se a 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco, com 44 audiências; a Vara Criminal de Tarauacá, com 34 audiências; por fim, a Vara da Infância e Juventude de Cruzeiro do Sul com 18 audiências.
No evento, a presidente da Associação de Magistrados do Acre, Olívia Ribeiro compartilhou reflexões sobre a subnotificação. “Vi um estudo que apontou que apenas 7,5% dos casos de exploração sexual em que as vítimas são crianças e adolescentes chegam ao Judiciário. Que possamos ser as vozes dessas crianças! Temos que repetir a importância de denunciar”, afirmou.
Com efeito, o chefe do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente, o defensor Rogério Pacheco, enfatizou o contexto de uma criança que chega a uma sala de audiência, por isso fez ponderações sobre a importância do acolhimento. Já a vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, advogada Thaís Moura, reiterou o apoio a atividades preventivas: “O Tribunal não se preocupa apenas com a punição, mas sim com a prevenção. Ações como essa de hoje, também os projetos Infância Literária e Abraçando Filhos demonstram isso. A Constituição Federal garante a proteção absoluta e isso é o dever de todos”.






Por fim, o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do Ministério Público do Acre, Carlos Maia, discursou sobre responsabilidade. “Essa é uma demanda que exige uma consciência ética. A infância protegida necessita da união de esforços, de todas as instituições que estão aqui e que compreendem que o cuidado não é uma escolha, mas sim um dever inadiável. É na infância que se constrói o futuro e é com a proteção efetiva que consolida a dignidade humana”, concluiu.
Também prestigiaram o evento: a vice- coordenadora da Infância e Juventude, desembargadora Waldirene Cordeiro; o secretário municipal de Assistência Social e de Direitos Humanos, Ivan Ferreira; a representante da Secretaria de Estado de Educação, Ivane Vieira; a presidente da Associação Conselheiros do Tutelares de Rio Branco, Lucinaira Carvalho; a juíza auxiliar da Presidência do TJAC, Louise Santana; o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJAC, Bruno Perrota; a juíza colaboradora da Coordenadoria da Infância e Juventude, Isabelle Sacramento; além das magistradas, magistrados, servidoras e servidores que estavam acompanhando ao vivo, via Google Meet.



Fotos: Gleilson Miranda/Secom TJAC
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
TJ AC
Humanize IA, criada pelo TJAC, é destaque em encontro de presidentes de tribunais Estaduais e Militares de todo o país
Solução desenvolvida pelo Judiciário acreano usa inteligência artificial para aproximar a jurisprudência da Corte Interamericana dos casos concretos e fortalecer a proteção dos direitos humanos
Uma pergunta deu origem a uma iniciativa que começa a ganhar espaço no Judiciário brasileiro: como fazer a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos chegar ao magistrado no momento em que ele precisa dela para que os direitos do cidadão estejam cada vez mais presentes nas decisões?
Foi a partir dessa inquietação que o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) desenvolveu o Humanize IA, solução de inteligência artificial apresentada nesta quinta-feira, 13, durante o XXI Encontro do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre), a presidentes de Tribunais de Justiça estaduais e militares de todo o país.
A apresentação coloca o Acre no debate nacional sobre o uso da tecnologia para fortalecer a aplicação dos direitos humanos e o controle de convencionalidade, análise que considera, além das normas nacionais, os tratados internacionais de direitos humanos e a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Embora o Brasil faça parte do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e disponha de um amplo conjunto de tratados, precedentes e opiniões consultivas, esse conhecimento ainda não está incorporado de forma natural à rotina de construção das decisões judiciais. O desafio, portanto, não é a ausência de normas ou informações, mas a criação de caminhos que tornem esse conteúdo mais acessível e aplicável aos casos concretos, fortalecendo a cultura do controle de convencionalidade e, sobretudo, a proteção dos direitos do cidadão.
A ferramenta, apresentada pelo presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, e o juiz auxiliar da presidência, Giordane Dourado, foi desenvolvida para analisar petições, decisões, sentenças e votos e identificar possíveis conexões com a jurisprudência, as opiniões consultivas e os precedentes da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Na prática, a tecnologia auxilia o operador do Direito a encontrar, de maneira mais rápida e objetiva, os parâmetros internacionais que podem ser relevantes para determinado caso.
Para o desembargador Laudivon Nogueira, a ferramenta representa o resultado de um trabalho coletivo e uma oportunidade de avançar na aplicação dos direitos humanos no Judiciário brasileiro. “A apresentação da Humanize IA aqui no Consepre foi uma honra para todos nós, porque é fruto do trabalho sério e dedicado de equipes, servidores e magistrados, que têm um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura de controle de convencionalidade no Brasil. Nós sabemos que hoje há uma, uma dificuldade de levar adiante aquilo que diz as normas sobre a garantia dos direitos humanos no Brasil. E nós temos essa oportunidade de apresentar, com muito orgulho, essa, essa ferramenta que certamente vai ser um diferencial, como disse o Rodrigo Modrovich, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, um diferencial na aplicação da jurisdição brasileira no que toca à proteção dos direitos humanos”, ressaltou.
Desenvolvida por profissionais da área de tecnologia do TJAC, a ferramenta não substitui a atuação dos magistrados. Seu uso visa qualificar a fundamentação das decisões. A solução observa a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei nº 13.709/2018), a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como a Recomendação nº 123 e a Resolução nº 615.


Do Acre para uma agenda nacional
A apresentação no Consepre representa uma nova etapa da iniciativa. Ao compartilhar a experiência com os presidentes dos tribunais estaduais e militares, o TJAC amplia o diálogo sobre uma solução criada no Acre, mas que pode contribuir para uma transformação mais ampla no Judiciário brasileiro.
O Humanize, segundo o juiz auxiliar Giordane Dourado, também integra uma estratégia maior. Segundo ele, tecnologia, formação e articulação institucional são os três pilares que sustentam a iniciativa. “A tecnologia facilita o acesso à jurisprudência. A formação aproxima magistrados e servidores do Sistema Interamericano. E a articulação entre instituições ajuda a construir uma cultura permanente de proteção dos direitos humanos”, ressaltou o magistrado.
E essa visão já começa a ser colocada em prática no Acre por meio da Rede Interamericana Interinstitucional, formada a partir de parcerias do TJAC com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), a Defensoria Pública do Estado do Acre, a Polícia Civil, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB-AC), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Delegacia-Geral de Polícia Civil.
“Essa é uma rede que está sendo construída a várias mãos, no sentido de que nós possamos fortalecer nossas instituições, capacitar e, em última instância, concretizar o que foi estabelecido em 1992, quando o Brasil oficializou a adesão aos tratados internacionais de proteção aos direitos humanos”, afirmou o desembargador Laudivon Nogueira.


Uma iniciativa que vai além da tecnologia
O Humanize começou a ser estruturado em 2026 e ganhou um marco importante com o acordo de cooperação firmado entre o TJAC e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica. A parceria prevê intercâmbio institucional e ações de formação para magistradas, magistrados, servidoras e servidores, fortalecendo a aproximação entre o Judiciário acreano e o Sistema Interamericano.
Nesse contexto, o Humanize IA representa mais do que uma ferramenta tecnológica. É uma tentativa de transformar conhecimento em prática, aproximar a Justiça dos parâmetros internacionais de direitos humanos e fazer com que a proteção prevista nos tratados esteja cada vez mais presente nas decisões judiciais.
Ao apresentar a solução, o Acre compartilha uma experiência que nasceu de uma inquietação local, mas que aponta para um desafio comum a todo o Judiciário: como utilizar a inovação para tornar os direitos humanos mais presentes, acessíveis e efetivos na prestação jurisdicional.

Fotos: Lucas Nascimento/Comunicação TJTO
Fonte: Tribunal de Justiça – AC
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