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“Tirar os documentos vai ser um renascer”, celebra Giovanni no 1º PopRuaJud em Cruzeiro do Sul

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Aproximadamente cem pessoas vivem em situação de rua na segunda maior cidade do Acre, e a realização do PopRuaJud no Vale do Juruá, representa um marco histórico para o Judiciário acreano pelo ineditismo de sua primeira edição naquela região

“Vim tirar meus documentos. O documento é importante porque significa o cara estar vivo. Se o cara não tem documento, tá morto, é um lixo. Sem o nosso documento não somos nada. Ter meus documentos vai me ajudar a ter meu benefício. Ter meus documentos é um recomeço. Tirar os documentos vai ser um renascer”. O forte relato é de Giovanni Rocha do Nascimento, de 36 anos, que vive em situação de rua há um ano por não superar o luto desde a morte da mãe.

Essa é uma das histórias que permearam os atendimentos na inédita edição do PopRuaJud em Cruzeiro do Sul, nesta sexta-feira, 8. Os serviços ocorreram na Escola Comandante Braz de Aguiar. A ação é desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), através do Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas Judiciais de Atenção às Pessoas em Situação de Rua (Commi).

Cruzeiro do Sul tem aproximadamente cem pessoas em situação de rua, e a realização do PopRuaJud no Vale do Juruá representa um marco histórico para o Judiciário acreano. Pela primeira vez, a estrutura itinerante dedicada à população de rua atravessa o estado para atender àquela região. A decisão de interiorizar a política baseia-se na constatação de que Cruzeiro do Sul possui uma população de rua estimada em 100 pessoas, que enfrentam isolamento geográfico severo em relação aos órgãos federais e previdenciários baseados na capital.

A diretora do Foro da Comarca de Cruzeiro do Sul, a juíza de direito Adamarcia Machado, acompanhou os trabalhos do mutirão e disse que “trazer essa cidadania para essas pessoas que estão em situação de rua aqui em Cruzeiro do Sul é um diferencial desse projeto. Às vezes as coisas se concentram nos grandes centros, mas a mesma medida dos problemas que acontecem lá acontecem, em proporções talvez um pouco menores, no interior. Essa visão de trazer o PopRuaJud para Cruzeiro do Sul, todos esses serviços para essa população que já está fragilizada, que já está numa situação, às vezes, de invisibilidade social, é muito importante para o resgate da cidadania deles, bem como uma gratificação pessoal que nos torna mais humanos”, finalizou.

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Francisco Falcão Barroso de Freitas procurou o mutirão para tirar seus documentos. Ele soube da ação através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Vive em situação de rua há aproximadamente cinco anos; ele é mais um dentre tantos que não têm os documentos para acessar seus direitos. Com a identidade, ele poderá acessar o benefício social que já recebia, mas que não pôde mais receber desde que perdeu os documentos. “Eu quero meus direitos. [O documento] vai me ajudar porque eu tenho um Bolsa Família e não tô conseguindo tirar meu dinheiro porque eu não tenho um documento”. Francisco fala ainda da importância da ação: “É muito importante, porque ajuda os desabrigados, os humilhados. Se eu não tenho um documento, eu não sou um cidadão, né? [Com o documento] eu vou voltar a ser um cidadão”.

A Coordenadora de Apoio aos Programas Sociais, Isnailda de Souza da Silva, falou sobre a importância de levar pela primeira vez essas ações ao interior do estado: “Reforçar a política pública que vem sendo desenvolvida pela prefeitura, junto à Secretaria Municipal de Assistência Social, considerando que este é o segundo município com maior quantidade dessa população especificamente, e que não tem um Centro Pop específico para atendê-los, como existe em Rio Branco. Então, é um momento em que nós vamos oportunizar a essas pessoas acesso a políticas públicas, à cidadania e à justiça social.”

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Entre os serviços oferecidos, estão a emissão de documentos civis (RG e CPF), orientação eleitoral, Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), benefícios assistenciais, acompanhamento processual de monitoramento, serviços de assistência social (CadÚnico, Bolsa Família) e serviços de saúde (atendimento médico, odontológico, enfermagem, vacina e aferição de pressão arterial e temperatura).

A força-tarefa reúne diversas instituições parceiras, promovendo atendimento integrado e fortalecendo a rede de proteção social no município. A proposta do PopRuaJud é reduzir barreiras históricas enfrentadas por pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social no acesso a direitos básicos e serviços públicos, garantindo acolhimento e dignidade.

O município de Cruzeiro do Sul recebe a 5ª edição do PopRuaJud do ano. Na capital, Rio Branco, foi realizada a 4ª edição, com mais de 2 mil atendimentos.

Parceiros

A realização dos atendimentos no 5º Mutirão PopRuaJud é absolutamente impossível sem a união de instituições parceiras. O Tribunal de Justiça do Acre agradece o apoio do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), da Defensoria Pública da União (DPU), da Advocacia-Geral da União (AGU), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC), do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região (TRT14), da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC), do Ministério Público do Acre (MPAC), da Defensoria Pública do Estado (DPE/AC), do Governo do Estado e da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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Comarca de Cruzeiro do Sul encerra programação da Semana Nacional de Combate ao Assédio no TJAC

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Poder Judiciário acreano realizou, entre os dias 4 e 8 de maio, ações que integram a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do Poder Judiciário

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), através da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Assédio Sexual e da Discriminação no âmbito do 1º Grau de Jurisdição (Coped), encerrou a programação da Semana Nacional de Combate ao Assédio e à Discriminação nesta sexta-feira, 8, na Comarca de Cruzeiro do Sul. Em formato descontraído, a direção do Foro da Comarca reuniu servidores e colaboradores para uma palestra no auditório da Cidade da Justiça e realizou uma roda de conversa.

A abertura da atividade foi conduzida pelo presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, e pela presidente da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, Assédio Sexual e da Discriminação no âmbito do 1º Grau de Jurisdição (Coped), juíza Evelin Bueno.

Em sua fala, o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, disse que “falar de prevenção, de enfrentamento ao assédio moral, é um assunto que nunca pode sair da nossa pauta. Nós sabemos que um ambiente saudável depende, necessariamente, de que tenhamos respeito e consideração em todo o nosso ambiente de trabalho. E isso é uma missão institucional; não é só um programa, isso é da essência da nossa instituição. Então, se nós queremos ser um Judiciário de excelência, ser reconhecidos pela excelência na prestação do nosso serviço e verdadeiramente como instituição de justiça, isso começa em casa. Por isso, a Semana Nacional de Prevenção e Enfrentamento ao assédio moral, sexual e à discriminação vem esclarecer, vem levar à consciência que a mudança parte de cada um de nós”.

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A dinâmica do diálogo foi coordenada pela diretora do Foro da Comarca de Cruzeiro do Sul, juíza de Direito Adamarcia Machado, acompanhada pelo juiz de Direito titular da 1ª Vara Cível da Comarca de Cruzeiro do Sul, Erik Farhat, e pela secretária da Coped, Adalcilene Pinheiro.

A diretora do Foro, juíza Adamarcia Machado, avaliou o evento de forma positiva. “Essa semana foi de mobilização em todo o Estado do Acre. O Tribunal se mobilizou fazendo uma programação muito extensa e legal. Aqui em Cruzeiro do Sul, nós tivemos rodas de conversa com as juízas, com as lideranças, e hoje encerrou nesse talk show aqui, em que tivemos uma adesão grande dos nossos servidores que vieram, e falamos um pouquinho de forma a sensibilizar e refletir sobre esse tema que é tão importante para um ambiente de trabalho mais harmônico, mais acolhedor e para que o servidor se sinta integrado — não só o servidor, mas todos nós. Esse foi um momento tanto de fala quanto também de escuta. Eu acho que valeu muito a pena. A prevenção começa quando nós falamos, nos comunicamos, dialogamos sobre o assunto e, com isso, nós refletimos sobre os nossos atos. Atos que a gente nem considera que possam configurar um assédio, trazer um sentimento de ansiedade para outra pessoa; e, nesse momento em que a gente fecha em roda, conversa, escuta, a gente descobre que talvez uma mudança de atitude muito pequena pode produzir um ambiente muito mais saudável e harmonioso”.

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Para a servidora Helena Guimarães, secretária da Direção do Foro, a ação foi “muito boa, tirou muita dúvida. O TJAC tem servidores terceirizados, estagiários e nós servidores; isso é muito bom pra gente, porque a gente aprende. Às vezes a gente erra, né? Às vezes quando você vai chamar a atenção de alguém ou o modo como a pessoa falou. Às vezes a gente não chega tão bem ao trabalho, né? Mas a gente também tem que relevar, tem que saber na hora de falar com o servidor como chamar a atenção. Acho que é um início de uma nova cultura. Nós servidores, temos o dever de tratar todo mundo bem, principalmente o jurisdicionado. Achei muito, muito importante e que tenha mais debates desses para melhorarmos cada vez mais”.

O TJAC realizou, entre os dias 4 e 8 de maio, ações que integram a Política de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do Poder Judiciário, instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por meio da Resolução nº 351/2020.

Ao final, houve a distribuição de lembranças para as servidoras que são mães, um oferecimento da gestão do Poder Judiciário.

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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