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Em entrevista à Rádio Aldeia, governadora Mailza detalha investimentos em Brasileia e Epitaciolândia
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Durante a agenda institucional no Alto Acre, a governadora Mailza Assis concedeu entrevista à Rádio Aldeia FM 90, neste sabado, 9, onde falou sobre as ações realizadas nos municípios de Brasileia e Epitaciolândia. A conversa foi conduzida pelo radialista e coordenador da emissora, Léo Costa.
Governadora Mailza Assis concedeu entrevista ao radialista Léo Costa. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomA governadora estava acompanhada do chefe de Gabinete, Madson Cameli, e do secretário de Estado de Governo, Luiz Calixto.
Investimentos em estrutura urbana, segurança , saúde, educação, regularização fundiária e meio ambiente, com apoio ao produtor rural, estiveram entre os assuntos pautados.
Em Epitaciolândia, foram mais de R$ 8,8 milhões em emendas garantidas enquanto senadora, e um dos focos foi a ponte José Augusto, entre Epitaciolândia e Brasileia. Outro ponto abordado foi o olhar especial a comunidades da região como a Resex Chico Mendes.
Na oportunidade, a chefe do executivo estadual homenageou o Corpo de Bombeiros, que deu suporte em um incêndio ocorrido na semana passada no país vizinho, Bolívia. “São muitos investimentos que fiz para o nosso estado, enquanto senadora, e sempre com foco no bem-estar da população, como o complexo poliesportivo onde destinei R$ 4 milhões em Epitaciolândia”, falou.
Radialista Leo Costa, que também é coordenador da Rádio Aldeia em Brasileia, fez uma mescla entra às ações de entrega da governadora no Alto Acre e investimentos dela enquanto senadora. Foto: Clemerson Ribeiro/Secom“O apoio às mulheres com a Casa de Apoio da Mulher Brasileira, destinadas a mulheres vítimas de violência, foi a minha primeira emenda, a primeira oportunidade onde destinei R$5 milhões em três casas, uma para a região do Alto Acre, uma para Rio Branco e uma para Cruzeiro do Sul. A casa é preparada para ajudar, acolher e para o fortalecimento da mulher”, ressaltou Mailza
Em Brasileia, foram mais de R$ 11 milhões para o serviço de fortalecimento na fronteira. “Investimentos no monitoramento na fronteira contra a criminalidade. A segurança é uma das prioridades para o nosso estado”, afirmou.
Outro ponto foi o reforço na saude. “Ontem foi entregue o equipamento de ressonância magnética para o Hospital do Alto Acre, que vai beneficiar todo o Alto Acre e também a Bolívia”, complementou.
Os investimentos em Epitaciolândia como a entrega de títulos definitivos, neste sábado, 9, também foram tema. “É dar condições para empreender, cuidar das suas famílias, entregamos quase 200 títulos, mas, no total, já foram mais de 18 mil títulos entregues”.
Governadora falou sobre investimentos no Alto Acre. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomEntre os principais investimentos entregues para a região, está o equipamento de ressonância magnética 1,5 Tesla da unidade hospitalar, adquirido com recursos próprios do Estado no valor de R$ 7 milhões, ampliando o acesso da população a exames de alta complexidade pelo SUS.
“Também firmamos convênio de R$ 1,5 milhão para revitalização, reforma e ampliação de escolas rurais mistas de Brasileia e entregamos mais de 5,6 mil kits escolares para estudantes das redes estadual e municipal de ensino”, disse Mailza.
Na mesma agenda, a governadora reforçou ainda a entrega de 14 metros cúbicos de madeira apreendida pelo Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) à Prefeitura de Brasileia. “Material esse que será utilizado na confecção de lixeiras e bancas para o mercado municipal, fortalecendo a agricultura familiar e beneficiando produtores locais”.
Entrevista foi acompanhada pelo secretário de Governo, Luiz Calixto, o chefe de Gabinete, Madson Cameli, e autoridades da cidade. Foto: Clemerson Ribeiro/SecomAo final, a governadora agradeceu a recepção da comunidade do Alto Acre e afirmou que um dos seus propósitos é estar presente nos municípios e reconhecer a população.
Fonte: Governo AC
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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre
Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.
Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.
“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.
“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.
Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.
“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.
Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.
“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.
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Foto: Cleiton Lopes
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