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Operações aéreas garantem suporte estratégico a ações de segurança pública em todo o Acre
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As operações realizadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) por meio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) têm desempenhado papel fundamental no fortalecimento das ações de segurança pública e assistência à população acreana, especialmente diante dos desafios geográficos do estado. Neste sábado, 9, todas as aeronaves da unidade foram empregadas simultaneamente em missões estratégicas que envolveram transporte de equipes, apoio operacional e socorro aeromédico.

Enquanto o helicóptero do Ciopaer realizava um deslocamento para atendimento aeromédico, os dois aviões da unidade atuavam em missões no interior do estado. Uma das aeronaves fazia o transporte de equipes da Ação de Cidadania entre Santa Rosa do Purus e Jordão, enquanto a outra dava suporte às atividades em Cruzeiro do Sul. Paralelamente, outro helicóptero era utilizado no transporte de efetivo da Polícia Civil em apoio à Operação Caminhos Seguros.

As ações demonstram a importância da estrutura aérea para garantir rapidez, integração entre as forças de segurança e atendimento eficiente à população, principalmente em regiões de difícil acesso. O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, José Américo Gaia, destacou que o Ciopaer se tornou peça estratégica para a execução das operações em todo o Acre.
“O Ciopaer tem sido essencial para que as forças de segurança consigam atuar com agilidade e eficiência em todas as regiões do estado. As aeronaves permitem salvar vidas em atendimentos aeromédicos, transportar equipes para operações policiais e apoiar ações sociais e humanitárias. O governo do Acre segue investindo na integração e fortalecimento dessas operações, que fazem diferença direta para a população acreana”, afirmou o secretário.

O coordenador do Ciopaer, Sérgio Albuquerque, ressaltou que a atuação simultânea das aeronaves evidencia o nível de comprometimento da equipe e a importância logística da unidade.
“Hoje tivemos todas as aeronaves empregadas em missões distintas e estratégicas, mostrando a capacidade operacional do Ciopaer em atender demandas diversas ao mesmo tempo. Atuamos no suporte às forças policiais, no transporte de equipes para ações de cidadania e também em socorro aeromédico, que muitas vezes representa a única chance de atendimento rápido para moradores de regiões isoladas”, explicou.

Além do apoio às operações policiais, o Ciopaer atua em missões humanitárias, transporte de pacientes, combate a crimes ambientais, resgates e apoio às ações integradas do governo do Estado, consolidando-se como uma ferramenta indispensável para a segurança pública e assistência à população acreana.
Fonte: Governo AC
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Povo Noke Koî preserva tradição do kambô e fortalece proteção da floresta no Acre
Na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, onde a floresta permanece em pé graças à relação ancestral entre os povos indígenas e a natureza, o povo Noke Koî mantém viva uma das mais importantes medicinas tradicionais da floresta: o kambô, conhecimento sagrado transmitido pelos ancestrais há gerações.
Conhecida como “vacina do sapo”, a prática indígena utiliza a secreção da rã, aplicada em pequenas queimaduras na pele (geralmente braço ou perna) com o objetivo de revigorar o corpo e curar doenças. Para os Noke Koî da aldeia Sumaúma, muito mais do que medicina tradicional e cura física; ela simboliza proteção espiritual, fortalecimento do corpo, equilíbrio emocional e conexão com a natureza.

O cacique Mõcha Noke Koî explica que o kambô é um ensinamento ancestral deixado pelos antigos e guiado pelo grande espírito.
“Para nós, o kambô é uma medicina sagrada ensinada pelo grande espírito. Ele traz força, coragem, alegria e limpa o pensamento e a espiritualidade. Desde as crianças pequenas, nosso povo utiliza o kambô como proteção espiritual e fortalecimento do corpo. É uma energia muito forte que vem da floresta e do espírito da medicina”, relata.

Segundo o cacique, o conhecimento sobre a aplicação da medicina atravessa gerações e carrega um profundo compromisso de respeito à natureza.
“A medicina kambô é espírito de proteção. Desde o surgimento, nossos bisavôs e tataravôs preservam, cuidam e respeitam essa medicina. Não é só o kambô. Preservar o kambô é preservar a Amazônia, preservar as plantas, a vida e o planeta. O kambô vive perto das nossas casas porque nosso povo protege e respeita a natureza e a criação do grande espírito”, afirma.

Para os Noke Koî, a preservação da floresta está diretamente ligada à continuidade da medicina ancestral. A retirada da secreção do kambô acontece sem causar danos ao animal, reforçando uma relação de equilíbrio com a biodiversidade amazônica.
Mõcha alerta ainda para o uso inadequado da medicina fora dos territórios indígenas e destaca a importância do conhecimento tradicional para a aplicação correta do kambô.
“Hoje muita gente no mundo usa o kambô, mas sem preparo e sem conhecer a tradição. A medicina não é brincadeira. A gente pode brincar com a medicina, mas a medicina não brinca com a gente. Nosso povo aprendeu com o espírito da medicina a maneira correta de aplicar. Por isso respeitamos e preservamos esse conhecimento ancestral”, destaca.

De acordo com o cacique, entre os Noke Koî, o kambô faz parte da formação espiritual e cultural do povo desde a infância. Os ensinamentos tradicionais orientam a aplicação da medicina em homens, mulheres e crianças, sempre conduzida por pajés e curandeiros preparados espiritualmente.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, ressalta que o kambô integra um conjunto de conhecimentos ancestrais utilizados historicamente pelos povos indígenas muito antes da medicina farmacêutica chegar às aldeias.

“Os povos indígenas, desde a origem, utilizam muitos conhecimentos tradicionais para cura e fortalecimento espiritual. Um deles é o kambô, que no nosso povo também chamamos de kampô, por conta da língua Pano. Minha mãe conta que meu avô utilizava o kampô para tirar a preguiça, o cansaço e fortalecer os homens antes da caça. Era uma forma de limpar as energias ruins e fortalecer o corpo e o espírito”, explica.
Francisca também destaca que a medicina tradicional está diretamente ligada à preservação da fauna e da floresta amazônica.
“Ninguém mata esse sapo. Nosso povo protege, porque ele faz parte da nossa ciência ancestral. Além da medicina, ele também avisa sobre a mudança do tempo, quando chegam o inverno e o verão. Por isso é muito importante preservar a fauna, a flora e os animais da floresta. O kampô é uma cura espiritual, para tirar tudo que é ruim de dentro da gente”, afirma.

Em um estado reconhecido pela preservação ambiental, com mais de 84% das floresta nativa intacta, os conhecimentos indígenas seguem sendo fundamentais para a proteção da Amazônia. Nas aldeias acreanas, tradição, espiritualidade e sustentabilidade caminham juntas.

Em cada ritual, canto e ensinamento repassado pelos anciãos, o povo Noke Koî reafirma que a floresta não é apenas território: é espírito, memória e vida. Preservar o kambô, para eles, é manter viva uma sabedoria ancestral que continua ensinando ao mundo sobre cuidado, equilíbrio e respeito à natureza.
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Foto: Cleiton Lopes
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