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TJAC e Iapen discutem mecanismos de controle da ocupação prisional no Acre

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Instituições avançaram na implantação da Central de Regulação de Vagas (CRV) ao discutirem a integração de sistemas e o fortalecimento das equipes técnicas responsáveis pela ferramenta

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) realizou, nesta terça-feira, 19, uma reunião com o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) para discutir a criação de mecanismos efetivos de controle da taxa de ocupação prisional. O encontro ocorreu na sede do Judiciário acreano e foi presidido pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador Nonato Maia.

A reunião teve como objetivo debater a composição da equipe técnica da Central de Regulação de Vagas (CRV), além da integração de dados e sistemas entre as instituições, para permitir o monitoramento em tempo real da população carcerária. A solução tecnológica deve identificar, de forma precisa, onde cada pessoa privada de liberdade está localizada, com informações sobre unidade penitenciária, pavilhão, ala, cela e histórico de movimentações.

Com a iniciativa, juízas e juízes passam a ter acesso a dados sobre a capacidade real das unidades prisionais, incluindo celas interditadas, índices de superlotação e condições estruturais. A medida busca qualificar a tomada de decisões judiciais, respeitando os critérios de habitabilidade e a taxa efetiva de ocupação do sistema penal.

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Durante o encontro, também foi debatida a necessidade de profissionais da área de tecnologia da informação para garantir a eficiência dos processos e a integração dos sistemas. Entre as possibilidades discutidas, está a formalização de convênios com Instituições de Ensino Superior (IES) para atender demandas técnicas, especialmente relacionadas à migração e customização de bases de dados.

O coordenador suplente do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF), juiz de Direito Eder Viegas, destacou a importância do diálogo interinstitucional. “Foi justamente para estabelecer o início definitivo da implantação da Central de Regulação de Vagas, que ficará fisicamente dentro do Fórum Criminal da Cidade da Justiça de Rio Branco. Agora, buscamos uma integração mais afinada entre o TJAC, o Iapen e a Secretaria de Justiça e Segurança Pública”, afirmou.

O presidente do Iapen, Leandro Rocha, ressaltou os esforços do Estado para cumprir as metas do Plano Estadual Pena Justa, entre elas, a implementação da Central de Regulação de Vagas no sistema penitenciário acreano. “Ficou definido que a CRV funcionará no prédio do Poder Judiciário. Iremos disponibilizar nossos servidores da área de tecnologia e o que for necessário para que possamos dar início a essa primeira fase”, garantiu.

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Participaram da reunião a juíza auxiliar da Presidência, Zenice Cardozo; a coordenadora executiva do GMF, Débora Nogueira; a consultora do programa Fazendo Justiça na área criminal do Acre, Rúbia Evangelista; o servidor da Corregedoria, Ruan Nascimento; o assessor da Presidência do Iapen, Marcelo Tavares; o chefe da Divisão de Controle e Execução Penal, Leonardo Salomão; e o suplente do ponto focal da Central de Regulação de Vagas, Caio Pierre.

Ao final, foi realizada uma visita técnica ao espaço destinado à instalação da Central, com o intuito de apresentar ao novo presidente do Iapen e à equipe da instituição a estrutura planejada pelo Poder Judiciário. O ambiente segue as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tendo infraestrutura física e tecnológica adequada. A inspeção foi conduzida pelo juiz Eder Viegas.

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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“Agora quero estudar”, diz indígena de 19 anos ao conseguir o registro de nascimento tardio no PopRuaJud

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A sentença foi proferida ainda nesta terça-feira. Com a decisão, o cartório será oficialmente comunicado para realizar o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel

Manoel Biló, 19 anos, da etnia Kaxinawa, foi uma das centenas de pessoas atendidas nesta terça-feira, 25, na Escola Municipal Maria Aucilene Calixto, em Tarauacá, durante o PopRuaJud, realizado pelo Poder Judiciário do Acre. A iniciativa, que começou na segunda-feira, 24, reúne instituições do sistema de Justiça, órgãos públicos e entidades parceiras para ampliar o acesso a serviços públicos por pessoas em situação de rua e outras populações em condição de vulnerabilidade, incluindo comunidades indígenas.

Acompanhado do pai, Elemar Biló Kaxinawa, Manoel procurou inicialmente a Defensoria Pública para buscar uma solução para a ausência do registro de nascimento. Nascido em 2007, ele viveu durante anos em uma comunidade indígena no Jordão e, há cerca de dois anos, passou a morar em Tarauacá. Sem registro civil, enfrentava dificuldades para acessar serviços básicos, especialmente educação e saúde. Até então, seu único documento era uma Certidão de Batismo.

Em parceria com a Defensoria Pública e o Ministério Público, foi ajuizada a ação perante ao Juízo da Comarca de Tarauacá e uma audiência foi realizada na própria escola para a resolutividade da problemática do indígena. O juiz de Direito da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli, ouviu Manoel e o pai, analisou a documentação apresentada e constatou que, de fato, não havia registro civil de nascimento do jovem.

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“Realizamos a audiência, ouvimos o jovem Manoel e seu pai, o senhor Elemar, analisamos a documentação apresentada e constatamos que, de fato, não havia registro de nascimento desde 2007, ano em que ele nasceu. Conseguimos proferir a sentença determinando a expedição do registro de nascimento. Posteriormente, será encaminhado o ofício ao cartório para que seja emitida a certidão de nascimento, garantindo a ele, finalmente, o acesso à documentação e aos seus direitos como cidadão”, disse o juiz de Direito da Comarca de Tarauacá, Ricardo Cavalli.

A sentença foi proferida ainda nesta terça-feira. Com a decisão, o cartório será oficialmente comunicado para realizar o registro e emitir a certidão de nascimento de Manoel.

“Agora quero estudar”

A história de Manoel Kaxinawa é marcada por desafios desde a infância. Ele perdeu a mãe quando tinha apenas quatro anos. Na época, a família vivia na Aldeia Flor da Floresta, no município de Jordão.

Hoje, mora em Tarauacá com o pai, a madrasta e três irmãos. Ainda encontra dificuldades para ler e escrever e se comunica em português com limitações. A falta de documentação, porém, sempre foi uma das principais barreiras para que pudesse frequentar a escola.

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Foi o pai quem soube do PopRuaJud por meio de vizinhos e decidiu levar o filho ao mutirão. A expectativa agora é que, com a certidão de nascimento, Manoel possa finalmente ter acesso à educação e a outros direitos básicos.

“Nunca conseguiu estudar, pois sem a certidão de nascimento não aceitavam nas escolas. Agora as coisas devem melhorar. O juiz disse que daqui a algumas semanas já podemos pegar a certidão no cartório. Estamos muito felizes”, contou Elemar.

Após a audiência, a equipe de Comunicação do Tribunal de Justiça foi até a casa da família, no bairro da Praia, para registrar a história. Para chegar à residência, é preciso percorrer cerca de 30 metros por uma passarela de madeira, devido às condições da região e aos períodos de cheia.

Manoel falou pouco. Mas, quando perguntado sobre o que pretende fazer quando finalmente estiver com a certidão de nascimento nas mãos, não hesitou. “Agora quero estudar.”

Fotos: Elisson Magalhães/Secom TJAC

Fonte: Tribunal de Justiça – AC

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