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Entregas de fertilizantes crescem 3,8% no Brasil e superam 9,7 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026

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As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro mantiveram trajetória de crescimento no início de 2026. Dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) apontam que o setor movimentou 9,76 milhões de toneladas no primeiro trimestre do ano, volume 3,8% superior às 9,40 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

O resultado reforça a demanda do agronegócio brasileiro por insumos estratégicos para a produção agrícola, mesmo diante de um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e de um ambiente doméstico de crédito restrito e juros elevados.

Março registra forte avanço nas entregas

Somente em março, as entregas de fertilizantes alcançaram 2,83 milhões de toneladas, representando crescimento de 18,7% em relação às 2,38 milhões de toneladas contabilizadas no mesmo mês do ano anterior.

O desempenho reflete a intensificação do planejamento das lavouras e a manutenção dos investimentos em produtividade por parte dos produtores rurais, especialmente nos estados com maior relevância agrícola.

Mato Grosso lidera consumo de fertilizantes

Principal potência agrícola do país, Mato Grosso concentrou o maior volume de fertilizantes entregues entre janeiro e março, respondendo por 25,2% do total nacional.

O estado recebeu 2,45 milhões de toneladas no período, consolidando sua liderança no consumo de insumos agrícolas.

Na sequência aparecem:

  • Goiás: 1,10 milhão de toneladas;
  • São Paulo: 1,08 milhão de toneladas;
  • Paraná: 1,02 milhão de toneladas;
  • Minas Gerais: 882 mil toneladas;
  • Mato Grosso do Sul: 543 mil toneladas;
  • Bahia: 541 mil toneladas.
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Os números demonstram a forte concentração da demanda nas principais regiões produtoras de grãos, fibras e bioenergia do país.

Produção nacional recua no trimestre

Enquanto as entregas avançaram, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou retração.

Em março de 2026, foram produzidas 483 mil toneladas, volume 9,7% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

No acumulado do primeiro trimestre, a produção nacional totalizou 1,41 milhão de toneladas, queda de 16,2% frente às 1,68 milhão de toneladas produzidas entre janeiro e março de 2025.

Segundo a ANDA, parte dessa redução pode estar relacionada a mudanças societárias em empresas do setor e ao processo de retomada operacional de alguns ativos industriais, fatores que podem ter impactado a captação completa dos dados de produção.

Importações seguem elevadas para atender demanda interna

A dependência brasileira das importações de fertilizantes continua sendo uma característica relevante do setor.

Em março, o país importou 2,74 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, avanço de 10,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado do primeiro trimestre, as importações somaram 8,15 milhões de toneladas. Apesar do elevado volume, o resultado representa uma redução de 4% na comparação com as 8,49 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

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O desempenho reforça a importância do mercado externo para o abastecimento da agricultura brasileira, especialmente em um momento de elevada demanda por nutrientes para as principais culturas do país.

Porto de Paranaguá mantém liderança na entrada de fertilizantes

Principal porta de entrada dos fertilizantes importados no Brasil, o Porto de Paranaguá movimentou 2,12 milhões de toneladas entre janeiro e março de 2026.

O volume, entretanto, ficou 13,5% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando o terminal recebeu 2,45 milhões de toneladas.

Mesmo com a retração, Paranaguá respondeu por 26,1% de todas as importações brasileiras de fertilizantes realizadas pelos portos nacionais, mantendo sua posição estratégica para o abastecimento do agronegócio.

Cenário exige atenção do setor agrícola

Apesar do crescimento das entregas, o setor de fertilizantes segue monitorando fatores que podem influenciar os custos de produção ao longo do ano.

As tensões geopolíticas globais, as oscilações nos mercados internacionais de matérias-primas, a disponibilidade de crédito rural e o elevado patamar das taxas de juros permanecem entre os principais desafios para produtores e distribuidores.

Ainda assim, o desempenho registrado no primeiro trimestre demonstra a resiliência do agronegócio brasileiro e a continuidade dos investimentos em tecnologia e produtividade, fatores essenciais para sustentar a competitividade da produção agrícola nacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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