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Como forma de inspirar novos participantes estudantes, vencedores do Prêmio de Comunicação do Governo compartilham experiências
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A terceira edição do Prêmio de Comunicação do Governo do Estado do Acre está oficialmente lançada, reforçando o compromisso com o reconhecimento e a valorização dos trabalhos jornalísticos que contribuam para tornar público atos e ações de governo nas diversas áreas. Em 2024, dois jovens se destacaram ao vencer a categoria Estudante.
Na edição anterior, Victor Manoel, 23 anos, e Aline Pontes, 24, ambos estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac), foram os grandes vencedores da categoria Estudante, conquistando o primeiro e o segundo lugares, respectivamente. Com projetos distintos e histórias de superação, nesta reportagem os dois compartilham suas experiências como forma de inspirar novos participantes.
Quem são os estudantes
Natural de Cruzeiro do Sul, Victor Manoel Figueira Castro cursou todo o ensino fundamental em escola pública. Durante o ensino médio, ainda em Cruzeiro, foi aluno do Instituto Federal do Acre (Ifac). Depois ingressou no curso de Jornalismo da Ufac.

No quinto período do curso, Victor iniciou no Jornalismo como estagiário. Ao concluir o estágio supervisionado foi convidado para continuar trabalhando como repórter, chegou a trabalhar como produtor de podcast, até receber o convite para integrar a equipe de comunicação de uma organização socioambiental, com atuação em níveis nacional e internacional. “Hoje, no Comitê Chico Mendes atuo como repórter e assessor de imprensa”, informa Victor.
Na condição de estudante, inicialmente, a curiosidade foi o que motivou a participação na 2ª Edição do Prêmio de Comunicação do Governo do Estado, naquele ano, em homenagem à jornalista Val Sales. “Eu nunca tinha concorrido a um prêmio. Queria saber como era, como funciona, como a gente submete a matéria e, também, claro, a crença de que eu tinha feito um bom trabalho”, revela Victor Manoel.
Já Aline Pontes Cavalcante, natural de Tarauacá, percorreu trajetória diferente, mas, também, desafiadora. Nascida na área rural, Aline viveu a infância e adolescência ao lado da mãe, Valéria, do pai, José Evanio e do irmão, Silvanir. Dando prioridade aos estudos dos filhos, a família decidiu mudar para capital.

Ainda estudante, cursando o quinto período de Jornalismo na Ufac, Aline ingressou no telejornalismo em outubro de 2023, momento em que o governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Comunicação (Secom), lançava o Prêmio de Comunicação do Estado. Àquele momento, Aline não compreendia bem a iniciativa, qual a dinâmica de um concurso dessa natureza, observou o movimento e decidiu participar em nova oportunidade. No ano, seguinte, já trabalhando na TV, achou que não conseguiria produzir mas, de última hora, com o apoio da equipe, investiu tempo e informação para compor uma matéria que pudesse inscrever.
“Eu não tinha preparado nada, mas vi que dava tempo ainda preparar alguma coisa, com a ajuda da produção, deu tempo de fazer uma matéria bem legal”, revela.
Projetos vencedores
A identificação e compromisso com a causa LGBT foi fator preponderante para a escolha do tema abordado por Victor Manoel Figueira Castro. Com a matéria “No Dia Nacional Contra a Homofobia, conheça o 1º Observatório de Políticas Públicas LGBTQIA+ do Acre”, publicada no portal Contilnet, ele conquistou o 1º lugar na categoria Estudante.
“Sou também público-alvo, sou um homem gay, mas também porque acredito que ligar as ações de governo com pautas voltadas ao público LGBTQIA+ me ajudou a estar num espaço acolhedor, e a criatividade fluiu. Sou muito grato ao Contil, que acreditou que eu, um estagiário, pudesse escrever uma matéria longa, sobre uma ação de governo, que me impacta diretamente. Foi de uma generosidade tão grande”, revela Victor.
Durante a pesquisa para a produção, Victor fez o levantamento histórico de todas as medidas, de leis e avanços, em nível governamental, no Brasil e no mundo, como foco na criação do Observatório de Políticas Públicas LGBTQIA+ do Acre. Os entrevistados foram Germano Marino e Daniel Lopes, naquele momento, pessoas que desempenhavam papeis estratégicos na construção de políticas públicas voltadas ao público LGBTQIA+.

A matéria foi veiculada no 17 de maio de 2024, mês dedicado à luta contra a LGBTfobia. “Pessoalmente, eu me sentia muito parte dessa matéria, sabe? Senti muita verdade escrevendo aquilo. Quando se lê a matéria é possível ver que eu estava empenhado, porque a matéria conversa muito comigo, como cidadão”, enfatiza Victor Manoel.
Durante o processo de criação e produção, a única dificuldade foi conciliar a rotina da redação com a realização de um material mais elaborado, especial. “Comecei a me programar duas semanas antes. Na semana anterior consegui entrevistar o Germano, o Daniel. Encaixar o tempo, conciliar as atividades pessoais, profissionais, de estudante, foi mais desafiador”, diz Victor.

Na reportagem “Outubro Rosa”, veiculada na TV Norte, emissora local, Aline Pontes abordou o programa de governo que garante prótese mamária às mulheres vítimas de câncer, e foi a segunda melhor colocada na categoria. O objetivo era entender e mostrar a realidade de mulheres que enfrentaram a luta contra o câncer de mama.
“A escolha do tema ocorreu no mês de outubro, durante a campanha do mês dedicado ao enfrentamento ao câncer. A gente conversou com as mulheres, médicos, mostrou o benefício da prótese, foi bem a fundo no assunto, para trazer para o público, nossos espectadores, como aquelas mulheres se sentiam após a retirada da mama, sua autoestima, a importância do benefício da prótese, como ficava a autoestima delas”, detalha Aline.
O reconhecimento
Considerando a educação como instrumento de transformação e inclusão, enfrentando dificuldades que venceu com apoio de familiares, amigos, professores, Victor Manoel fala da emoção de ter um trabalho reconhecido.
“Passou muita coisa pela minha cabeça. Meu pai de madrugada, na fila garantindo matrícula em uma escola boa, minha mãe, de madrugada, fazendo cachorro quente, pra eu vender pra poder bancar meu ônibus. Minha avó, a pessoa que mais me amou, o sacrifício que minha família fez pra eu estar aqui”, diz ao lembrar da noite em que foi anunciado como vencedor do Prêmio de Comunicação do Governo do Estado do Acre.

Em menos de um ano, ainda como estudante, Victor já coleciona prêmios. Além do concurso realizado pelo governo do Acre, venceu prêmios promovidos pelo Ministério Público do Estado do Acre e Sebrae. “Pra mim, foi uma resposta, que estou no caminho certo, do que estou querendo seguir”, avalia Victor.
Para além da premiação em dinheiro, Victor reconhece a importância da premiação como chancela ao trabalho profissional: “Fiquei mais conhecido. Onde eu entro hoje em dia, tenho um aval muito grande. Considerando o período de transição, hoje as pessoas não me veem mais só como estudante, me veem como jornalista. Esse prêmio [do governo do Estado] me colocou no mercado. As pessoas me convidam, querem ler meu texto, as pessoas se interessam pelo que eu me proponho a discutir.”

Mais que notoriedade, para Victor, a conquista de um prêmio é sinônimo de valorização profissional. “Depois desse prêmio senti que, para alguém em início de carreira, eu sou muito bem pago.”
Para Aline, a conquista do segundo lugar também foi uma grata surpresa. “Eu estava competindo com pessoas muito boas, que eu admiro e me inspiram até hoje. Eu não esperava, quando ouvi meu nome, quase morri (risos). Não sabia se ria, levantava, o que fazia. Quando cheguei em casa, que mostrei pra minha mãe a plaquinha que recebi, foi que a ficha caiu”, recorda ao detalhar a emoção na noite de premiação.

Segundo a jovem profissional de comunicação, o reconhecimento é sinônimo de credibilidade e motivação. “Um prêmio que valoriza e olha para a gente é muito importante. Assim como eu que não acreditava no meu trabalho, comecei a acreditar, fui reconhecida e comecei a gostar ainda mais do que fazia e me esforçar ainda mais”, disse Aline, que logo após a premiação foi convidada para atuar como repórter em uma rede regional de rádio e televisão.

O valor da comunicação pública e da participação jovem
Em entrevista à equipe da Agência de Notícias do Acre, os estudantes vencedores argumentam sobre a importância da Comunicação Pública.
“É essencial. A gente precisa saber o que o governo faz pela gente, sabe? Eu tenho amigos que trabalham [na Comunicação Pública do Acre], acompanho a Agência de Notícias. É um material de qualidade, feito com tanto cuidado, tem um zelo. Tenho noção do que é um trabalho de qualidade, porque acompanho a comunicação pública do nosso estado”, destaca Victor.
Já Aline ressalta a importância da participação jovem no mercado e na comunicação institucional. “Para quem ainda não está na área, continue, as oportunidades vão te ajudar no seu crescimento. Não tenha vergonha, não tenha medo. Vai ter desafios e obstáculos, mas tem a parte gratificante, que é ter a noção de que o que você vai passar tem credibilidade, as pessoas vão confiar no que você está falando”, diz Aline.
Prêmio de Comunicação do Governo do Estado do Acre – Marcos Vicentti
Com abrangência no Estado do Acre, o Prêmio de Comunicação do Governo do Estado busca estimular e valorizar a produção de trabalhos jornalísticos para enaltecer as melhores notícias veiculadas em diferentes veículos da imprensa ou plataformas digitais acreanas, com conteúdos que contribuam para dar publicidade aos atos e ações de governo de interesse e relevância social nas mais diversas áreas, como saúde, educação, cultura, cidadania, segurança pública, transporte, gestão pública, agricultura, esporte, direitos humanos, turismo, comunicação, produção, meio ambiente e ações sociais.
Nesta terceira edição, a novidade é a premiação para a modalidade Foto Amadora. Além da categoria Estudante, serão premiados os melhores trabalhos nas modalidades de Áudio, Texto, Vídeo e Foto. “A ideia é, a cada ano, fazer sempre melhor e contar com a participação do maior número de pessoas possível”, enfatiza a secretária de Comunicação, Nayara Lessa.

As inscrições para a terceira edição do Prêmio de Comunicação do Governo do Estado – Marcos Vicentti podem ser feitas das 8h do dia 20 de outubro até às 23h59 (horário local) do dia 31 de outubro de 2025, no site https://agencia.ac.gov.br.
ACRE
Espetáculo Tons da Resistência leva música e reflexão sobre igualdade racial a estudantes da Escola Paulo Freire
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE), por meio da Divisão de MultiArte, promoveu na manhã desta sexta-feira, 19, o espetáculo Tons da Resistência, para estudantes dos anos finais do ensino fundamental da Escola Estadual Paulo Freire, em Rio Branco. A atividade integra as ações do projeto de leitura da unidade escolar, intitulado “Uma viagem pelo mundo da leitura”, desenvolvido ao longo de todo o ano letivo.

A apresentação musical levou aos estudantes canções e reflexões sobre a valorização da cultura afro-brasileira e o combate ao racismo, em conformidade com a Lei nº 10.639, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.
De acordo com a coordenadora pedagógica da Escola Paulo Freire, Francisca Barros, a ação faz parte de uma série de atividades voltadas ao fortalecimento da leitura e da produção textual entre os estudantes.
“Essa apresentação integra as diversas atividades que temos realizado ao longo de 2026, dando continuidade ao trabalho desenvolvido em anos anteriores. É fundamental contar com o apoio da Secretaria de Educação e de outros setores, para elevar nossos indicadores de proficiência leitora, mostrando aos estudantes que a leitura é uma prática essencial e está presente em seu cotidiano”, destacou.

Segundo a coordenadora, os alunos do 6º ao 9º ano vêm participando de atividades relacionadas aos diversos gêneros textuais, com acompanhamento especial dos professores de Língua Portuguesa. As produções elaboradas pelos estudantes são expostas e recebem uma premiação simbólica, como forma de valorizar o processo de aprendizagem.
A apresentação do grupo MultiArte foi uma iniciativa proposta por professores de diferentes componentes curriculares da escola, em razão da relevância da temática. “O retorno dos estudantes tem sido muito positivo. Eles estão atentos e engajados, o que demonstra a importância do trabalho coletivo e do apoio institucional”, acrescentou Francisca.
Integrante da equipe MultiArte da SEE, a artista Sandra Buh explicou que o projeto Tons da Resistência surgiu da necessidade de trabalhar a temática étnico-racial ao longo de todo o ano letivo, e não apenas no mês de novembro.

“O projeto utiliza a música e a interação com os estudantes para apresentar compositores contemporâneos pouco difundidos pela mídia tradicional, promovendo uma abordagem contínua sobre as relações étnico-raciais, conforme prevê a legislação. A receptividade tem sido excelente, e nesta semana realizamos a sexta apresentação”, afirmou.
Sandra ressaltou que as escolas interessadas em receber o espetáculo ou outras ações do programa MultiArte podem entrar em contato e solicitar a apresentação.
Encantamento e aprendizado
A estudante Ana Clara Saad, do 6º ano, destacou que a apresentação despertou reflexões sobre a história do povo negro e chamou sua atenção pela estética e pela sonoridade.
“Foi uma experiência que me tocou profundamente. As músicas me fizeram refletir sobre o sofrimento enfrentado durante a escravidão e gostei muito da estrutura musical. Gostaria que mais atividades assim acontecessem na escola”, disse.

Para Brenda Ângeles, do 8º ano, o espetáculo contribui para conscientizar sobre os impactos do racismo e valorizar a cultura. “É importante para ensinar as pessoas a combaterem o racismo e também para incentivar a cultura. Gostei das músicas e gostaria de conhecer ainda mais canções sobre esse tema”, afirmou.
Já Eloá Rebeca Valente, do 6º ano, comparou a experiência a um espetáculo profissional: “Parecia que estávamos assistindo a um show pela televisão. Gostei muito da voz dos cantores e dos instrumentos. Foi muito bonito ver como as músicas representaram a cultura e a história do povo negro. Quero que eles voltem mais vezes à nossa escola”.
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Foto: Ingrid Kelly/Secom
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Foto: Mardilson Gomes/SEE
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