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Na Amazônia acreana, estudar muitas vezes começa antes do amanhecer

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Em meio aos desafios da Amazônia acreana, onde rios, lama, estiagem e longas distâncias fazem parte da rotina diária, a educação chega a lugares em que muitos acreditariam ser impossível manter uma escola funcionando.

Escola Ena Oliveira de Paula atende estudantes da alfabetização ao ensino médio na zona rural de Rio Branco. Foto: Mardilson Gomes/SEE

A cerca de 23 quilômetros da zona urbana de Rio Branco, a Escola Ena Oliveira de Paula demonstra o esforço de professores, alunos e do governo do Acre para garantir que nenhum estudante fique sem acesso ao ensino.

A unidade atende estudantes da alfabetização ao ensino médio, em turmas multisseriadas. Atualmente, a escola possui 26 alunos e funciona em uma realidade muito diferente daquela encontrada nos centros urbanos.

Escola Ena Oliveira de Paula conta com energia elétrica, internet e dormitórios para os professores. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Para chegar até a sala de aula, muitos estudantes enfrentam viagens diárias de barco que podem durar até 1h30. No período do verão amazônico, quando o rio baixa e a navegação se torna ainda mais difícil, o trajeto pode ultrapassar 1h45. Grande parte dos alunos sai do porto localizado no Ramal Polo Benfica e inicia a rotina de madrugada.

Letícia Larissa Bandeira, de 7 anos, acorda às 4h da manhã para conseguir chegar à escola. Mesmo tão nova, entende a importância dos estudos. “Mesmo acordando cedo, eu gosto de vir para a escola porque aqui eu aprendo e brinco com meus amigos”.

Pequena Letícia Larissa acorda às 4h da manhã para conseguir chegar à escola. Foto: Mardilson Gomes/SEE

A rotina também exige esforço dos educadores, que todos os dias enfrentam percursos pelos rios amazônicos para garantir que as aulas sejam ministradas. O professor Raimundo do Nascimento, que atua na escola desde 2018, explica que o trabalho na educação do campo exige dedicação além da função em sala.

“A gente vê alunos realizando sonhos e entrando na faculdade. Isso é gratificante”, afirma o professor Raimundo. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“Enquanto a gente reclama que sai de casa às 5h30 da manhã, há alunos que saem ainda mais cedo para chegar até a escola. Então a gente vê que está levando desenvolvimento para essas pessoas. Isso é muito gratificante”, afirma.

Segundo Raimundo, a realidade das escolas rurais amazônicas exige versatilidade dos educadores. “Já temos ex-alunos que hoje são dentistas, engenheiros e universitários. Inclusive temos um aluno cursando engenharia elétrica, que estudou aqui desde a alfabetização”, destaca.

‘Retorno vem quando vemos resultados’

Responsável pela escola e docentes das turmas do 1º ao 5º ano, a professora Helena Milhomens possui, em seu currículo, mais de duas décadas dedicadas à educação do campo. E relembra que, antes da chegada do transporte escolar, muitos estudantes iam às aulas a cavalo, a pé e até montados em bois.

“O maior desafio ainda é a locomoção, mas o retorno vem quando vemos os alunos aprendendo”, destaca Helena Milhomens. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“O maior desafio da educação do campo ainda é a locomoção. No verão, muitas vezes precisamos descer do barco para empurrar. Mas o retorno vem quando vemos o resultado do ensino aplicado aos alunos”, conta.

Muitos estudantes iniciam a rotina ainda de madrugada para conseguir chegar à escola. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Além do acesso por rio, a escola enfrenta desafios típicos da região amazônica, como as mudanças climáticas, que afetam diretamente o deslocamento, o isolamento geográfico e a dificuldade logística.

Ainda assim, a unidade conta com estrutura que possibilita o funcionamento das atividades, incluindo energia elétrica, água encanada, internet e dormitórios para os professores que moram longe da comunidade.

Professor Alessandro de Oliveira destaca os desafios e as experiências vividas na educação rural amazônica. Foto: Mardilson Gomes/SEE

O professor Alessandro de Oliveira, que atua na área de Ciências Humanas, afirma que a natureza faz parte da rotina de quem trabalha na educação rural amazônica.

“As escolas rurais têm a peculiaridade do acesso. Dependemos muito do clima. Às vezes o rio está cheio, às vezes está seco. Mas existe também o contato com a natureza, com os animais, e isso faz parte da nossa vivência”, explica.

‘A escola ajuda muito a gente’

Os alunos também vivem uma rotina intensa para manter os estudos. O estudante Lucas da Silva, de 13 anos, acorda às 5h da manhã para ajudar o avô nas tarefas da propriedade onde vivem antes de seguir para a escola. “Eu acordo cedo, vou tirar leite da vaca, depois tomo banho e me arrumo para ir para a escola”, conta.

Em cada viagem de barco, estudantes e professores carregam sonhos, desafios e esperança. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Lucas leva entre 35 e 40 minutos para chegar até a unidade e diz que, mesmo com a rotina cansativa, gosta do ambiente escolar, principalmente da convivência com os colegas e das refeições servidas durante o recreio.

Quando fala sobre o futuro, ainda não tem certeza da profissão que deseja seguir, mas sabe da importância de continuar estudando. “Eu quero terminar meus estudos. A escola ajuda muito a gente”, resume.

Educação do campo transforma histórias e aproxima oportunidades na Amazônia acreana. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Mesmo diante das dificuldades, os estudantes reconhecem o valor do ensino oferecido na unidade. A aluna Naiara Monteiro dos Carros, do 3º ano do ensino médio, acorda às 4h da manhã para conseguir estudar. Pretende fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e sonha cursar Agronomia.

“Eu acho que aqui vale a pena. É pouco aluno e os professores dão atenção para a gente. Às vezes ensinam e reensinam até a gente aprender”, afirma.

Fonte: Governo AC

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Governo do Acre consegue garantia de agilidade na liberação de recursos federais para a nova maternidade e de outras unidades de saúde

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O governo do Acre conseguiu, nesta quarta-feira, 20, em Brasília, a garantia do Ministério da Saúde (MS) de agilidade na liberação de recursos para a continuidade das obras da nova maternidade de Rio Branco e para outras unidades de saúde na capital e no interior do estado.

Pedido com este objetivo foi feito pelos secretários de estado de Obras Públicas (Seop), Ítalo Lopes, e da Representação do Governo do Acre em Brasília (Repac), Samuel Lisboa, e pela diretora de Planejamento da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), Daniela Tamwing, ao secretário adjunto de Atenção Especializada à Saúde daquele ministério, Carlos Amilcar Salgado, em reunião na sede do MS, na capital federal.

Secretário Ítalo Lopes (Seop) e Samuel Lisboa (Repac) solicitaram agilidade na liberação de recursos para obras na área de saúde no Acre junto ao Ministério da Saúde. Foto: Dilma Tavares/Repac

Os pedidos incluem liberações de parcelas referentes a um saldo de R$ 36,7 milhões de recursos federais destinados para a segunda fase da nova Maternidade de Rio Branco, mais R$ 6 milhões para a construção do Centro Especializado em Reabilitação – CER do Alto Acre, e R$ 424 mil para a reforma da Unidade de Atenção Especializada em Saúde de Acrelândia. Além da garantia dos recursos para a terceira etapa da Maternidade, provenientes do Novo PAC, programa de investimentos coordenados pelo governo federal.

Na reunião, o secretário de Obras, Ítalo Lopes, apresentou o mapa com o andamento detalhado das obras da nova maternidade e explicou a urgência da liberação dos recursos. “Precisamos aproveitar o período de verão que já começou na região e avançar nessa obra tão importante para o Acre”, disse afirmando “tratar-se de uma obra histórica e de grande dimensão, que é iniciativa de Estado, com ganhos concretos para a população ao longo do tempo, independente de governos”.

O secretário de Obras, Ítalo Lopes (centro), apresentou mapa das obras da nova Maternidade e solicitou recursos para que as obras avancem no período do verão que já começou no estado. Foto: Dilma Tavares/Repac

Ítalo Lopes ressaltou que a nova maternidade integra uma série de obras de estruturação da rede de saúde “que abrangem diversas outras construções, reformas e ampliações na área na capital e no interior”, reforçando a necessidade de recursos também para essas iniciativas avançarem no verão.

O pedido foi reforçado pelo secretário da Repac, Samuel Lisboa, que destacou a importância de cada obra. Entre elas, a construção do Centro Especializado em Reabilitação – CER, do Alto Acre, que será construído em Brasileia. “Além de Brasileia, esse centro atenderá também aos municípios de Assis Brasil, Epitaciolândia e Xapuri”, disse adiantando que esses municípios concentram 1,4 mil pessoas com deficiência física e intelectual.

O secretário da Repac, Samuel Lisboa, reforçou os pedidos de recursos para as obras da nova maternidade e para outras unidades de saúde no estado. Foto: Dilma Tavares/Repac

Samuel Lisboa lembrou ainda a necessidade da reforma da Unidade de Atenção Especializada em Saúde de Acrelândia e da construção do Centro em Reabilitação de Cruzeiro do Sul.

“Todas essas unidades possibilitam que o Acre continue avançando na área da saúde no estado, conforme objetivo da governadora Mailza Assis, que é sensível ao tema e determinou reforço no acompanhamento e nas articulações em Brasília visando garantir os recursos e apoios necessários para a prestação de serviços de saúde cada vez melhores para a população”, disse o secretário da Repac.

Outas obras que precisam de recursos federais foram listadas pela diretora da Planejamento da Sesacre, Daniela Tamwing.

Garantia

Os pedidos tiveram garantia positiva do secretário adjunto do Ministério da Saúde, Carlos Salgado. O que tiver ao nosso alcance será feito para disponibilizar, o quanto antes, os recursos a tempo para que as obras sejam concluídas e que nós tenhamos logo recursos sendo transformados em cuidado efetivo para a população”, afirmou ele, que também elogiou o governo do Acre pela estruturação do sistema de saúde no estado e o andamento das obras.

O secretário adjunto do Ministério da Saúde, Carlos Amilcar Salgado, garantiu agilidade na liberação dos recursos e elogiou trabalho do governo do Acre estruturação do sistema de saúde no estado. Foto: Dilma Tavares/Repac

“Recebemos a notícia de que a execução, esse ano e no ano passado, no Acre, tem sido primorosa e isso traz muita satisfação, pois temos um olhar muito atento para a Região Norte”, afirmou ele ressaltando a importância dos investimentos para reduzir as desigualdades no país. “Nesse sentido, o Acre vem brilhando em aplicar recursos em estruturação da rede de saúde, o que é bom para a população acreana”, concluiu.

Da esquerda para a direita, Roberto Hemckmeier, Rafaela Pinheiro, Samuel Lisboa, Carlos Salgado, Ítalo Lopes, Daniela Tamwing e Moacir Silva. Foto: Dilma Tavares/Repac

Também participaram da reunião, pela Repac, o chefe do Departamento Técnico, Roberto Hemckmeier. Pelo MS, estavam também o assessor do gabinete da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, Moacir Araújo da Silva, e a assessora do Departamento de Atenção Hospitalar, Urgência e Domiciliar, Rafaela Pinheiro.

Fonte: Governo AC

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