AGRONEGÓCIO
Açúcar e etanol enfrentam volatilidade no mercado interno e quedas nos contratos internacionais
AGRONEGÓCIO
O mercado de açúcar e etanol no Brasil apresenta volatilidade nesta segunda quinzena de outubro, com preços do açúcar cristal firmes no mercado paulista, mas queda nos contratos internacionais. Já o etanol hidratado registra aumento na comercialização, refletindo maior demanda interna.
Açúcar cristal mantém preços firmes no mercado paulista
Segundo levantamento do Cepea/Esalq, os preços do açúcar cristal ficaram estáveis a ligeiramente mais firmes no spot paulista entre 6 e 10 de outubro, com média de R$ 117,36 por saca de 50 kg (Icumsa 130 a 180), alta de 0,44% em relação ao período anterior.
O movimento se deu principalmente pela restrição da oferta, em razão do maior volume destinado às exportações. Compradores, especialmente de cristal tipo Icumsa 150, buscaram negociar novos lotes, enquanto usinas paulistas mantiveram os preços firmes para vendas no spot.
Exportações e safra global pressionam contratos internacionais
Nos mercados internacionais, o açúcar registrou queda nos contratos futuros. Na ICE Futures em Nova York, o contrato de março/26 caiu para 15,45 centavos de dólar por libra-peso (-1,02%), o de maio/26 a 14,97 centavos (-1,25%) e julho a 14,87 centavos (-1,26%). Em Londres, o açúcar branco para dezembro/25 foi cotado a US$ 441,30 por tonelada, recuo de 0,61%.
A pressão nos preços reflete a perspectiva de superávit global na safra 2025/26, com previsões de safras robustas na Índia e na Tailândia, além do equilíbrio entre oferta e demanda na produção brasileira. Dados da Unica apontam que a moagem de cana para açúcar no Centro-Sul aumentou, com 53,49% da cana destinada ao açúcar na segunda quinzena de agosto, contra 47,74% no mesmo período de 2024. A produção acumulada do Centro-Sul até meados de setembro caiu 0,1% para 30,388 milhões de toneladas, mas a segunda quinzena apresentou alta anual de 15,7%, totalizando 3,622 milhões de toneladas.
Etanol hidratado registra alta na comercialização
O etanol hidratado também atraiu atenção no mercado interno. Dados do Cepea mostram que o volume comercializado pelas usinas paulistas quase dobrou em relação à semana anterior, refletindo maior demanda e menores estoques frente ao mesmo período de 2024.
Apesar do aumento na movimentação, os preços se mantiveram estáveis. Entre 6 e 10 de outubro, o Indicador CEPEA/Esalq fechou em R$ 2,7156 por litro para o hidratado (queda de 0,4%) e R$ 3,1126 por litro para o anidro (recuo de 0,36%), ambos líquidos de impostos.
Perspectivas para o mercado
Segundo especialistas, o setor enfrenta desafios mistos: enquanto a maior liquidez interna e a firmeza nos preços do açúcar cristal sustentam parte do mercado, a pressão internacional e a expectativa de safras globais robustas mantêm o viés negativo para os contratos futuros.
A corretora Sucden Financial destaca que a estrutura técnica aponta para fraqueza sustentada no curto prazo em Nova York, reforçando a influência de excesso de oferta e tendências gráficas de baixa. Nos próximos dias, o mercado acompanhará de perto os dados de produção e moagem de cana no Centro-Sul, que podem impactar os preços de curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco lança projeto que fortalece identidade e pertencimento entre estudantes da rede municipal
-
FAMOSOS6 dias atrásAngélica reflete sobre prioridades e destaca importância do autocuidado na rotina
-
POLÍTICA NACIONAL7 dias atrásBrasil proíbe produção e venda de ‘foie gras’, feito por alimentação forçada
-
TJ AC7 dias atrásTJAC participa da posse do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher
-
FAMOSOS7 dias atrásCarol Leite mostra álbum de férias em família com Kaká e as filhas na Disney
-
AGRONEGÓCIO6 dias atrásCálculo bovino que vale mais que ouro ganha acesso ao mercado chinês
-
SEM CATEGORIA6 dias atrásPrefeitura de Rio Branco participa da entrega de kits esportivos do Projeto Esporte Total
-
MP AC7 dias atrásAssis Brasil: MPAC acompanha preparativos para o 20º Festival de Praia