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Aumento dos custos pressiona margens e desafia produtores de leite em Mato Grosso

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O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou que o custo de produção do leite em Mato Grosso registrou alta em 2025, reduzindo a rentabilidade dos produtores. Mesmo com leve recuperação no preço pago ao produtor, o aumento das despesas com suplementação e reposição de animais comprometeu a margem líquida da atividade no estado.

Custo de produção do leite sobe e atinge R$ 1,46 por litro

Segundo o levantamento do Imea, o Custo Operacional Efetivo (COE) — que considera os gastos diretos da produção — aumentou 3,72% em 2025 em relação ao ano anterior, alcançando R$ 1,46 por litro de leite produzido.

  • O avanço foi impulsionado, principalmente, por dois fatores:
  • suplementação mineral, que teve aumento de 11,65%;
  • aquisição de animais, com elevação de 11,48% nos custos.

Esses componentes representaram parte significativa do orçamento dos produtores, em um cenário de custos ainda elevados mesmo após a estabilização dos preços de grãos e insumos agrícolas.

Preço do leite cresce, mas não cobre o custo total

Em 2025, o preço médio pago ao produtor em Mato Grosso foi de R$ 2,19 por litro, o que garantiu margem bruta positiva de R$ 0,74 por litro, considerando apenas o COE.

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No entanto, quando incluídos os custos de depreciação de equipamentos, mão de obra familiar e investimentos fixos, o Custo Operacional Total (COT) subiu para R$ 2,39 por litro.

Com isso, a margem líquida ficou negativa em R$ 0,19 por litro, indicando que parte dos produtores operou abaixo do ponto de equilíbrio financeiro.

“Mesmo com uma leve recuperação no preço pago ao produtor, o aumento dos custos de reposição e suplementação comprometeu a lucratividade da atividade”, destaca o Imea.

Perspectivas indicam alívio moderado no curto prazo

Apesar do cenário de margens apertadas, o Imea projeta melhora gradual nas condições de rentabilidade nos próximos meses. A redução dos preços de insumos importantes, como milho e farelo de soja, tende a aliviar parte dos custos de alimentação do rebanho.

Além disso, o aumento da produção de leite no último trimestre de 2025 contribuiu para diluir despesas fixas, criando expectativa de melhora nas margens no início de 2026, caso o ritmo de produtividade se mantenha.

Desafios e oportunidades para o setor leiteiro

O cenário reforça a necessidade de gestão de custos eficiente e diversificação de fontes de receita por parte dos produtores. A adoção de práticas como o uso de pastagens mais produtivas, controle nutricional e investimento em genética de rebanho pode ajudar a reduzir despesas e aumentar a eficiência da produção.

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Além disso, programas de assistência técnica e cooperativismo continuam sendo aliados estratégicos para pequenos e médios produtores, que enfrentam maior vulnerabilidade em períodos de aumento de custos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja

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A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.

A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.

O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui

Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.

A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.

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Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br

Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.

O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.

Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.

Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.

Isan Rezende

Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.

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O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.

“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.

“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.

Fonte: Pensar Agro

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