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Mercados Globais e Brasileiros Recuam com Sinais de Cautela Entre Investidores
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Nesta quinta-feira (5), os principais mercados financeiros do Brasil e do mundo registram movimentos mistos, em um cenário marcado pela cautela dos investidores e pela volatilidade nos preços de commodities e ações de tecnologia. As bolsas operam com variações expressivas, acompanhando o clima de incerteza global e ajustes após fortes oscilações recentes.
Ibovespa Cai com Pressão em Ações Locais e Recuo Global
No Brasil, o Ibovespa segue em queda nesta quinta-feira, refletindo o movimento de correção nos mercados internacionais e a pressão vendedora em setores de commodities e financeiro. O índice recua cerca de 2,1%, negociando próximo dos 181,7 mil pontos, em meio a um dia de menor apetite ao risco e volume moderado de negociações.
Os investidores locais acompanham as variações externas e os impactos da desaceleração em mercados emergentes. O movimento também é influenciado pelas perspectivas sobre a política monetária nos Estados Unidos e pelos ajustes nos preços de ativos ligados ao consumo e energia.
Wall Street Tem Sessão Mista com Queda em Ações de Tecnologia
Nos Estados Unidos, os índices de Nova York encerraram o pregão anterior de forma mista. O Dow Jones avançou 0,53%, impulsionado por ações de empresas tradicionais, enquanto o S&P 500 recuou 0,51% e o Nasdaq caiu 1,51%, pressionado por vendas intensas em papéis do setor de tecnologia.
A volatilidade reflete a postura cautelosa dos investidores, que ainda analisam resultados corporativos e aguardam novos indicadores econômicos norte-americanos. As ações de tecnologia, que haviam liderado ganhos recentes, passaram por realização de lucros.
Mercados Europeus Sem Direção Única em Meio à Cautela
As bolsas europeias também operaram sem uma tendência definida. O índice pan-europeu STOXX 600 chegou a renovar recorde de fechamento, mas com ganhos modestos. Entre os principais mercados, o CAC 40 (França) subiu 1,01%, o FTSE 100 (Reino Unido) avançou 0,85%, enquanto o DAX (Alemanha) recuou 0,72%.
A falta de direção clara reflete a divisão entre o otimismo com a recuperação econômica do continente e a preocupação com o ritmo de crescimento global, além das incertezas em torno da inflação e das decisões do Banco Central Europeu.
Ações Asiáticas Têm Queda com Pressão em Metais e Tecnologia
Nos mercados asiáticos, as bolsas fecharam de forma mista, com destaque para as quedas em Xangai e Shenzhen, pressionadas pelo recuo nos preços dos metais preciosos e pela desvalorização das ações de tecnologia.
O índice de Xangai (SSEC) e o CSI300 caíram 0,6%, acompanhando a perda de força em empresas ligadas à mineração e à eletrônica. Já o Hang Seng, de Hong Kong, conseguiu leve alta de 0,1%.
A nova onda de vendas de ouro e prata derrubou as ações com exposição a metais preciosos. O índice CSI SSH Gold Equity caiu 4,7%, e o CSI SWS Non-Ferrous Metal teve queda de 4,9%. O UBS SDIC Silver Futures Fund, único fundo de futuros de prata da China continental, atingiu o limite diário de baixa de 10% pelo quarto dia consecutivo.
As ações de tecnologia também recuaram globalmente. O Índice CSI AI caiu 1,5%, e o índice de semicondutores teve leve baixa de 0,4%. Entre as exceções positivas, a Baidu subiu 2,7% em Hong Kong, impulsionada pelo otimismo sobre recompra de ações e pagamento de dividendos.
Bolsas da Oceania Também Apresentam Oscilações
Na região da Oceania, o S&P/ASX 200 da Austrália recuou 0,43%, encerrando o pregão a 8.889 pontos. O movimento refletiu o ajuste em setores de energia e mineração, que acompanharam a queda dos preços internacionais de commodities metálicas.
Principais Fatores que Influenciam os Mercados
1. Queda nos Metais Preciosos
A pressão sobre os preços de ouro e prata impactou negativamente as ações do setor de mineração, especialmente na China. A correção nesses ativos reflete um movimento global de realização de lucros após fortes altas anteriores.
2. Setor de Tecnologia em Correção
A venda generalizada de ações de tecnologia, iniciada nos EUA e propagada para a Ásia, reduziu o ímpeto dos investidores e afetou índices como o Nasdaq e o CSI AI.
3. Cautela Global e Volume Menor
Com o avanço do período de férias em algumas regiões e o aguardo por dados econômicos relevantes, o volume de negociações globais se manteve abaixo da média, o que tende a aumentar a volatilidade nos próximos dias.
Cenário de Incerteza e Perspectivas
O cenário global segue de cautela, com os investidores buscando equilíbrio entre riscos e oportunidades. A combinação de oscilações em commodities, ajustes em tecnologia e expectativas por políticas monetárias mais claras deve continuar influenciando o comportamento dos mercados nos próximos dias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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