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Bezerro com ágio elevado exige estratégia refinada na pecuária de corte

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A valorização do bezerro acima de 35% em relação ao boi gordo exige maior atenção de pecuaristas na compra, controle de custos e manejo produtivo. A análise é do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), que destaca ajustes estratégicos para manter a rentabilidade no setor.

Ágio do bezerro: ponto central para controle de custos

Segundo o gerente técnico da SIA, Armindo Barth Neto, o primeiro fator de atenção é o ágio pago pelo bezerro em relação ao boi gordo. Produtores eficientes costumam trabalhar com ágio entre 35% e 40%, mantendo o custo de entrada do animal dentro de limites viáveis.

Em um cenário com arroba do boi gordo em torno de R$ 350, o preço ideal do bezerro na propriedade deve ficar próximo de R$ 15,50 a R$ 16,00 por quilo. “O principal é cuidar do quanto está sendo pago de ágio. Bons produtores operam entre 30% e 35% acima do valor do boi gordo”, reforça Barth Neto.

Controle da média de compra: planilhas como ferramenta

O acompanhamento dos lotes adquiridos é decisivo para equilibrar custos. O SIA recomenda o uso de planilhas de controle para monitorar os valores pagos e compensar compras mais caras com lotes mais baratos, mantendo a média sob controle.

“Não há problema em pagar um lote um pouco mais caro, desde que seja compensado ao longo das compras”, comenta o especialista.

Peso do bezerro na reposição: impacto direto na rentabilidade

O peso do animal na compra influencia diretamente o resultado da recria e terminação. A orientação é evitar animais muito pesados com custo elevado, que podem reduzir a margem de lucro.

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A faixa indicada para aquisição é 210 kg a 240 kg, garantindo maior eficiência na fase de engorda.

Eficiência produtiva: pasto manejado e suplementação estratégica

Dentro da propriedade, o foco deve ser custo baixo e alto desempenho. Pastagens bem manejadas e adubadas, combinadas a suplementação de baixo consumo, permitem maior ganho de peso por animal e maior número de bovinos por hectare.

“Com pasto bem conduzido, o produtor consegue alto desempenho com custo relativamente baixo”, afirma Barth Neto.

Terminação e abate: reduzir custo médio e aumentar retorno

A recomendação estratégica é manter o animal o maior tempo possível no pasto e concentrar a fase mais cara no final do ciclo. A entrada na terminação deve ocorrer mais pesada, entre 430 kg e 450 kg, reduzindo o custo médio de produção.

O peso de abate também é decisivo para a rentabilidade: “Abater o animal mais pesado possível aumenta o retorno por cabeça e melhora a relação de troca”, destaca o gerente técnico.

Disciplina na compra e eficiência como pilares da pecuária de corte

Para Barth Neto, em anos de pressão sobre o custo de reposição, é fundamental disciplina na compra, ajuste de lotação e eficiência no sistema produtivo. Essas ações são essenciais para preservar margem e competitividade no setor de pecuária de corte.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colheita passa da metade, mas chuva atrasa máquinas e aumenta risco de perdas

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A colheita do milho safrinha entrou na segunda metade no Brasil, puxada pelo avanço das máquinas em Mato Grosso. O ritmo nacional, entretanto, continua abaixo do registrado no ano passado, enquanto chuvas e elevada umidade dos grãos dificultam os trabalhos no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O último levantamento consolidado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostrava 49,8% da área colhida até 18 de julho, ante 55,5% no mesmo período de 2025 e uma média de 56,7% nos últimos cinco anos. Dados estaduais divulgados posteriormente indicam que o País já ultrapassou a metade da área, embora ainda não exista um novo percentual nacional consolidado.

A segunda safra concentra aproximadamente 77% de todo o milho produzido no Brasil. A Conab estima uma colheita de 109,43 milhões de toneladas, dentro de uma produção total de 141,7 milhões de toneladas, considerando também as safras de verão e a terceira safra.

Mato Grosso está mais próximo de concluir os trabalhos. Até sexta-feira (24), os produtores haviam retirado o cereal de 90,66% da área, avanço de 11,74 pontos percentuais em uma semana. O índice supera ligeiramente os 90,37% observados no mesmo período do ano passado, mas permanece abaixo da média de 92,68% dos últimos cinco anos.

No Médio-Norte mato-grossense, principal polo produtor do cereal, a colheita chegou a 98,03%. Mantido o ritmo atual e sem novas interrupções climáticas, o Estado deverá encerrar a maior parte dos trabalhos entre o fim de julho e o início de agosto.

Mato Grosso deve colher um recorde de 57,06 milhões de toneladas, mais da metade de todo o milho segunda safra previsto pela Conab para o Brasil. A produtividade estadual foi estimada em 128,64 sacas por hectare, resultado favorecido pelo desempenho das lavouras do Médio-Norte.

A situação é diferente no Paraná. A colheita havia alcançado 29% da área no início da última semana, ante 40% no mesmo período de 2025 e 67% em 2024. Além do plantio mais tardio, as chuvas recentes impediram a entrada das máquinas em várias propriedades e mantiveram elevada a umidade dos grãos.

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O Paraná deverá concentrar a retirada do milho durante agosto. Parte dos trabalhos poderá avançar por setembro, especialmente nas áreas implantadas mais tarde. O Estado cultiva aproximadamente 2,9 milhões de hectares e espera colher cerca de 17,4 milhões de toneladas na segunda safra.

As precipitações da semana passada reduziram o ritmo, mas ainda não há confirmação de perdas expressivas provocadas diretamente pelas chuvas. Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), o principal efeito observado até agora é operacional. O excesso de umidade impede a colheita e aumenta os gastos com secagem, mas a extensão de eventuais danos dependerá do tempo de permanência do milho maduro no campo.

Quanto maior a demora, maior o risco de germinação dos grãos na espiga, ocorrência de fungos, tombamento das plantas e redução do padrão comercial. A umidade também pode provocar filas nos armazéns e limitar o recebimento das cargas, sobretudo quando muitos produtores retomam a colheita ao mesmo tempo após a abertura do tempo.

Em Mato Grosso do Sul, a retirada do cereal chegou a 15,8% da área até 17 de julho, ante 8,2% na semana anterior. Apesar da aceleração, o Estado permanece atrás do ritmo da safra passada. As chuvas registradas desde junho elevaram a umidade dos grãos e retardaram a entrada das máquinas.

A produção sul-mato-grossense está estimada em 11,14 milhões de toneladas, cultivadas em 2,2 milhões de hectares. Historicamente, a colheita ganha força na segunda quinzena de julho e atinge o pico entre o fim deste mês e o início de setembro. Por isso, o atraso atual ainda pode ser parcialmente recuperado se houver uma sequência de dias secos.

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Goiás havia colhido 28% da área até 18 de julho. No Estado, a maior preocupação não está apenas no calendário. Períodos de estiagem registrados em abril e maio atingiram as lavouras durante fases importantes do desenvolvimento e reduziram o potencial produtivo em diferentes regiões.

A falta de chuva também afetou áreas de Minas Gerais, São Paulo e Piauí. Nesses locais, a colheita deverá confirmar perdas provocadas por espigas menores, falhas no enchimento dos grãos e redução da produtividade. O impacto varia conforme a época de plantio e o estágio em que cada lavoura enfrentou o déficit hídrico.

No Rio Grande do Sul, os temporais da última semana causaram alagamentos e danos em mais de 200 municípios. O impacto sobre a produção nacional de milho, porém, tende a ser limitado porque o Estado concentra sua produção na primeira safra, que já havia sido praticamente concluída antes das chuvas. Os maiores riscos imediatos estão nas estradas rurais, nas estruturas das propriedades e nas culturas de inverno.

Pelo calendário dos principais estados produtores, a maior parte da segunda safra brasileira deverá ser retirada até o fim de agosto. Áreas implantadas mais tarde no Paraná, em Mato Grosso do Sul e em partes do Matopiba poderão permanecer no campo durante setembro.

O volume final continuará elevado, mas a diferença entre as regiões será significativa. Mato Grosso caminha para uma colheita recorde e praticamente concluída, enquanto produtores de outros estados ainda enfrentam atraso, umidade excessiva ou perdas causadas pela estiagem.

Fonte: Pensar Agro

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