AGRONEGÓCIO
Bolsas globais avançam e Ibovespa renova máximas históricas próximo dos 200 mil pontos
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Os mercados financeiros globais operam em alta nesta terça-feira (14/04/2026), refletindo um ambiente de maior apetite por risco entre investidores. O movimento positivo é sustentado por fatores geopolíticos e econômicos, com destaque para o desempenho das bolsas asiáticas e a continuidade da valorização do mercado acionário brasileiro.
Bolsas asiáticas fecham em alta com otimismo internacional
As principais bolsas da Ásia encerraram o pregão em alta, impulsionadas pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, fator que contribui para a redução das tensões geopolíticas e melhora o humor dos investidores globais.
Na China, o índice de Xangai avançou 0,95%, aos 4.026 pontos. O CSI300, que reúne grandes empresas listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 1,19%, aos 4.701 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng registrou alta de 0,82%, fechando aos 25.872 pontos.
Outros mercados relevantes da região acompanharam o movimento positivo. O Nikkei, do Japão, subiu 2,43%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 2,74%, refletindo um cenário de maior confiança global.
Ibovespa mantém trajetória de alta e renova recordes
No Brasil, o Ibovespa segue em valorização nesta terça-feira, operando entre 197 mil e 198 mil pontos e consolidando novas máximas históricas. O índice apresenta alta superior a 1% no dia, mantendo uma sequência consistente de ganhos recentes.
O desempenho da bolsa brasileira reflete um ambiente de otimismo no mercado interno, sustentado principalmente pela entrada de capital estrangeiro e pela valorização de ações de grande peso.
Ações de commodities lideram ganhos na bolsa
Entre os principais destaques do pregão estão os papéis de empresas ligadas ao setor de commodities, que exercem forte influência sobre o índice:
- Petrobras (PETR4), beneficiada pela valorização do petróleo no mercado internacional;
- Vale (VALE3), impulsionada pelo cenário favorável para o minério de ferro.
A performance positiva dessas ações contribui diretamente para a sustentação dos níveis recordes do Ibovespa.
Tendência segue positiva com suporte externo e fluxo estrangeiro
O mercado brasileiro mantém uma tendência de alta consistente, com sucessivas máximas e perspectiva de atingir, em breve, o patamar simbólico dos 200 mil pontos.
Entre os principais fatores que sustentam esse movimento estão:
- Entrada contínua de capital estrangeiro;
- Ambiente externo mais favorável;
- Expectativas positivas para a economia brasileira;
- Valorização das commodities no mercado internacional.
Cenário global reforça momento positivo dos mercados
O alinhamento entre o desempenho das bolsas internacionais e o mercado brasileiro reforça o atual momento de maior confiança dos investidores. O ambiente externo mais estável, aliado a fundamentos internos, tem impulsionado os mercados acionários.
Apesar do cenário positivo, o mercado segue atento aos desdobramentos geopolíticos e econômicos, que podem influenciar o comportamento dos ativos nos próximos dias.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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