AGRONEGÓCIO
Bolsas globais sobem com otimismo geopolítico, tecnologia e commodities em queda; Ibovespa futuro supera 191 mil pontos
AGRONEGÓCIO
Os mercados financeiros globais iniciam a quarta-feira (06) em forte tom positivo, refletindo um ambiente de maior apetite ao risco entre investidores. O movimento é impulsionado por expectativas de distensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã, avanço de empresas ligadas à inteligência artificial e queda expressiva nos preços do petróleo.
No Brasil, o Ibovespa futuro ultrapassou a marca dos 191 mil pontos, acompanhando o otimismo internacional, enquanto o dólar comercial recua e juros futuros apresentam alívio, favorecendo setores domésticos.
Wall Street avança com tecnologia e cenário geopolítico no radar
Os índices futuros de Nova York operam em alta nesta manhã. Por volta das 8h40 (horário de Brasília), o mercado refletia o apetite global por risco:
- S&P 500 futuro: alta de 0,82%
- Nasdaq futuro: alta de 1,42%
- Dow Jones futuro: alta de 0,89%
O desempenho é sustentado principalmente pelo setor de tecnologia, com destaque para empresas ligadas à inteligência artificial, além da leitura positiva de uma possível aproximação diplomática entre EUA e Irã, o que reduz tensões no Oriente Médio e influencia diretamente o preço do petróleo.
Europa registra forte alta com sentimento global positivo
As bolsas europeias também operam em terreno positivo, acompanhando o fluxo global de otimismo. No mesmo horário:
- STOXX 600: +2,61%, aos 625,64 pontos
- DAX (Alemanha): +2,97%
- FTSE 100 (Reino Unido): +2,48%
- CAC 40 (França): +3,24%
O avanço generalizado reflete o alívio nos mercados de energia e a expectativa de menor pressão inflacionária diante da queda das commodities.
Ásia tem sessão reduzida por feriados
Nos mercados asiáticos, China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechados devido a feriados locais, o que reduziu o volume global de negociações e contribuiu para maior volatilidade em outras regiões.
Petróleo despenca e influencia ativos globais
Um dos principais destaques do dia é a forte queda do petróleo, que recua cerca de 10% em meio à expectativa de distensão geopolítica. O movimento impacta diretamente empresas de energia e melhora a percepção inflacionária global, favorecendo ativos de risco.
Ibovespa futuro sobe e dólar recua no Brasil
No Brasil, o mercado financeiro acompanha o cenário externo e opera em alta consistente. O Ibovespa futuro supera os 191 mil pontos, sustentado pelo fluxo estrangeiro e melhora das condições globais.
Destaques do mercado brasileiro na manhã desta quarta-feira:
- Ibovespa futuro: acima de 191.200 pontos
- Dólar comercial: recua e é negociado próximo de R$ 4,90
- Juros futuros: em queda, aliviando custo de capital
- Setores beneficiados: varejo, consumo e economia doméstica
A combinação de dólar mais fraco e juros em queda tende a favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo econômico interno, enquanto exportadoras acompanham o movimento das commodities.
Cenário global reforça apetite por risco nos mercados
O ambiente financeiro desta quarta-feira é marcado por três fatores centrais:
- Expectativa de avanço diplomático entre EUA e Irã
- Forte valorização de tecnologia e inteligência artificial
- Queda expressiva do petróleo, reduzindo pressão inflacionária
Com isso, investidores ampliam posições em ativos de risco, impulsionando bolsas globais e o mercado brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Decisão judicial extingue ação da Aprosoja que cobrava R$ 1,1 bilhão por Moratória da Soja
A Justiça de Mato Grosso encerrou a ação em que a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) cobrava R$ 1,1 bilhão de empresas e entidades por prejuízos que atribuía à Moratória da Soja. A sentença, proferida na terça-feira (13), fecha na primeira instância a tentativa de obter uma reparação coletiva aos agricultores atingidos pelas restrições de compra do acordo.
A cobrança buscava compensar perdas que, segundo a associação, decorreram da dificuldade de vender soja mesmo quando a produção atendia à legislação ambiental. A Aprosoja-MT pretendia que empresas comercializadoras, entidades setoriais e seus representantes respondessem financeiramente por esses danos.
O processo discutia os efeitos de um pacto do qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) anunciou sua saída em janeiro de 2026. A retirada ocorreu após a entrada em vigor da lei mato-grossense que restringiu incentivos fiscais a empresas participantes de acordos com exigências superiores às da legislação ambiental. Em agosto, depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a entidade reafirmou que não pretendia retomar a moratória. Saiba mais aqui
Criado em 2006, o compromisso previa a recusa de soja cultivada em áreas do bioma Amazônia desmatadas depois de julho de 2008. A restrição alcançava também áreas abertas com autorização. Para a Aprosoja-MT, esse critério prejudicava agricultores que cumpriam a lei, mas encontravam menos alternativas de compradores para sua produção.
A saída das empresas e a cobrança pelas perdas anteriores seguiram caminhos diferentes. Enquanto a Abiove abandonou o pacto coletivo, a associação dos produtores manteve a tentativa de responsabilizar seus participantes pelos efeitos que atribuía à aplicação das restrições.
Essa cobrança foi atingida pelo julgamento do STF de 12 de agosto. O Supremo considerou que o acordo respeitava a Constituição e determinou o encerramento dos processos judiciais e administrativos baseados na sua suposta ilegalidade, inclusive dos pedidos de responsabilização financeira. A Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá aplicou essa ordem ao processo da Aprosoja-MT. portal.stf.jus.br
Com isso, o pedido de R$ 1,1 bilhão foi encerrado antes da análise dos prejuízos alegados. A sentença deixa os agricultores representados pela associação sem a reparação buscada nessa ação e afasta das empresas processadas, nesta primeira instância, a cobrança coletiva.
O Supremo também manteve as leis estaduais que restringem incentivos a participantes de acordos dessa natureza. Estabeleceu, porém, que a retirada de benefícios deve respeitar os prazos tributários e a proteção das isenções concedidas mediante condições assumidas pelas empresas. O resultado preservou tanto a validade jurídica do pacto quanto a possibilidade de os estados estabelecerem condições para conceder incentivos.
Na mesma sentença, a Justiça rejeitou os pedidos para que a Aprosoja-MT pagasse honorários, despesas processuais e multa por má-fé. A associação teve sua cobrança encerrada, mas ficou livre dessas despesas reclamadas pelos réus.
Na comercialização atual, a Abiove informou que suas associadas passaram a atender individualmente às exigências dos mercados compradores. Para o produtor, as condições de aceitação da soja dependem das políticas de cada empresa. Já a sentença desta semana trata da disputa pelas perdas atribuídas ao antigo compromisso coletivo e encerra, nessa primeira instância, a tentativa de recuperação desses valores.
Isan Rezende
Com isso, os produtores representados pela Aprosoja-MT não receberão qualquer indenização das empresas ligadas à Moratória da Soja. A Aprosoja-MT buscava responsabilizar empresas e entidades por prejuízos que atribuía à moratória. Seu argumento era que agricultores que respeitavam a legislação ambiental também podiam ficar sem acesso a compradores por causa das exigências do acordo.
O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, lamentou a decisão. “O encerramento da ação frustra a expectativa de reparação dos produtores que se consideram prejudicados pela Moratória da Soja. A cobrança da Aprosoja procurava dar uma resposta a quem cumpriu a legislação ambiental, investiu na propriedade e encontrou restrições para vender. A sentença encerrou esse pedido sem examinar os prejuízos alegados. Isso precisa ficar claro para o agricultor”, comentou.
“O problema comercial continua exigindo atenção. O produtor precisa saber, antes de plantar e de assumir compromissos, quais critérios serão usados para receber sua soja. Quem trabalha dentro da lei precisa de previsibilidade para investir. Também é necessário dar transparência às exigências dos compradores, para que o agricultor consiga avaliar suas alternativas de venda e os custos envolvidos”, disse Rezende.
“Agora, o setor precisa concentrar esforços para ampliar mercados e construir condições comerciais mais claras. Sair de um acordo coletivo não significa, necessariamente, abandonar as restrições de compra. Por isso, a representação dos produtores deve acompanhar as regras adotadas por cada empresa e buscar soluções que preservem o acesso aos mercados e a renda de quem produz”, recomendou o presidente do IA.
Fonte: Pensar Agro
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