AGRONEGÓCIO
Extremo-Oeste de Santa Catarina deve colher mais de 200 sacas de milho por hectare, aponta levantamento da Epagri e Sicoob
AGRONEGÓCIO
O Extremo-Oeste catarinense deve registrar uma das maiores produtividades de milho do país na safra 2025/26. De acordo com o levantamento preliminar do Giro da Safra, realizado em São Miguel do Oeste, a região deve colher, em média, 200,1 sacas por hectare. O estudo é fruto de uma parceria entre a Epagri e o Sicoob Central SC/RS, e avaliou até agora 70 lavouras da região.
O projeto contempla 87 propriedades rurais distribuídas por municípios como Belmonte, Caibi, Cunha Porã, Descanso, Dionísio Cerqueira, Guaraciaba, Iporã do Oeste, Maravilha, Palmitos, Pinhalzinho, São José do Cedro e Saudades.
Pinhalzinho, Cunha Porã e Guaraciaba lideram a produtividade regional
Os municípios com melhor desempenho até o momento são Pinhalzinho, com 219,3 sacas/ha, Cunha Porã, com 216,4 sacas/ha, e Guaraciaba, com 215,1 sacas/ha.
Segundo Walmir Kretschmer, assistente de pesquisa da Epagri/Cepa, os dados consolidados serão divulgados em encontros com agricultores, cooperativas e representantes do setor produtivo das regiões de São Miguel do Oeste e Palmitos. Além da análise técnica, a iniciativa busca subsidiar políticas públicas e orientar práticas agrícolas mais eficientes.
Produção de milho é estratégica para Santa Catarina
Para o presidente da Epagri, Dirceu Leite, o Giro da Safra é uma ferramenta fundamental para o planejamento do setor agrícola. Ele reforça que as estimativas de produção de milho são estratégicas para Santa Catarina, um dos estados brasileiros mais dependentes desse grão, essencial para sustentar a cadeia da produção animal.
Com base nesses indicadores, o governo estadual e o setor produtivo podem definir ações para fortalecer o cultivo do milho e reduzir a dependência de importações.
Já o coordenador de Planejamento e Estratégia Agro do Sicoob Central SC/RS, Paulo Vitor Sangaletti, destacou o sucesso do evento, que chega à terceira edição.
“Nossas equipes têm conseguido ir a campo com mais frequência, levando informações precisas aos produtores e profissionais do agronegócio. Essa parceria entre grandes instituições de Santa Catarina fortalece a rede de cooperação e garante que o conhecimento chegue de forma prática e efetiva”, afirmou.
Práticas conservacionistas impulsionam produtividade
Um dos pontos destacados no evento foi a consistência entre a produtividade estimada e os resultados informados pelos produtores, o que reforça a confiabilidade do levantamento.
O Giro da Safra também avaliou parâmetros técnicos, como a plantabilidade — que mede a precisão na distribuição das sementes — e o índice de compactação do solo, indicadores fundamentais para garantir o desempenho e a sustentabilidade das lavouras.
Durante o encontro, o pesquisador Júlio César Ramos e o extensionista Zolmir Frizzo ministraram a palestra “Como as práticas conservacionistas interferem na sustentabilidade dos sistemas produtivos”, destacando como o manejo adequado do solo contribui para altos índices de produtividade e redução de impactos ambientais.
A ação conta com o apoio da Unoesc, Epagri/Cedup, Cooper A1, Cooper Itaipu, Auriverde, Alfa, Afulra e Seguros do Sicoob. A segunda etapa do Giro da Safra será realizada no dia 25 de março, em Campos Novos.
Produção de milho em SC mantém alta produtividade apesar da redução de área
Nos últimos dez anos, a produção de milho em Santa Catarina registrou oscilações significativas, influenciadas por fatores climáticos e pela competição com outras culturas, como a soja.
A área cultivada passou de 371 mil hectares na safra 2015/16 para 258 mil hectares em 2025/26, uma redução de cerca de 30%.
Apesar da retração, o estado tem alcançado recordes de produtividade. Na safra 2024/25, Santa Catarina registrou 9.350 kg/ha, o maior valor da série histórica. Os municípios que mais se destacaram foram Campo Erê, com 12.953 kg/ha, Faxinal dos Guedes e Abelardo Luz.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro
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