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Inteligência Artificial prevê produtividade da soja com 72% de acurácia antes da colheita

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A utilização de inteligência artificial no agronegócio brasileiro ganha um novo avanço com o desenvolvimento de um modelo computacional capaz de estimar a produtividade das lavouras de soja antes mesmo da colheita. A ferramenta alcançou 72% de acurácia e apresentou margem de erro inferior a 302 quilos por hectare, demonstrando potencial para aprimorar o monitoramento agrícola em um cenário cada vez mais impactado pelas mudanças climáticas.

O estudo, publicado na revista científica Big Earth Data, analisou dados de municípios dos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul durante as safras de 2019/2020 a 2021/2022. A pesquisa utilizou imagens do satélite Sentinel-2, variáveis climáticas e algoritmos de aprendizado de máquina para construir modelos capazes de prever o desempenho das lavouras de soja com elevada precisão.

Tecnologia pode reduzir impactos da instabilidade climática

A crescente frequência de eventos climáticos extremos tem ampliado os desafios para produtores rurais, cooperativas e agentes do mercado agrícola. Nesse contexto, ferramentas capazes de antecipar o potencial produtivo das lavouras tornam-se estratégicas para a tomada de decisão e a gestão de riscos.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre sensoriamento remoto e inteligência artificial permite monitorar o desenvolvimento das culturas agrícolas em larga escala, oferecendo informações mais rápidas e confiáveis sobre o comportamento das safras.

Soja lidera produção agrícola nacional

A relevância da pesquisa acompanha a importância econômica da soja para o Brasil. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a produção nacional da oleaginosa foi estimada em 147,38 milhões de toneladas em 2024, cultivadas em uma área de 46,03 milhões de hectares.

A Região Centro-Oeste concentra aproximadamente 46% dessa área plantada, consolidando-se como o principal polo produtor do país e justificando o foco da pesquisa nos estados da região.

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Projeto reúne universidades e empresas de tecnologia

O trabalho é resultado da dissertação de mestrado de Ester de Carvalho Pereira, desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), sob orientação da pesquisadora Ana Cláudia dos Santos Luciano.

A pesquisa integrou o projeto PreCISIA – Predição de Colheita por Imagem de Satélite e Inteligência Artificial, financiado pelo Programa de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE), do CNPq, e coordenado pela empresa Espectro Ltda.

Também participaram do estudo pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade de Pequim, na China.

Dados de satélite ampliam capacidade de monitoramento agrícola

Para desenvolver o modelo, os pesquisadores combinaram imagens de satélite de alta resolução, informações meteorológicas e dados históricos de produtividade disponibilizados pelo IBGE.

De acordo com Michel Eustáquio Dantas Chaves, professor da Unesp e um dos autores do estudo, o avanço da disponibilidade de dados transformou a capacidade de análise da agricultura moderna.

Segundo ele, as imagens de satélite permitem acompanhar o desenvolvimento das lavouras e seus ciclos produtivos em uma escala que até poucos anos atrás era considerada inviável. No entanto, o grande volume de informações disponíveis também exige maior capacidade de processamento e armazenamento.

Variáveis climáticas foram decisivas para as previsões

A inteligência artificial desempenhou papel fundamental na identificação dos fatores com maior influência sobre a produtividade da soja.

Os resultados apontaram que a precipitação acumulada, a radiação solar e o déficit hídrico foram as variáveis climáticas mais relevantes para o desempenho dos modelos preditivos.

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Já entre os indicadores obtidos por sensoriamento remoto, destacaram-se as bandas espectrais relacionadas ao infravermelho e ao chamado red edge, faixa altamente sensível à atividade fotossintética das plantas e amplamente utilizada para avaliar a saúde da vegetação.

Fase de enchimento de grãos apresentou melhor desempenho

Os pesquisadores criaram seis modelos distintos, representando diferentes estágios do ciclo da cultura, desde 30 até 180 dias após o plantio.

Embora todos utilizassem as mesmas fontes de dados, o diferencial estava no período analisado. Os modelos mais longos incorporavam um volume maior de informações ao longo do desenvolvimento da lavoura.

O melhor resultado foi alcançado pelo modelo baseado em 150 dias de acompanhamento, correspondente à fase de enchimento de grãos da soja, considerada uma das etapas mais importantes para a definição da produtividade final.

Enquanto o modelo mais completo utilizava aproximadamente 400 variáveis, versões mais simplificadas, com apenas 30 dias de análise, trabalharam com cerca de 80 variáveis e ainda apresentaram resultados considerados promissores pelos pesquisadores.

Agricultura digital ganha espaço no campo

Os resultados reforçam o potencial das tecnologias de inteligência artificial, sensoriamento remoto e análise de dados para aumentar a eficiência da agricultura brasileira.

Além de contribuir para previsões mais precisas de safra, ferramentas desse tipo podem apoiar produtores, cooperativas, empresas e formuladores de políticas públicas na gestão de riscos climáticos, planejamento da produção e tomada de decisões estratégicas em um ambiente agrícola cada vez mais dependente de informações em tempo real.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cerrado Mineiro tem um dos melhores rendimentos dos últimos anos

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A colheita do café arábica chegou a 99% nas propriedades acompanhadas pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), no Cerrado Mineiro. Além do avanço dos trabalhos, o beneficiamento apresenta rendimento médio de 455 litros de café colhido para a formação de uma saca de 60 quilos, um dos melhores resultados registrados nos últimos anos.

O levantamento considera a situação das lavouras até 11 de setembro. Aproximadamente 90% da produção já passou pelo beneficiamento, etapa em que são retiradas a casca, a palha e as impurezas para obtenção dos grãos que serão classificados e comercializados.

O resultado de 455 litros por saca indica uma relação favorável entre o volume retirado da lavoura e a quantidade de café beneficiado. Quanto menor o volume de frutos necessário para formar uma saca de 60 quilos, melhor tende a ser o aproveitamento industrial da produção.

Esse rendimento ajuda a compensar parte dos custos da colheita, da secagem e do beneficiamento. Para o produtor, significa obter mais sacas comerciais a partir do mesmo volume colhido, embora o resultado financeiro também dependa da qualidade da bebida, da classificação dos grãos e dos preços negociados.

O Cerrado Mineiro reúne cerca de 4,5 mil produtores em 55 municípios e possui aproximadamente 255 mil hectares cultivados. A região produz, em média, 6 milhões de sacas por ano, equivalentes a 12,7% da produção brasileira, e comercializa café com mais de 30 países.

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A cafeicultura regional também se diferencia pela Denominação de Origem Cerrado Mineiro, a primeira reconhecida para cafés no Brasil. O selo identifica produtos cultivados dentro da área delimitada e que atendem aos critérios de origem, rastreabilidade e qualidade.

A etapa final da colheita está concentrada principalmente no recolhimento dos frutos que caíram no chão. A Expocacer estima que esse café represente cerca de 30% do volume da safra. Aproximadamente 80% dessa parcela já foi recuperada.

O índice médio de catação, que representa a retirada de grãos defeituosos durante o beneficiamento, está próximo de 21%. O percentual foi influenciado justamente pela maior participação do café recolhido do chão, normalmente mais sujeito à umidade, fermentação e contato com impurezas.

As chuvas registradas entre os dias 5 e 9 de setembro impediram o encerramento completo da colheita. A umidade elevada do solo dificultou o tráfego das máquinas e interrompeu temporariamente o recolhimento em algumas propriedades. Como a maioria das áreas já concluiu o trabalho, o avanço do percentual restante ocorre de forma mais lenta.

As precipitações, por outro lado, estimularam a abertura das primeiras flores da próxima safra. A florada observada corresponde, em média, a 33% do potencial estimado para as lavouras acompanhadas pela cooperativa.

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Nas áreas que produziram menos nesta temporada, a abertura das flores foi mais intensa e uniforme. Nas lavouras que sustentaram cargas elevadas, a florada apresentou menor intensidade, comportamento relacionado ao esforço realizado pelas plantas durante a formação da safra atual.

A continuidade das chuvas poderá favorecer uma segunda florada de proporção semelhante. O restante do potencial deve se distribuir entre outubro e novembro, conforme a disponibilidade de umidade e as condições de temperatura.

A abertura das flores é uma sinalização positiva, mas ainda não garante o tamanho da próxima produção. Para que se transformem em frutos, as lavouras precisarão de umidade suficiente durante o pegamento, a formação dos chumbinhos e o início da granação.

Com a safra atual praticamente recolhida, rendimento de beneficiamento favorável e as primeiras flores abertas, o Cerrado Mineiro encerra um ciclo e inicia outro. O acompanhamento das chuvas e o manejo nutricional e fitossanitário das lavouras serão decisivos para transformar o potencial observado agora em produção na próxima colheita.

Fonte: Pensar Agro

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