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Mercado bovino segue aquecido com demanda externa forte e ajustes nos preços da arroba

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O mercado de boi gordo no Brasil registrou movimentações acima da referência média em algumas regiões durante a última semana. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, estados como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais apresentam um perfil mais acomodado nas negociações, enquanto no Norte os preços seguem firmes devido à dificuldade dos frigoríficos em compor escalas de abate.

“Sob o prisma da demanda, o ritmo de embarques continua intenso, e o país caminha para mais um recorde de exportação em 2025”, afirma Iglesias.

Preços médios da arroba a prazo em 21 de agosto
  • São Paulo (Capital): R$ 315,00 – estável
  • Goiás (Goiânia): R$ 305,00 – estável
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 305,00 – alta de 1,67%
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 320,00 – estável
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 315,00 – alta de 1,61%
  • Rondônia (Vilhena): R$ 280,00 – alta de 1,82%
Mercado atacadista registra queda no traseiro bovino

No atacado, as cotações dos cortes traseiros do boi apresentaram leve recuo, enquanto os dianteiros permaneceram estáveis. O quarto traseiro foi cotado a R$ 23,15 o quilo, queda de 0,64%, e o quarto dianteiro manteve-se em R$ 18,00 o quilo.

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Segundo Iglesias, essa tendência reflete a reposição mais lenta entre atacado e varejo durante a segunda quinzena do mês, além da maior competitividade da carne de frango em relação à bovina.

Exportações de carne bovina seguem em alta

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil alcançaram US$ 764,4 milhões em agosto até o dia 21, com média diária de US$ 69,49 milhões. A quantidade exportada chegou a 135,785 mil toneladas, com média diária de 12,344 mil toneladas, e o preço médio da tonelada foi de US$ 5.629,40, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Em comparação com agosto de 2024, houve:

  • Alta de 58,5% no valor médio diário das exportações
  • Crescimento de 24,9% na quantidade média diária exportada
  • Aumento de 26,9% no preço médio da tonelada

O cenário demonstra que a demanda externa continua impulsionando o mercado bovino, refletindo diretamente na estabilidade e alta dos preços em algumas praças nacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil soma 700 novos mercados e R$ 20 bilhões em negócios mesmo sob pressão de tarifas

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As novas autorizações para vender produtos do agro brasileiro no exterior já geraram mais de R$ 20 bilhões em negócios desde janeiro de 2023, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço, anunciado nesta terça-feira (13.10), acompanha a marca de 700 aberturas de mercado. Para produtores e empresas, o avanço amplia as opções de compradores num momento em que tarifas e outras restrições encarecem as vendas internacionais.

O número exige uma distinção: são 700 autorizações para produtos em diferentes destinos, e não 700 países. Um mesmo país pode liberar a compra de carnes, frutas e sementes, por exemplo, e aparecer várias vezes na conta. Cada aprovação permite disputar um mercado, mas ainda é preciso encontrar comprador e acertar preço, frete e condições de entrega.

Os R$ 20 bilhões mostram que parte dessas oportunidades já virou negócio. O valor, porém, não permite calcular quanto as aberturas acrescentaram às exportações totais do Brasil. Uma venda a um novo destino pode representar produção adicional ou substituir um embarque antes enviado a outro comprador. O balanço também reúne negócios de quase quatro anos; não é o resultado apenas de 2026.

Entre as liberações recentes está a venda de pescado brasileiro aos Emirados Árabes Unidos, tanto de captura quanto de criação. Também foram autorizados o mamão fresco para o Kuwait e o milho em grãos para a Síria. São oportunidades para cadeias diferentes, cujo retorno dependerá do tamanho das encomendas e do custo de atender cada comprador.

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A busca por alternativas ganha peso porque um aumento de tarifa pode interromper pedidos mesmo quando há produto disponível. Entre os efeitos estão o adiamento de compras, a renegociação de contratos e a redução do ganho das empresas. Para quem produz, o risco é ter mercadoria pronta e encontrar condições de venda piores do que as previstas.

Ter mais compradores ajuda a reduzir esse risco e dá alternativas quando um destino restringe as compras. A concentração ainda é relevante: em 2025, a China respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio brasileiro, quase um terço do total, segundo o Mapa.

Produtos do agro com muitos compradores internacionais tendem a encontrar alternativas com mais facilidade do que mercadorias feitas para clientes específicos. Ainda assim, trocar de destino não assegura a manutenção do preço. Um novo comprador pode pagar menos, exigir outro padrão de produto ou estar mais longe, aumentando a conta do transporte.

Embora a tarifa seja cobrada no país importador, o exportador brasileiro também pode pagar parte dessa conta. Se houver fornecedores concorrentes, o comprador pode exigir um desconto para manter o pedido. O negócio continua, mas sobra menos dinheiro para a cadeia que produziu e entregou a mercadoria.

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Por isso, o efeito sobre o campo precisa ser medido também pelo preço recebido e pelos custos, além do volume exportado. Vender mais toneladas não garante maior renda: frete caro, descontos e despesas de produção podem consumir o ganho. Os R$ 20 bilhões anunciados são negócios realizados, não lucro dos produtores.

Há despesas antes mesmo do primeiro embarque. Certificações, comprovação da origem, adaptação de embalagens e transporte precisam entrar na conta. No pescado e nas frutas, por exemplo, a conservação durante a viagem pesa na viabilidade da venda. A autorização sanitária elimina uma barreira, mas não resolve toda a operação.

Produtores, cooperativas e agroindústrias também precisam manter registros que comprovem de onde vem o produto e como foi produzido. Essas informações podem ser condição para entrar e continuar no mercado. Organizar a documentação antes de negociar ajuda a evitar que uma oportunidade seja perdida por falta de comprovação.

Para 2027, a ampliação dos destinos oferece alternativas diante de novas restrições comerciais. O resultado para o produtor dependerá de transformar essas permissões em pedidos regulares, com preços que cubram os custos. A próxima medida do avanço será quanto cada mercado compra — e quanto dessa venda chega à renda de quem produz.

Fonte: Pensar Agro

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