AGRONEGÓCIO
Mercado de feijão enfrenta baixa liquidez e preços nominais com ausência de compradores
AGRONEGÓCIO
Mercado de feijão carioca opera com baixa liquidez e perda de referência de preços
O mercado de feijão carioca encerrou a semana em um claro processo de ajuste, marcado por liquidez extremamente baixa e formação de preços cada vez mais nominais. Segundo o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, há uma deterioração na dinâmica de negociação.
De acordo com ele, um dos principais sinais técnicos é a perda da função de descoberta de preços. O tradicional pregão físico das madrugadas perdeu força, enquanto o pós-pregão passou a ganhar relevância, resultando em divergência entre os valores indicados e os efetivamente negociados.
Cotações seguem como referência, mas sem efetivação de negócios
Os preços continuam sendo divulgados, porém sem concretização relevante de negócios:
- Feijão extra 9,5: entre R$ 370 e R$ 375 por saca CIF São Paulo, sem liquidez
- Feijão 8,5: na faixa de R$ 345 a R$ 350
- Feijão comercial: entre R$ 275 e R$ 300, com maior volume de negociações e pressão até R$ 285
Segundo o analista, a sustentação observada em fevereiro foi rompida pela fraqueza da demanda, e não por um aumento significativo na oferta.
Qualidade inferior pressiona preços e reduz espaço para padrões intermediários
Outro fator relevante é o impacto dos lotes defeituosos, que passaram a influenciar negativamente toda a curva de preços. Esse movimento praticamente eliminou o segmento intermediário do mercado, criando uma polarização entre:
- Feijão de qualidade inferior, com maior giro
- Feijão extra, com dificuldade de comercialização
Enquanto os compradores adotam postura defensiva, operando com compras pontuais e embarques programados, os vendedores seguem restringindo a oferta para evitar negociações em níveis mais baixos.
Tendência para o carioca: mercado travado e pressão de baixa gradual
A expectativa, conforme avaliação de Evandro Oliveira, é de continuidade do mercado travado, com pressão baixista gradual e maior vulnerabilidade dos padrões intermediários e superiores.
Feijão preto registra semana ainda mais fraca e quase sem negócios
No mercado de feijão preto, o cenário foi ainda mais desafiador. A ausência de negócios foi praticamente total, refletindo uma demanda retraída e um ambiente de negociações travado.
Segundo o analista, o principal problema não está na oferta, mas na falta de necessidade de compra. Compradores têm ignorado amostras, enquanto a indústria atua apenas no cumprimento de contratos já firmados. Assim, as negociações se concentram em embarques pontuais.
Preços se tornam teóricos e mercado testa novos pisos
Com a perda de relevância da bolsa física, os preços passaram a funcionar mais como referências teóricas, em um ambiente de constante teste de níveis mínimos.
As faixas observadas no mercado foram:
- CIF São Paulo: entre R$ 215 e R$ 230 por saca
- Paraná (FOB): entre R$ 179 e R$ 185 por saca
- Santa Catarina: entre R$ 170 e R$ 175 por saca, com quedas mais acentuadas na semana
No interior paulista, cresce o risco de os preços testarem o patamar de R$ 200 por saca.
Queda de braço entre compradores e produtores mantém mercado pressionado
O mercado de feijão preto segue em um cenário de disputa entre compradores e produtores. Enquanto os compradores pressionam por descontos próximos de R$ 10 por saca, os produtores resistem, ainda que já apresentem flexibilizações pontuais.
Apesar de contar com suporte relativo — devido ao menor custo ao consumidor e à substituição em relação ao feijão carioca — esse fator ainda não foi suficiente para reativar a liquidez.
Tendência para o feijão preto: estabilidade frágil e negócios pontuais
A perspectiva para o curto prazo é de continuidade de uma pressão lateral a baixista, com estabilidade considerada frágil e negócios ocorrendo de forma oportunista.
De acordo com Evandro Oliveira, o mercado deve permanecer travado enquanto a demanda não apresentar sinais mais consistentes de recuperação.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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